quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Kenzo Air

Ele e o tesão por ele chegaram juntos.
Ela já conhecia o que o sexo pode ser. Tinha inseguranças como todas, mas se sabia mulher. Já tinha aprendido. Acabara de decidir que não se enganaria mais com as emoções e que construiria uma nova vida com diálogo e sexo. Iria superar o tempo das ilusões e se preocuparia mais em ser feliz do que em amar.
Ele. De uma geração anterior, mas ainda não tinha vivido. Um adolescente grisalho com saudade do tempo perdido. Ainda não tinha aprendido que um macho não pede licença ao desejo, não conhecera uma verdadeira mulher antes dela.
Era ela o guerreiro, ele a donzela.
Ela se encantou desde o primeiro dia e, mesmo sabendo que se arrependeria, não fugiu do desafio. Ele teve medo. Ela o acolheu. Ele confiou. Ela se derreteu e escorria por entre as pernas. Deu certo. Ele começou a viver. Ela foi aprendendo a amar.
Ele se surpreendia com o prazer que via nela. Ela se enternecia com sua timidez. Não foi em um dia apenas que se tornou homem. Era teimoso e resistia. Ela, incansável, não desistia. Ele tentava manter os limites. Ela, pacientemente, vencê-los. Ele se descobria homem dentro dela. Ela vibrava. E de tanto que tremia que não foi nem uma ou duas vezes que caiu em prantos ao gozar. E ele, coisa rara, não tinha medo de se deixar ser amado.
Tanta emoção não estava era nos planos dela. O que pensar? O que fazer? Estava perdida! Se ao menos acabasse agora, ela teria as respostas e não as duvidas. Por 3 vezes negou. Ela não sabia e queria saber. Ele sabia mas não queria. Ela queria tanta coisa. Ele só queria que tudo ficasse assim. Ela, o futuro. Ele presente. Ela e ele errados, mas quando se olhavam, se viam. E tudo ficava bem.
Ela sofria longe dele. Ele era feliz, sonhando com ela. Ela queria brigar contra o injusto. Ele, tornar mais leve o fardo. Ele acostumado a renuncias. Ela inconformada com a falta. Ele a acolhia e protegia. Ela o desafiava a crescer.
Se comiam e se admiravam. Se apoiavam e se beijavam. Se sentiam bem. Eram o que faltava no outro.
Mas, sempre existe um mas... e ela não sabia muito bem se era a velha mania de buscar um porém ou se era, como as outras a aconselhavam, para nem ter entrado nesta furada e por teimosia não tinha aceitado. Mas, o mas continuava ali e ele, nem sempre. O tesão também era mais habitual do que ele. Ele tinha licenças demais para pedir. Ela, urgências. Ela mulher. Ele adulto. Ela desejava a pele, o cheiro e a voz dele. Queria o seu membro duro, mole, de qualquer jeito, porque este ela sabia que era dela. Ele não era. Era a amiga e a amante. Antes dele era só isso o que queria. Agora queria mais. Normal. Esta era ela, sempre querendo mais. Mas será que não tinha chegado a hora de aceitar mais do que querer. Afinal de contas era visível que ela estava bem. Estava só e não queria, mas cada vez melhor. O resto ...ah! Será que o risco era mesmo dela?
Porque mesmo mandá-lo ir se o tesão por ele ainda está ali, junto dele?

(dezembro de 2007)

Um comentário:

hellomotta disse...

forte. e fato.
a vida é mesmo cíclica! o mesmo ciclo, em vidas opostas.