sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Anotações sobre leitura (3), Os Maias (1)

Deixei um pouco Freud de lado e voltei para Eça. Poucas páginas e já estou cativada. Confesso que pulo alguns parágrafos com excessivos detalhes na descrição de aposentos ou paisagens. Afinal, eu viajo principalmente porque quero ir a algum lugar e não só pelo prazer de me deixar levar.
O que destaco neste início de leitura é a dicotomia, linha materna versus linha paterna, na educação. A tristeza de Afonso com a educação excessivamente maternal que recebe Pedro, e que o tornou 'mole'* copiar o trecho*. Afonso é adepto da água fria. Sua esposa, das rezas. Pedro, educado pelo gosto da mãe, sai meio covarde, meio fraco e meio devasso e escolhe uma esposa, a mais luxuriosa, bela e nada reta Maria. 
A equação da tragédia foi montada.
Maria abandona Pedro, fugindo com um principe italiano impetuoso e galante que estava hospedado em sua casa (vamos combinar que até eu que sou meio careta sofreria enorme tentação...). Foge levando Maria Eduarda, sua filha amantíssima e inseparável. Pedro, desmoronado e devastado, volta para o pai.  Ao conhecer seu neto, Carlos Eduardo, a vida de Afonso se ilumina. O amor é mesmo lindo. Já sabemos pelo primeiro capítulo que Carlos Eduardo virou médico  e é um neto dedicado ao avô. Então, é possível imaginar que o avô vai conseguir realizar no neto o projeto de educação saudável que lhe foi negado dar ao filho.  Esta esperança é forte o suficiente para criar um vínculo imediato entre avô e neto, tornando a tragédia que se abateu sobre a honra da família irrelevante para Afonso. Carlos Eduardo se inscreveu no desejo de Afonso duma forma que não teria sido possível se Maria Eduarda, a avó paterna, ou Maria Monforte, a mãe, estivessem presentes. Com o caminho livre dos abraços, seduções e ladainhas femininas, Afonso vai, enfim, poder criar um homem de verdade. Mas e Pedro? Qual o papel que o pai biológoco vai ocupar nesta equação?

(continua...)

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