quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Flip

Estranha intimidade esta com os escritores. Eles nos provocam emoções. Desvendam nossos mistérios. E , no entento, sequer sabem da nossa existência. Deveria ser como queria Holden Caufield, ficarmos horas e horas batendo papo. Ninguem compreenderia tão bem aquele aspecto funebre da nossa personalidade. Mas aí você só tem alguns segundos, enquanto a fila espera, para começar uma conversa. A pessoa nunca viu você antes. Um desconhecido é o que você é. O que falar? Como se tornar especial?

Tive meu momento tiete em Paraty. Peguei autográfos e tirei foto com a Lionel. E ainda falei de Franklin, cujo desfecho realmente me impressionou. As duas mesas que fui, bastaram. Numa, com Patricia Melo, acabei de ler Ladrão de Cadáveres e o Matador, e com a Lionel Shriver, o sentido da literatura preenchendo o vazio das respostas impossíveis de serem dadas pela vida. O que é a maldade? No meu momento, isto se encaixou bem. Qual a posição adotada pela vítima. Aquele que fecha os olhos para a possibilidade de maldade de pessoas queridas. Cujo desejo de felicidade cega e impede de ver os vazamentos que fazem a possibilidade de felicidade escorrer. Porque alguém te manipula? Porque você deixa. Ponto. Como ser bom e ao mesmo tempo, forte para impedir que manipulem seu sentido de piedade? Não é dificil ser refém. Ter um código de conduta baseado na solidariedade e na compreensão e, ao mesmo tempo, educar aqueles que convivem conosco a nos respeitar, sustentando posições difíceis, que em alguns momentos vai ser necessário desagradar. Não existe unanimidade. Foi este o ponto fraco da mesa com Azar, ela se rendeu ao sionista. Não bancou sua posição. Se sentiu só e quis agradar. Falhou intelectualmente. Que pena! Ela é mais integra que os outros, mas se intimidou. Eu já passei por isso. As vezes a necessidade de aprovação é tão violenta que se volta contra si mesmo. Para aqueles que não tem uma busca, não seria um problema. Mas para quem quer preservar um sentido, sim, é doloroso. Porque, mulheres, ainda que fortes, somos fragéis, temos dúvidas, somos sussetíveis a pressão daqueles que se mostram inflexíveis. Sua verdade aparece mais forte que a nossa, porque ainda não sabemos, estamos na busca. Tiramos nossa força do que acreditamos, mas se temos dúvidas, nossa força é fraca. Falhamos. A falta. A fenda.

Este é o terreno que exploro, hoje. Com a ajuda da literatura e a little help from my friends.

6 comentários:

Edu disse...

Se vocês falham, imagina só a gente... desastre total!!

Linda a Asterisquinha! :-) Cuida bem do seu pezinho!

AD disse...

Na próxima desejo não perder a Flip. Vc me guia?

Beijão!

hellomotta disse...

Textos como esse me deixam com raiva de você. Sabe por que?
Por um acaso você já se inscreveu no Pratas da Casa? A inscrição é até hoje, cabeçuda!

Renato Hemesath disse...

Isso faz todo sentido! há vários momentos em que concluímos não ter total controle de tudo e de estarmos sujeito ao querer do outro e ao controle dele. Desatar-se disso é desafiante :D

Lobo Cinzento disse...

Eita!

Varios amigos meus estavam na FLIP... inclusive uma quse teve um orgasmo após a mesa redonda com o FHC! XD

Gato de Cheshire disse...

Meninas do meu coração.. Deem uma passadinha lá no blog pra ler o post "O grande encontro" ??? Suas opniões são da maior importancia..
Beijokas