quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

pausa para o café

Hoje, olhando para ele enquanto ele falava, pensei, quem sou eu para este homem, meudeus?
O mesmo sorriso de canto de boca que me desarma, os mesmos óculos, o mesmo nariz de batata, a mesma sombra de barba cerrada e bem feita e os mesmos cabelos grisalhos. Tudo o que eu procurei, eu reconheci naquele rosto, naquele corpo, naquela voz. Se é o mesmo corpo porque não sinto que é familiar o homem que esta falando aqui na minha frente? Pânico. Ele não me reconhecia, tão pouco. Se não fosse um lugar público, eu teria dito me dá um abraço, fica tranquilo, sou eu, não tenha medo, vamos acabar com este mal-estar, você sabe que eu te conheço melhor do que você mesmo. Eu me acalmaria com isso. Mas eu não podia falar nada e ele não entendia os gritos no meu olhar. E, também, nem se deu ao trabalho. Mas ouviu. Tudo truncado. Entendeu "fica longe de mim, eu tenho medo de você". Eu queria retrucar. Mas eu precisava  também tomar um pouco de folego. Tentei ganhar tempo, fiz perguntas sobre o trabalho. Adoro quando ele fala do trabalho, ele é brilhante. Piorou. Como assim? Ele tem sete patentes e eu não sabia? Eu nunca me interessei? Que tipo de pessoa sou eu? Quem é este homem na minha frente? Porque não me parece um casal? E porque eu olho para ele e não me reconheço mais no desejo que vejo no olhar dele quando ele me olha? Quem sou eu para este homem, meudeus?

17 comentários:

Renato Orlandi disse...

Belo texto! Eu imaginei alguem fazendo de conhecer um gatinho na rua por ser um gatinho, adoro fazer isso! ahsuhausa! Mas se conhecendo antes, realmente, ou se achando conhecer fica diferente, e talvez a dor seja maior.... gde bjoo!

Paulo Braccini disse...

uuuuuuuuuuuuuummmmmmmmmmmm!!!

;-)

Lobo Cinzento disse...

Que loucura!

Entendi bem pouco desse texto, confesso... As vezes nem era pra eu entender mesmo. Ou talvez sim, e minha interpretação de texto fraca não permite. Mas enfim...

O nosso foco varia tanto com o momento... Tem situações que nos fazem prestar atenção em tantos detalhes por vezes insignificantes... Quantas vezes nos pegamos lembrando de detalhes irrelevantes sobre as pessoas, e deixamos passar informações importantes desapercebidas?

Beijos o+* XD.

Mulher Asterísco disse...

Concordo com o Lobo que tá confuso. Eu reli e não fez sentido nenhum. Foi meio um desabafo na hora. Agora já reescrevi. Se precisar, reescrevo de novo.;D
Bjs

Lobo Cinzento disse...

Aaaaaaaaaah.

Continuo perdido. Mas relaxe, dessa vez deu pra entender o texto, pode por a culpa na minha interpretação de texto ahauahauhau

Mas a linha geral, eu entendi. É alguma coisa perto de um mal estar com a dificuldade de se entender o outro? (Há! ahauahauahauahu)

Brinks. Compreendi sim. Mantenho o comentário de cima, que nem passei tão batido assim na primeira leitura. O foco. O momento determina o foco. Nem sempre o foco é onde nós queremos; as vezes focamos em coisas irrelevantes, as vezes não. As vezes percebemos coisas que deveríamos perceber, as vezes percebemos coisas que nunca notaríamos em outra situação. As vezes o nosso foco permite uma sintonia, as vezes não. É tudo questão do momento...

AD disse...

O melhor desses textos nem é entender direito o que a pessoa está vivenciando, eu não entendi muita coisa. O legal é sim aproveitar essas palavras para enxergar algo que se aplica em nossas vidas. Podem ser sensações diferentes, mas produtos de um mesmo texto.

Boa noite minha cara.

Guará Matos disse...

Bem,
Não tenho mais tantos cabelos, uso cavanhaque, uso óculos, barriguinha relaxada... Gente que homem lindo, sou eu!
Bjs.

Paulo Braccini disse...

Já vivenciei isto ... normalmente ocorre nos momentos de absoluta carência ... encontramos alguém que por algum detalhe nos alimenta a esperança de termos nossa carência suprida ... mas o problema não está na carência em si e sim em nós mesmos ... nestes momentos não reconhecemos nem a nós mesmos ...

Eu, nestes momentos, particularmente não posso, definitivamente, cruzar com alguém exalando aroma do tipo Kenzo Air ... uma loucura ... fecho os olhos e começo a seguir ... dentro de mim a sensação de que encontrei alguém que procurava desde sempre ... mas enfim ... no momento seguinte fujo, pois me dou conta de que não sei mais quem sou eu ...

confuso tb né?

bjux do Paulo Roberto Figueiredo Braccini ... rs

;-)

hellomotta disse...

Eu imaginei a sua cara escrevendo isso tudo.

Mulher Asterísco disse...

Foi brabo, mas já me recuperei...hoje já estou fazendo piada e dando esporros hauahauhauahau

Edu disse...

Fazendo piadas e dando esporros mas com um texto lindo mesmo assim - forte. É como o AD falou, a gente "internaliza" a coisa a aplica na própria vida. Supimpa!!

Recadinho pra hellomottinha: opa, juntos, casados e financiando apartamento novo, depois de termos vendido a casado(i)s! :-)

Wans disse...

É tão legal ler um texto que as vezes a gente se enxerga. Achei belas suas palavras.

Obrigado pela visita, já tô te seguindo.

bjs

Well Bernard disse...

Ai que ótimo, não é só eu que tenho limitações para compreender os textos.

Bem, minhas carências são manifestas de outra maneira.

Mulher Asterísco disse...

Acho que a carência existiu na história, mas não era da narradora que estava numa náusea sartreana...

Vaca Jersey disse...

Cuidado, hein?? Ele pode ser um super vilão querendo roubar teus cabelos, teu laço, teu DIU ou seja qual for a fonte dos teus superpoderes... hehehe!!!!
Fia... a gente quer ver a cara do homem... mostra o "corpo" prosamigo... haha! Beijos! Ótimo fds!

Gato de Cheshire disse...

Se vc n sabe quem é o homi o que dirá eu, se rolar um bolão eu caso dezinho no Clooney

Robson Schneider disse...

Oi novamente... o final do texto me fez pensar no quanto é recorrente isso mas as pessoas fingem não perceber... especialmente por ser uma sensação estranha.De ambos os lados...
"E porque eu olho para ele e não me reconheço mais no desejo que vejo no olhar dele quando ele me olha? "
Bjo
Ps: detesto colar trechos do post pois isso é tipico de quem não leu todo o contexto e quis fazer tipo com o dono do blog hehehe