terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Anotações de leitura (2)

http://www.marciopeter.com.br/links2/ensaios/ensaios_malestar.html
Trechos:
A Lei que instaura a cultura, a lei de proibição do incesto, ao interditar a escolha do objeto incestuoso, desnaturaliza a vida erótica do homem.
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O declínio do pai foi posto em evidência por Lacan em 1938, no texto “Os complexos familiares na formação do indivíduo”, onde Lacan afirma que o declínio social da imago paterna se mostra condicionada pela migração das populações concentrando-se nas grandes cidades. Este fato produz efeitos sobre a estrutura familiar observável no “crescimento das exigências matrimoniais”, acarretando o “protesto da esposa lançado ao marido”.
Lacan diz neste texto: “Não somos daqueles que se afligem com um pretenso afrouxamento do laço familiar (...). Mas um grande número de efeitos psicológicos nos parece se originar em um declínio social da imago paterna (...). Seja qual for o futuro, esse declínio constitui uma crise psicológica. Talvez seja a essa crise que devamos reportar à aparição da própria psicanálise”.
A hipótese é que a descoberta freudiana é, uma resposta às conseqüências do desenvolvimento do discurso da ciência. Por isso, em 1966, Lacan diz que ”A psicanálise é essencialmente o que reintroduz na consideração científica o Nome-do-Pai”.
Minha observação: aqui cabe o fato da lavoura ser arcaica e não urbanizada e modernizada. O lugar do Pai pre-industrial...
(...)
Ainda no texto “Totem e tabu”, Freud assinala que a condição de existência da cultura e do próprio sujeito é a instauração da Lei, que ele justifica no mito do parricídio originário.

A lei está na origem da constituição da cultura e do sujeito. Não há como erradicá-la nem como se liberar dela.
Minha observação: quem mata quem em lavoura Arcaica?
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A renúncia ao gozo com o objeto incestuoso instaura uma falta em gozar. Freud indica um conflito inconciliável entre a civilização e as reivindicações pulsionais do indivíduo. Lacan pensa os efeitos de capitalismo sobre as relações do sujeito com o gozo, o que permite conceituar as novas subjetividade e os novos sintomas.

O significante (o pai, a cultura e a civilização) não exclui, interdita ou reduz o gozo, mas, ao contrário, inventa novas maneiras de gozar.
A construção do universo masculino evoca o pai primitivo freudiano que pode gozar de todas as mulheres, fazendo com que todos os outros sejam atingidos pela castração.
Esse “homem não submetido à castração” é o único a poder gozar de toda mulher, o único capaz de fundar a identidade feminina. O mito freudiano veicula que a existência da exceção do pai fundador possibilita o aparecimento do clã, ou seja, o conjunto dos filhos castrados.
(...)
O papel do pai era representar a autoridade, “ser pai”, contrariamente a “ser genitor”, supõe o acesso à dimensão simbólica, à linguagem. “Ser pai” tem a ver com a instalação da realidade psíquica do sujeito. A paternidade não é questão de hereditariedade, mas de palavra.
Nota mental: e quando a mãe mata a palavra do pai, como se constitui a feminilidade?