sábado, 26 de dezembro de 2009

Lembranças...

Meu finzinho de ano está sendo dedicado a fazer aquela faxina na alma para iniciar 2010 praticando o desapego.
Descobri hoje, lendo alguns anos de trocas de e-mails que desde março de 2008 escrevo que quero por um fim a uma história de amor que rimou com dor.
E faz pouco, segunda-feira, para ser precisa, que cedi à compreensão de que ainda meu porto, meu destino, meu abrigo são teu corpo amante amigo em minhas mãos.
Foi ante-ontem que percebi que I can´t let you go, porque escuto tua voz doce dizendo que sua alma não quer nem saber, só quer entrar em mim como tantas vezes já te viu fazer...
E assim, montei uma lista de músicas que escutamos juntos e que te dediquei.
No primeiro dia, no motel quando disseste que queria minha alma, eu respondi "Welcome to my life" ao som do radio que tocava Simple Plan. As tardes na Lagoa, fumando charutos, ouvindo Diana Kral e eu vendo na sua face o "look of love". O menino deslumbrado que se tornou homem se sentindo o proprio Mac Navalha ao pousar as suas coxas sobre as minhas coxas quando se deita. Os meses e meses que eu quiz sempre mais de ti e passei sentindo a sua falta, que foi a morte da esperança. Até que decidi dizer tchau porque o que me deste foi muito pouco ou quase nada.
E o que fazer com esta trilha? Gravar um CD em tua homenagem e te dar de presente de natal. Porque não quero que você me esqueça, não quero deixar de me sentir linda instantaneamente só porque você olhou pra mim.
Apesar do desejo de você ainda fazer morada por aqui, seria bem melhor que você pudesse me expulsar de você para que eu pudesse ser de alguém, começando a viver para valer e deixando para trás a quase vida que você não quer largar para viver, sem jogos, comigo
, Candy voice.

"Quase


Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Carlos Drummond de Andrade"

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