quarta-feira, 21 de abril de 2010

Eu desejo que você se frustre!

Eu não costumo postar textos de outros. Gosto de uma postura mais autoral no Blog. Mas neste momento meu, estou aprendendo como é bom nao ter algo. E querer. Eu dedico este texto para mim e para as minhas filhas que fazem aniversario em maio. Que elas nao precisem domorar tanto para entender a força do querer, isto é: que querer é melhor que ter, mas mesmo assim, nao substitui.


Eu desejo que você se frustre!
:: Rosana Braga ::


Certamente, o título deste artigo é um tanto agressivo. Eu sei! Acontece que queria mesmo chamar a atenção para o quanto estamos precisando aprender a lidar com as frustrações. Temos vivido um momento muito delicado no que se refere a encarar os não que a vida nos impõe.

Cada dia uma notícia mais terrível que a outra e sempre tendo como mote principal a incapacidade de aceitar uma negação, seja de quem for. Filha mata os pais porque eles não aprovam seu namoro. Namorado mata namorada porque ela não quer mais continuar a relação. Namorada mata namorado porque descobre uma traição. Mãe mata filhos porque o marido a abandonou. Neto mata avó porque ela não queria que ele fizesse barulho.

Um número assustador de pessoas que simplesmente decidem acabar com a vida do outro e, tantas vezes, com a própria vida porque as coisas não aconteceram exatamente como elas previam ou gostariam.

O que é isso?!? Onde é que vamos parar? Será mesmo que não existe outra maneira de lidar com tudo isso? Eu sei que o mundo exige cada vez mais de nós, que o fracasso faz com que nos sintamos fora de uma competição acirrada e de um objetivo insano de ser feliz e ter sucesso a qualquer preço, mas ‘peraí’... está na hora de avaliarmos outras possibilidades mais criativas para o que é inevitável: a frustração!

Todos nós, indiscutivelmente, independente de classe social, situação financeira, origem, cultura ou raça, temos de lidar com os fracassos, as perdas e as dores decorrentes do exercício de viver. Portanto, há de haver uma conseqüência nobre de tudo isso: aprendizado, amadurecimento, crescimento interior, enfim, auto-superação!

Antigamente, perdia-se um amor e isso se tornava inspiração para lindos poemas, músicas inesquecíveis ou atos belíssimos na tentativa de reconquistar a pessoa amada, tais como uma serenata ao pé da janela, uma declaração de amor em público ou o envio de dúzias e dúzias de rosas. Hoje, perde-se um amor e tudo vira uma tragédia insana e sem sentido.

Antigamente, recebiam-se proibições dos pais e isso se tornava uma fuga de casa por uma noite, uma carta malcriada ou até um motivo para lutar por causas maiores. Hoje, recebem-se ordens dos pais e isso se torna razão para destruí-los, massacrá-los ou feri-los.

Onde está nossa sensibilidade? Onde está nossa motivação para transformar limites em novos horizontes? Onde está a noção do que seja compreensão, aceitação e fé?

Eu desejo, sim, que você e eu continuemos nos frustrando, até porque não há outro modo de evoluir; mas desejo, sobretudo, de todo meu coração, que consigamos lidar com nossas dificuldades de um modo mais humano e criativo.

Esmurremos o travesseiro, fechemos a porta do quarto e choremos a noite inteira, martelemos 118 pregos num pedaço de madeira, sem parar, até esgotarmos toda nossa energia raivosa, mas pelo amor de Deus, não destruamos uma vida, não acabemos com o que é sagrado, não desperdicemos a oportunidade de ser gente e agirmos como tal.

E assim, de frustração em frustração, quem sabe possamos perceber que não há nada mais fantástico e sublime do que a arte de aprender a transformar um não em mais uma chance de vencer e ser feliz...

6 comentários:

Guará Matos disse...

Delícia de verdade!
Absoluta sensibilidade e percepção.
Acredito que isso tenha algumas causas. Uma dela é a falta de ídolos verdadeiros. Não falo de idolatrias espúrias e sim, em quem vislumbrar!
Lembro-me que eu com os meus doze anos já lia, ouvia Big Boy, todos os dias a partir de 18:00 h, pela Rádio Mundial - 860. Eram audições maravilhosas dos Beatles, Elvis, Grande Funk, Eric Clapton, Jimi Hendrix, Janis Joplin, James Brown Jackson Five, Areta Franklin, Chicago, The Woo, Bob Dylan... Tantos, que ficarei décadas citando.
Livros que me indicaram tantos e bons caminhos. Você se lembra Dos "Meninos da Rua Paulo"? Foi uma das introduções. Não li o Pequeno principe, porém, tantos outros vieram depois.
Na minha escola rolava teatro, festivais de música e poesias. Ah, tinha a Banda Marcial, grupo folclóricos, artezanatos, trabalhos manuais, artes industriais, eu tive tantos e bons ídolos. Professores, poetas, músicos, gente que me deu a chance de pensar no belo e me incentivavam.. Me davam chances.
Hoje a juventude só assiste desgraça. São corpos espalhados por onde passamos. Os noticiários estão perdidos nas catástrofes e na falta de sentido pela vida.
As produções ensinam a matar, fabricar bombas, usar drogas, desrespeitar os pais, os mais velhos, o irmão, o amigo.
A legislação é frouxa e estimula as várias práticas de crimes. Os conselhos são ocupados politicamente e sem critérios.
As escolas públicas são ceifadas a cada dia, com falta de professores, salários baixos, ensino caduco e sem motivação e programas curriculares de incentivo cultuarais que não existem. O jovem não é despertado para sua criatividade.
E para finalizar, grande parte dos pais se esqueceram de suas responsabilidades e autoridades.
Querida, vivemos entregues ao caos.
Bjs.

Guará Matos disse...

Delícia de verdade!
Absoluta sensibilidade e percepção.
Acredito que isso tenha algumas causas. Uma dela é a falta de ídolos verdadeiros. Não falo de idolatrias espúrias e sim, em quem vislumbrar!
Lembro-me que eu com os meus doze anos já lia, ouvia Big Boy, todos os dias a partir de 18:00 h, pela Rádio Mundial - 860. Eram audições maravilhosas dos Beatles, Elvis, Grande Funk, Eric Clapton, Jimi Hendrix, Janis Joplin, James Brown Jackson Five, Areta Franklin, Chicago, The Woo, Bob Dylan... Tantos, que ficarei décadas citando.
Livros que me indicaram tantos e bons caminhos. Você se lembra Dos "Meninos da Rua Paulo"? Foi uma das introduções. Não li o Pequeno principe, porém, tantos outros vieram depois.
Na minha escola rolava teatro, festivais de música e poesias. Ah, tinha a Banda Marcial, grupo folclóricos, artezanatos, trabalhos manuais, artes industriais, eu tive tantos e bons ídolos. Professores, poetas, músicos, gente que me deu a chance de pensar no belo e me incentivavam.. Me davam chances.
Hoje a juventude só assiste desgraça. São corpos espalhados por onde passamos. Os noticiários estão perdidos nas catástrofes e na falta de sentido pela vida.
As produções ensinam a matar, fabricar bombas, usar drogas, desrespeitar os pais, os mais velhos, o irmão, o amigo.
A legislação é frouxa e estimula as várias práticas de crimes. Os conselhos são ocupados politicamente e sem critérios.
As escolas públicas são ceifadas a cada dia, com falta de professores, salários baixos, ensino caduco e sem motivação e programas curriculares de incentivo cultuarais que não existem. O jovem não é despertado para sua criatividade.
E para finalizar, grande parte dos pais se esqueceram de suas responsabilidades e autoridades.
Querida, vivemos entregues ao caos.
Bjs.

Einstein² disse...

Nossa, vc não sabe como esse artigo mecheu comigo. Nossa, nossa! Nossa²! Nossa ³ e et ceteras! Acho nefasta tbm a ação de um ser destruir outro por frustação pessoal. Não posso dizer o mesmo de se auto-destuir, pela pressão alheia. Meu Deus, ja foram tantas vezes comigo... Mas a força, graças a Deus foi grande e eu me eu-Upei! Mas enfim, inspirador!
Seguindo-te!
Bjo grande

Mauri Boffil disse...

Uau!
Mas as frustrações são úteis... Se não os psicólogos iriam morrer de fome.
Besos

Visão disse...

Crime passional é algo real aqui em Aracaju. Agressão a namoradas e mulheres no condominio em que eu moro é igual café da manhã. Mas a pior aprte é ver que as mulheres, mesmo diante disso, protegem os seu homens. AMOR?! Não sei. Talvez seja a falta dele... falta do amor próprio. Talvez também seja o amor próprio, amor a vida dela. Medo de com o fim ele possa mata-la.
Meu primo, grita com o pai como se este fosse o cachorro da casa, o qual ele respeita mais que ao pai, já que este é um Pitbull e pode mordê-lo.
Os valores estão de desfazendo e os jovens de hoje, cheios de "conhecimento" acham que podem enfrentar os pais e quem quer que seja, e já não acha muito importante a autoridade dos pais sobre a vida. E os agridem como se fossem amigos, ou qualquer coisa sem importância.
Às vezes, por essas coisas, agradeço ser gay, e saber que o meu parceiro não vai engravidar e nem eu.

Robson Schneider disse...

Viva a yoga e a meditação! graças a Deus existem exercicios respiratorios que salvam pescocinhos...e pescoções