quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Dos filmes que não vi (1)

Minha assiduidade à grande tela anda beeeeeem reduzida. Já esteve pior, quando só ia ao cinema ver filmes infantis. Filhos determinam a nossa vida social (plural de modéstia, para encobrir a falta de capacidade de se organizar melhor). Agora, já fiz um upgrade e, além de alguns filmes adolescentes (adoro os que tem magia e aventura como pano de fundo de uma saga de amor ou amizade), as vezes consigo uma folga e escolho algum filme para eu ver,isto mesmo, EU.
Bem, este processo inclui a leitura das resenhas ou sinopses dos filmes em cartaz que são submetidos a uma longa lista de linha de corte. Sobra muito pouco, ou quase nada, e, mesmo assim, na maioria das vezes, nem consigo me organizar para ir.
Na última semana fui perguntada por diversas vezes e pessoas diferentes se iria ver Lula, o filho do Brasil. Este foi um dos que não ultrapassou a linha de corte após a leitura de uma sinopse. Ok, também li a matéria da Veja, mas esta só me estimulou a ir ao cinema, afinal, deve ter algo de bom naquilo que a Veja ataca. O problema foi quando li que o filme termina antes da fundação do PT.
Fico pasma de pensar em qual foi o requinte de perversidade quando se exclui da vida do presidente da república aquilo que 'sinequanon' o tornou presidente. Qual o interesse que pode ter a vida de Lula sem o PT? No meu ponto de vista, nenhum. Mas no ponto de vista de uma grande campanha mentirosa para nos fazer acreditar que o projeto de construção coletiva de um ideal fracassou... é sopa no mel.
O PT não é o partido ideal que um dia eu e muitos acreditamos. Ele é o real, que foi e é submetido a muitas pressões de seus inimigos e sucumbe a algumas ou várias delas e resiste a outras. Mas Luiz Inácio, sem o PT não seria o LULA, não seria "O Cara". Não merece, para mim, nenhum outro adjetivo, além de desonesto,o ato de recontar uma história ocultando deliberadamente sua parte mais importante.
Não há dúvida que Lula é filho do Brasil, assim como centenas de milhões de brasileiros batalhadores. E todos tem suas tragédias e lutas pessoais, todos tem mães mais ou menos guerreiras e todos buscam um futuro melhor para os seus.
A diferença foi que um dia, milhares destes brasileiros, juntos, decidiram que era possível construir este futuro se juntássemos as nossas forças para varrer aquele tipo de parasita que esconde dinheiro na meia, vende o nosso patrimonio e detona com a nossa aposentadoria (isto ainda não ter sido feito não é prova que não é possível). Por circunstâncias históricas, este projeto se encarnou numa disputa pelo poder deste país, e, segundo as regras do jogo, pela disputa à presidência da república. Coletivamente, dentro deste partido, se discutiu, se divergiu, se votou e se escolheu Lula como o candidato que representava este projeto nas eleições de 1989, as primeiras diretas para presidente. Se uma outra corrente política, diferente da que Lula fazia parte, tivesse maioria dentro do PT e decidisse por outro nome que não o seu, Lula não seria quem é e não jogaria o papel que joga na história de nosso país. Inquestionável que Lula é a maior liderança deste país atualmente e quiça em nossa história. Evidente que há um papel fundamental do indivíduo na história. Mas a verdade é que ele só ocupa este lugar porque o PT foi fundado. Este é o começo da história. E nenhum filme pode tirar isso de nós, que elegemos Lula.
Se, um dia, o filme passar na sessão da tarde e eu estiver em casa, eu vejo. Mas pagar uma entrada inteira de cinema, neste caso, está fora de questão.

2 comentários:

hellomotta disse...

É... e eu paguei 20 reáus pra ver atividade paranormal.
Terrorzim em tela gigante. vâmo?
;]

Mulher Asterísco disse...

TERROR MESMO? TENHO MEDA