sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Dói



Meu coração está partido. A Caçula ficou muito triste por eu ter vetado o convite à amiga para o fim-de-semana. Acho que expliquei bem. Ela tinha 3 acordos comigo que furou de propósito: Me ligar às 12:00; Ir na Elisa e Ir na academia. Ela não fez. Queria me mostrar que ela é dona da vida dela e que pode não me dar satisfação, como ameaçou fazer ante-ontem? Quando cheguei em casa, estava dormindo...nem para me dar explicações. Está doendo muito, mas foi o que decidi. Ela não cumpriu o combinado comigo. Não vai ter o combinado com ela. Quase fraquejei. Fraquejei, aliás... mas não mudei a decisão, apesar de estar morrendo de vontade de ligar para ela e dizer, chama sua amiga, filhinha, mas não faz mais isso. Pediu mais uma chance. Que vontade de dar a chance. Mas estamos num contexto em que já dei outra chance ... alguma hora ela precisa sentir, de verdade, que tudo tem consequências. Ela está sofrendo mesmo. Pediu: me bate, mas não faz isso! MEU DEUS!!! Até entendo, porque está doendo mais em mim negar isso à ela do que quando dou uns tapas. Esta decisão de hoje foi uma verdadeira punição. Os tapas não são. Não tem nenhum valor educativo. São lixo. São alguma doença que ainda tenho e não quero mais ter. Ai, minha filha, se eu pudesse, não deixaria você sofrer nunca.
No cinema, ontem, a personagem de Salve Geral, Lucia, descobre que o filho matou alguém e chora cheirando as roupas dele que ficaram em casa enquanto ele passa sua primeira noite na cadeia. Não existe nada mais no mundo do que o cheiro de um filho. O cheiro do suadinho da cabeça. A possibilidade de enfiar o nariz na cabeça, no pescoço e apertar, apertar muito. E era o que eu queria fazer agora. Apertar ela toda nos meus braços e beijar sua cabeça e dizer que nada mais que a faça sofrer vai acontecer. Lucia muda para tentar salvar seu filho. Cresce. Precisa aprender a não fechar os olhos quando tem medo, para poder se proteger e salvar seu filho num mundo caótico, onde é cada vez mais difícil saber o quem é o mocinho e quem é o vilão. Um mundo que não permite ser compreendido com opiniões estereotipadas. E eu também não vou julgar o filme ou seu posicionamento sobre a moral deste ou daquele personagem ou grupo. Vou aceitar o convite que Lucia me faz de manter os olhos bem abertos para poder me salvar e tentar ajudar minha filha a se salvar. Quando o grito de "salve geral" ecoa por São Paulo, é o salve-se quem puder. Lucia abre os olhos e termina o filme viva e ao lado do seu filho, também vivo. Este caminho de crescer, mudar, abrir os olhos e aprender a dirigir o seu proprio caminho é o convite que aceito. Dirigir é a metáfora. E para dirigir, é preciso abrir os olhos. Eu aprendo a dirigir para ir ao filme. O filho de Lucia é o piloto, fera na direção. E Lucia termina o fime dirigindo.

Caçula, "Se tu quiser que eu te leve, eu aprendo a dirigir"

o+*

*1 - Vovó foi comigo ao cinema e adorou o Gaspar e reconheceu que a nova motorista da rodada está no caminho certo, ainda que tenha muito a aprender.
*2 - Tinha direito a 3 cigarros ontem e só fumei 2.
*3 - A citação é da música Melissa, do grupo gaúcho "Bide ou Balde" e a vó também é de Bagé!

5 comentários:

hellomotta disse...

ain
Minha irmã tá dando tanta dor de cabeça. A próxima negociação é: se comporte e iremos nos shows da maria dias 16 e 17.

Ps.: Obrigada por contar o final do filme! humpf!

Mulher Asterísco disse...

Já viu que não sirvo para crítica de cinema!!! Ninguem vai querer ir no filme depois de eu resenhar...po...mais vai sim. Juro que no próximo filme que comentar, não conto mais o final!

Mulher Asterísco disse...

*mas

Bêa disse...

ain, vc contou o final do filme ¬¬

droga! rs

PS: sem querer me meter, mas não bate nela não, isso NUNCA resolve. Experiência própria. ;)

Mulher Asterísco disse...

2 votos o+*