segunda-feira, 24 de maio de 2010

Analista de Bagé

Semana passada, estive fazendo um curso de Relações Interpessoais. Se eu tinha alguma dúvida dos meus talentos analíticos, virou poeira. Modéstia a parte, de simples participante, ocupei lá um lugar chave na criação de uma identidade de grupo acolhedora, amistosa e interessada nos dilemas dos outros.
Tá bom que eu não tenho o requinte teórico do Renato. Eu sou intuitiva e me utilizo da empatia para apurar meu ouvido para o outro, mas eu realmente faço isso e acabei aprendendo. Talvez não seja mesmo talento e sim uma disposição de buscar uma ponte. Ou como disse o teste de cores , 'Procura transpor a lacuna que ele sente que o separa dos outros'.
O contraditório é que mesmo assim, eu percebo o quanto me vejo mesmo sozinha. Se eu abro caminhos para chegar no outro, não é tão fácil eu deixar o outro chegar em mim. No meio do castelo, protegida por uma cerca de espinhos, que nenhum heroi ousou transpor. Os poucos que tentaram eram loucos, não heróis e se perderam num labirinto. Alguns ainda não encontraram o caminho de volta para um lugar seguro. E por acreditar nisso, sabe-se lá se verdade ou não, tive medo.
Mas aí veio a caçula. E tive que doer vê-la sofrer como efeito dos descontroles, da falta de senso. E doeu. Doeu como se transpassada por uma faca, não uma afiada que faz um corte preciso e fino, mas uma faca cega que com a força que entra, rasga e dilacera. Sim, a caçula é um labirinto de espelhos, um retrato de dorian gray: é o retorno da minha imagem mostrando o que não gosto nela.
O infinito ou a imensidão verde do mar não podem ser mais os deuses mais bonitos. Está na hora de aparar a grama do jardim, sentar a beira do fogão para cerzir as meias dos pequenos e tomar um chimarrão, ajeitando minha cadeira nas histórias de tias, avós, primas... Hora de dar um intervalo na cavalgada por este mundão cheio de guerras e revoluções e sentar entre os meus para contar minhas histórias. Eu até acho, hoje, que eles gostariam de ouvir...

6 comentários:

Edu disse...

Ah, sim, eles gostariam de ouvir... com certeza gostariam.

Visão disse...

O+* - a contadora de histórias.
E quem não gostaria de ouví-las?
BEijão e boa semana

AD disse...

Eu tô sentado, aguardando ouvir suas historinhas. *.*

Analisar o que o outro diz é sempre faca de dois gumes. Bem ou mal sempre será uma versão da história. Mas o legal é quando o analista é acertivo e faz o outro pensar. O exercício aqui nem é seguir cegamente o outro, e sim ter sinapses através das acertivas.

Isso pelo menos acredito que vc é capaz.

Sobre a cafeteira? Um dia eu dou uma luxo de presente. Deixa eu me acertar profissionalmente.

E ADORO o seu "perdeu playboy". Quero ouvir esta frase ao vivo, com toda a sonoridade que sua voz pode produzir. Hahahahahah

Beijão grande dama.

Caju disse...

Meus pais nunca me contaram histórias. Mas meus avós, ahhhh, que tempo maravilhoso aquele! Não tire isso dos seus pequenos...não mesmo!

Bjooos

Rafa disse...

A casa, preparar a casa, contar histórias, passar o chimarrão em roda. Fazer um caminho bonito até a entrada com tapete "Bem-vindo", mas deixar um espinho ou dois pelo caminho.. sempre é recomendável.
P.S. Vc mora no Rio?

My disse...

Adoro ouvir historias, ainda mais bem contadas!!