sexta-feira, 30 de julho de 2010

Mlle Chambon

Veronique tinha seus alunos deste ano. Outros ano que vem. Vivia como professora susbstituta, pelo interior da França. Longe dos sonhos de jovem, não tinha se tornado uma violinista como desejara, não tinha um amor, uma família. Veronique vivia na falta.
O reconhecimento de sua música pelo pai do aluno, leva Veronique a desejar não mais partir. Deste encontro nasce a poesia. Ele com sólidas raízes fincadas na terra, no dever, na família que cuidava e provia, com dedicação e amor. Ternos, em sua falta: Ela precisava do cuidado, ele da beleza. Ambos precisavam se encontrar num lugar além do que a realidade havia conduzido em suas vidas. Se encontraram na arte, como um vínculo que ajuda a ultrapassar o ordinário endurecedor. O amor aparece como o extraordinário. Além da estupidez e da mediocridade, o sonho. Ela o sonho de pertencer a algum lugar. Ele o sonho de ultrapassar o lugar a que pertence. Os acordes que saem do violino, estremecem e ressoam no fundo de suas almas. Este ajuste de sintonias marca o reconhecimento do amor um no outro. Um encontro. Por caminhos diferentes, cada um se inscreve no desejo do outro. Um desejo ainda não enunciado para si mesmo, que se descobre em estado bruto. Um amor trágico. Uma fome que não pode ser saciada. O sexo entre eles não é uma celebração ao prazer. Não leva ao esquecimento, a satisfação dos desejos. O sexo é apenas a emoção do reconhecimento e a certeza da incompletude. A alma dói mais do que o corpo festeja. O "e se" permanece ali seduzindo-os, mas a hipótese, quando formulada, revela sua impossibilidade. Ele ainda flerta com a idéia de viver esta história, mas não pode abandonar suas raízes. Ela vai continuar só, uma nova cidade, uma nova escola. Um lugar desconhecido para o qual levará o vazio que tão bem conhece.

7 comentários:

Renato Orlandi disse...

Poxa, que tristeza retirante dessa pobre mulher, ela conhece o amor (será mesmo?) e mesmo assim o despreza? Contudo viver num lugar "novo" onde ninguem te conhece, onde as pessoas mudam toda hora deve ser fantástico, deve dar segurança... a que preço? Bjao!

HSLO disse...

Fascinante essa história.


apareça em meu blog depois, tem novidades.


abraços

Hugo

Sac do Amor disse...

Veronique tem sonhos, apesar do destino, apesar de todos os pesares. Creio que a personagem não é uma conformista, ela apenas vive o que pode, por causa das circunstâncias.

Abraços.

Edu disse...

Vem morar comigo, Vê! Preencho esse vazio (ui!)...

Vaca Jersey disse...

Welllllllllll... eu tb preencho os vazios... DE VÁRIAS FORMAS... Hahahahahahahahha!!!!! Bjozzzz!!! E ainda não avistei o Jato Invísivel chegando aqui... claro, é invisivel, né? Hahahahah!

Vaca Jersey disse...

Mas que tu come e se lambuza eu TINHA CERTEZA!!!! Hahahahaha!!! Beijozzz, sua lambuzeira... hahaha!!

Lobo Cinzento disse...

Incompatibilidades guiam situações. A razão por vezes deve perdurar sobre a emoção. Quando não dá, não dá...