quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Não anotações sobre leitura (1)

Tá dificil avançar em Totem e Tabu. A cada novo hábito esquisito de culturas diferentes que é descrito, eu acabo me lembrando que odiava Antropologia na faculdade de Ciências Sociais.
Não que este enfoque que o homônimo homófono mais famoso do nosso sapinho esteja dando me incomode. Ao contrário, era para tentar justamente encontrar aspectos universais e outros conflitantes, e, assim, na comparação das culturas, observando a formação de determinadas formas de comportamento, que permitissem compreender melhor quem somos, que eu me interessei em ingressar no curso.
O que me irritou, aliás, me enjoou, na Antropologia moderna é a sua ênfase na falta de relevância, assim...bastaria um método de descrever que tente olhar a manifestação cultural em questão adotando um ponto de vista o menos comparativo possível  para se constituir um saber antropológico.  Não parece tão ruim, né? Não seria mesmo, se por trás disso não houvesse uma grande discriminação com as questões-macro, e que, convenhamos, serve bastante às  agências internacionais de fomento que são as que acabam definindo as linhas de pesquisa. E, assim, temos uma academia que paira acima dos problemas sociais e humanos. Dos tempos desta faculdade, me restaram amigos e tenho um, muito querido, que tem bolsa de doutorado para escrever sua tese sobre uma praia de nudismo específica. Nada mais antropológico e muderno.
Mas parece que houve um tempo em que pesquisar outras culturas servia para descobrir como determinados comportamentos se inseriram em nosso cotidiano. A ciência não tinha vergonha de dizer que servia para nos conhecermos melhor. A descoberta da lei do incesto como instauradora da cultura é absolutamente genial. E é isto que me irrita, o desperdício de sinapses...porque não posso acreditar, dentro de minha herança iluminista, que já  não haja mais nada a ser descoberto sobre os humanos. Mas, enfim...nas páginas que tenho coberto antes de meus olhos se fecharem e meus pensamentos se dissolverem num fluxo nada cartesiano, o que tenho visto é a questão da formação e da função psíquica da idéias obsessivas, dos rituais neuróticos, em comparação com o tabu das sociedades primitivas. Acontece que eu, nada ritualizada e com extrema dificuldade em repetir padrões, não tenho me identificado muito e meu interesse na leitura está com poucos decibéis...
Mas, estamos seguindo...

Um comentário:

Mulher Asterísco disse...

Esqueci de escrever que o que é característico, para Freud, na Neurosa Obsessiva (Totem e tabu, Homem dos ratos) é a ambivalência de emoções. Amor e hostilidade. Com grande represamento dos sentimentos hostis, estes escapam pelas frestas, e, como não são reconhecidos, ganham autonomia em relação ao sujeito. Bacana, né?