segunda-feira, 3 de maio de 2010

Mais uma das cartas de adeus que prometi não fazer


Você quase foi padre. Deveria saber. Não é a palavra a fonte de toda salvação? Se de Deus, a religião é a palavra, não deveria negá-la. Sua fé é fraca. Acredita apenas nos dogmas. Na menção, não no uso. Digo isso porque rejeita a palavra. Ora, como padre você iria levar a palavra de Deus e ouvir a palavra dos homens e mulheres. E na palavra ouvida eles iam se salvar. Se não ouve o que digo e não fala nada, qual a possibilidade de salvação do que é nosso? É a possibilidade da palavra que desarma o discurso viciado. Só a palavra verdadeira poderia interromper um círculo de acusações, pouco importa se (as acusações) chegaram a ser formuladas ou mesmo ditas. Pecador você! Não, o pecado não é o sexo. O pecado é a falta de amor ao próximo, renunciando à única ponte que poderia  levar você para realmente perto de outra pessoa, a palavra.

Então, nem pense que vou enviar esta carta. Não acredito mais em você. Não, não estou chamando você de mentiroso. Desleal, sim. Comigo. Mas olhando bem, não só comigo. Talvez seja com você mesmo, ao ter renunciado à unica coisa que poderia salvar na sua fé. Problema seu. Eu não tenho está fé. Os homens criaram Deus porque precisavam dele. Você continua precisando. Eu não preciso. O que preciso é remover os obstáculos e intermediários entre mim e a minha própria palavra. Nos desejo boa sorte. Vá com Deus.
--
o+*

3 comentários:

Edu disse...

Que posso dizer? Talvez cantando:

Alice não me escreevaaaa aquela carta de... adeus... e - e - e - eus...

?

hellomotta disse...

Se não ouve, não fala e não faz. Pra que vive?

Visão disse...

Eu tenho uma mania f*d* de escrever carta de adeus sem remetê-las. Escrevo-as para mim mesmo, para enfiar na cabeça e em meu coração que o fim é necessário. Dê o adeus, e viva. Foi isso o que eu fiz e me fez bem. Bjs