quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Anotações sobre leitura (6), Os Maias (4)

Eu me cansei um pouco com a longa descrição da vida social lisboeta.
Mas, enfim, Carlos Eduardo e Maria Eduarda se encontraram e, como não poderia deixar de ser, se apaixonaram. Um amor que se fortaleceu na revelação de um passado "com manchas" de Maria Eduarda.
Assim, de uma hora para outra, chega um personagem que reconhece Maria Eduarda e comenta com Ega que já tinha visto que Carlos já conhecera a irmã. Ega pergunta mais e descobre a verdade. Sem coragem de contar a Carlos, seu melhor amigo, conta a Vilaça. Vilaça conta a Carlos, que acha tão absurdo que comenta o assunto na frente do Avô. Pronto. Todos os envolvidos, exceto Maria Eduarda sabem do incesto. Mas  saber  é diferente de sentir. Para Carlos, Maria não é sua irmã. Não foi criada com ele, não criou laços de familiaridade com ela. Ela é a mulher, a escolhida por ele para ser sua parceira. A descoberta da consanguinidade que começou entrando pelos seus ouvidos, não é absorvida por inteiro  tão rapidamente e, assim, Carlos sucumbe à permanência do desejo e ao invés de contar a Maria, se abandona no corpo dela.  Ega e o Avô veêm o que acontece. Reconhecida a infração no olhar do Outro, o desejo de Carlos por Maria Eduarda começa a ser contaminado pela culpa, pela consciência do ato incestuoso, pelo horror que inspirou nos seus entes queridos.  Instantaneamente, Afonso da Maia definha e morre.  A repressão do desejo que não foi possível num primeiro momento, agora já tem os ingredientes para se consumar...

Nota mental: Na repressão do desejo pelo sujeito é necessário o sentimento de culpa? Qual a diferença entre a repressão do desejo no terreno da ação e  no terreno da fantasia?

9 comentários:

HSLO disse...

Hum...interessante.

abraços

Hugo

Well Bernard disse...

Não responde perguntas que eu não dou conta de... respondê-las.

Como também falo pelos cotovelos, quando passou a minissérie Os Maias, lembro do lançamento da Zafira lá na revista Quatro Rodas e a música da publicidade era uma do Madredeus, que também pertencia a trilha sonora da minisséire.

A música falava algo na linha de "No largo da fantasia o meu sonho acaba tarde". Mas na época, na minha inocência, entendia que "No Abelardo (o que entendia uma transa dada as cenas de sexo da minissérie com as quais eu fazia similaridade) o meu sonho acaba tarde (de onde eu entedia o machismo da época - porque a mulher era reprimida sexualmente)". Enfim, eu não era tão inocente assim.

Enfim, isso não tem nada de engraçado. É só uma construção de enredo para eu deixar abaixo o:

P.S.: Deixei uma resposta lá no meu blog ao seu último comentário.

Beijos.

Pampublikong disse...

Pois o convite está feito e já estou te seguindo de novo... :-)

Paulo Braccini disse...

por incrível que pareça ainda não li e tb não assisti a mini-série ... te juro q coloquei em minha lista de prioridades absoluta ... aí te responderei ...

brincando de contar coments: super fácil ... é só acessar o link abaixo, clicar em Top Comentaristas em azul e preencher de acordo com sua vontade as configurações que vc quer ... depois clica em costumizar e pronto... não se esqueça de colocar no filtro o o seu nome e de quem mais faça comentários em respostas para q eles não sejam contados como comentaristas ... colocar o seu nome de acordo com o que vc cadastrou no bloguer.

Link: http://usuariocompulsivo.blogspot.com/2008/07/widget-compulsivo-top-comentaristas.html

bjux

;-)

Diego disse...

Estou lendo um livro e lembrei de você. Repara. Fica melhor a partir do "A solução de Laplanche é exatamente a transcendental", transcendência é um bom aspecto da questão. Reproduzo:

Como o objeto a é o objeto da psicanálise, não admira que encontremos uma lacuna paraláctica no próprio núcleo da experiência psicanalítica. Quando detalha os impasses da questão freudiana da sedução, Jean Laplanche reproduz, de fato, a estrutura exata da antinomia kantiana. De um lado, há o realismo empírico brutal da sedução parental: a principal causa dos traumas e das patologias posteriores é que as crianças foram, de fato, seduzidas e agredidas pelos adultos; de outro, há a (infame) famosa redução da cena de sedução à fantasia do paciente. Como ressalta Laplanche, a maior ironia é que desdenhar a sedução como fantasia passa, hoje, por postura "realista", enquanto os que insistem na realidade da sedução acabam defendendo todo tipo de agressão, até ritos satânicos e assédio extraterrestre... A solução de Laplanche é exatamente a transcendental: embora a "sedução" não possa ser reduzida simplesmente à fantasia do sujeito, embora realmente se refira ao encontro traumático com a "mensagem enigmática" do Outro, como testemunha do inconsciente do Outro, ela não pode ser reduzida a um acontecimento na realidade da interação real entre a criança e os adultos à sua volta. A sedução é antes um tipo de estrutura transcendental, a mínima constelação formal a priori da criança confrontada com os atos impenetráveis do Outro que dão testemunho do inconsciente do Outro - e, aqui, nunca lidamos com simples "fatos", mas sempre com fatos localizados no espaço de indeterminação entre "cedo demais" e "tarde demais": a criança é a princípio indefesa, lançada ao mundo quando ainda é incapaz de cuidar de si mesma, ou seja, sua capacidade de sobrevivência se desenvolve tarde demais; ao mesmo tempo, o encontro com o Outro sexualizado, por necessidade estrutural, sempre vem "cedo demais", como um choque inesperado que nunca pode ser adequadamente simbolizado, traduzido para o universo do significado. O fato da sedução é, portanto, o do X transcendental kantiano, uma ilusão transcendental estruturalmente necessária.

Fonte: ZIZEK, Slavoj. "A visão em paralaxe". São Paulo, Boitempo, 2008, p. 35.

Vaca Jersey disse...

Culpa??!? Acredito nisso não! E dê-lhe Mirinda!!! Hahahaha!!!!! Bjos!

Mulher Asterísco disse...

Ain Dieguitcho... vou levar uns 10 anos para conseguir entender isto sem 'sangrar o meu nariz'...mas a minha sensação é que há algo nisso...

Renato Orlandi disse...

Uai. Não sei, mas minha professora tem uma filha que se chama Maria Eduarda, vou decorar esse texto e dizer a ela rs. Bjaaao!

Diego disse...

Tem algo aí sim. Relê amanhã com calma. Zizek é assim, minha filha. A gente segura na mão de Deus e vai.