segunda-feira, 26 de abril de 2010

Compulsiva


DivulgaçãoPronto.
Num 'comment' do meu post anterior, o Diego me chamou de compulsiva. Ele mal sabe quão certeiro foi. Como mulher de fases, verdadeiramente digna deste título, estou passando pelo momento-leitora-voraz. Mais de 500 páginas em 2 dias. Foi esta a velocidade com que cheguei ao fim de "O mundo pós-aniversário". Eu já tinha me prometido lê-lo quando terminei Precisamos falar sobre Kevin, da mesa autora.
Me permiti não parar. Me permiti não falar com ninguém. Me permiti sublinhar 3 trechos. Resultado: 2 dias de ressaca. E no terceiro dia, uma indagação: Em qualquer caminho que eu escolhesse frente a uma bifurcação eu me permitiria ser feliz ou ficaria eternamente atormentada pela escolha que não fiz?
Não vou tentar responder isso sobre mim neste post, porque neste caso, a pergunta é mais importante que a resposta. Bem mais.
Segundo resenhas disponíveis que li na net, Irina, a personagem principal, enfrenta um dilema parecido com o que Lionel Shriver enfrentou tendo que optar entre um amor feliz e uma paixão irresistível. Mas o livro não responde. Ele formula as possibilidades. E deliciosamente entra na dor de personagens imperfeitos, uma dor verdadeiramente humana.
Talvez, na vida real, uma pessoa estaria determinada a fazer a única escolha que ela poderia fazer. Talvez um fato do acaso, como um beijo um pouco mais caloroso dado pelo marido sem perceber, pudesse ter um efeito (borboleta) que determinasse tudo dali para frente. Mas se a vida segue ou não um curso determinado pelos acontecimentos que se entrecruzam como uma matriz, não é este o uso da literatura(Pode ser a menção). Usamos os livros para sermos livres. Qualquer solução é possível e são estas inúmeras possiblidades que fazem a arte libertária.
`Em matéria de criação artística, importa essencialmente que a imaginação escape a toda sujeição, não se deixe impor filiação sob nenhum pretexto. Àqueles que nos pressionam, hoje ou amanhã, para que consintamos que a arte seja submetida a uma disciplina que sustentamos radicalmente incompatível com seus meios, pomos uma recusa inapelável, e nossa deliberada vontade de nos manter no lema: todas as licenças em arte.`(Trotsky e Breton).
Para dar corda à minha compulsão, já encomendei outro livro da mesma autora (double fault) e já comecei a fazer as reservas para a FLIP 2010, para a qual foi convidada. Partiu?

12 comentários:

EFS*** disse...

O vimeo foi o recurso que encontrei depois de entrar para o grupo dos Youtubebloqueados! kkkkk

Fazer o que né?

Beijões...

Edu disse...

Vocês estão me dando comichão por leitura.

Edu disse...

"o Edu sabe se controlar..." Rá! Diz isso pq você não me conhece há tanto tempo... Só não saí comprando ainda (desconte geladeira, fogão, micro-ondas e lava-roupas...) porque não tenho ainda onde colocar as coisas! ;-)

Visão disse...

Às vezes sinto como se não tivesse opção, como se a decisão tomada fosse a única possível.
Ultimamente minha vida é livros de direito. Invejinha de vc.
bjs.
ps: o que me irrita não são os olhares, mas as constantes visitas cobrando-me a lágrima e o perdão. Cobrando-me a obrigação de fazer o sociavel e mostrar a sociedade que eu não sinto. Apenas me juntar aos outros irmãos que choram, mas nem ao menos se abalaram enquanto ele ainda estava vivo e precisava. Choram e exigem que eu faça o mesmo.

Guará Matos disse...

Ler é fazer o tempo útil.
Bj.

AD disse...

Asterísco, tu precisas ver YES. O filme é um romance hétero muito gostoso. Não dê stop na primeira cena do aspirador, siga adiante.
http://www.yesthemovie.co.uk/

É o tipo de filme que ou vc detesta ou ama. Sem meios termos, chega de meios termos.

Gato de Cheshire disse...

c recebeu meus e-mails?

Lobo Cinzento disse...

Acho que o único livro na minha vida que consegui fazer isso foi a trilogia do senhor dos anéis, que li as mil e tralálá páginas em 1 semana...

Beijos o+*!

Paulo Braccini disse...

compulsão ... uma das minhas neuroses ... aff ... sofro com isto ... #comofaz?

Vaca Jersey disse...

Gente culta, eu adoro. Agora mulher culta, eu como mesmo. Hahahahahaha!!!!! Bjozzzzzzzz!!!!!!

Robson Schneider disse...

Até que existem compulsões boas né?!

Diego disse...

ADORO uma Flip, a-do-ro!