quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Tragédia

Acontecem tragédias na vida das pessoas. Não só nos filmes.
Aqui está se passando uma tragédia. A 7 cadeiras de distância. Eu assisto como se visse um filme e me sinto impotente. Não posso mudar o roteiro, nem posso aparecer como um deus ex-machina que pudesse mudar o final da história. É uma verdadeira tragédia, do pior tipo. Daquele tipo que torna um roteiro uma obra prima. A história de quem tem a consciência que causou uma tragédia na vida de outros sem querer jamais ter feito isso. Como roteiro, é perfeito, classico e universal, tal a história de Édipo quando descobre que matou o pai e casou com a mãe. A história de Mariana, no filme de terça - Burning Plan (queria falar mais, mas tenho medo de acabar contando o filme, =X). O fato já é trágico, mas a maior tragédia, a que destroça, está na consciência do fato pelo causador.
Mas, se no cinema ou no teatro este drama é arte. Na vida é a encruzilhada.
O telefonema que a Caçula recebeu ontem é um fragmento da história de uma tragédia pessoal pela qual sempre me senti responsável. Esta é a minha tragédia. Um homem louco, descompensando, que tem coragem de chantagear uma garotinha confusa e dizer para ela que nunca mais vai vê-la. É um flash, um trailer, uma síntese. Mas é a síntese de uma vida, a dela. Dá para fazer piada com a minha dor, brincar que tenho o dedo podre para escolher. Mas com a dela, não tem graça nenhuma. Não tem ironia capaz de arrancar nem um sorriso amarelo. Olho para ela e vejo a tragédia que causei. Ser mãe e crescer como mãe é ser capaz de aceitar que não tem como escapar de causar tragédias. Ao se tentar escapar impune, sem enfrentar a sua própria tragédia pessoal é que Édipo caminha de encontro a ela e Mariana causa dor nos verdadeiros inocentes.
A encruzilhada tem uma placa onde está escrito " rota de fuga ", mas é só ilusão, pois quem escolher este caminho acabará encontrando lá o precipício. Aqui, continuo olhando para o Daniel e ainda não sei o que falar. Só me resta torcer para que ele saiba encontrar o caminho espinhoso de aprender a conviver com a sua dor, pois não haverá inocência nunca mais. E se eu puder e souber como, estender minha mão.

Um comentário:

hellomotta disse...

faço das suas, minhas palavras.
Sensação de impotência, vazio. O silêncio me consome.