domingo, 29 de agosto de 2010

Sorry for your loss

O seriado "6 feet under" mostra a dinâmica de uma família que mora numa funerária e que entende e se dedica a tornar a perda dos outros aceitável.
Impossível não pensar na minha opinão sobre os rituais. Num determinado momento, decidi escrever minha vida numa folha em branco. Peguei convenções e decidi que não tinham sentido e, por isso, não cabiam no destino que queria para mim. Foi assim que casamento, tanto no religioso como no civil, sairam do meu horizonte. O religioso, incoerente para uma ateia. O civil, burocrático para uma romântica. Sem preocupações com o futuro, a estabilidade ou a segurança. O amor não poderia ter regras pre-estabelecidas, nem grades.
Em relação à morte, foi parecido. Num mundo sem Deus, os rituais que envolvem a morte, perdem um pouco o sentido. A saudade jamais poderia ser enquadrada por algo externo. Pertencia a cada um. Diante da perda, nesta minha visão, sobrava apenas a saudade.
Esta rebeldia frente às convenções, principalmente as relacionadas aos sacramentos religiosos, acabou me levando a processos interiores incompletos. Algo como jogar a água do banho fora com o bebê junto. Talvez, por ter sido uma escolha juvenil, eu ainda não sabia o que existia de bom na maioria destas ritos de passagem.
Voltando ao seriado: O que leva o trabalho de restauração de um corpo morto ser um trabalho de arte e caridade com os que ficam? É, dentre outras coisas, a possibilidade de criar uma sensação de despedida, na qual é possível dizer aquilo que precisava ser dito para conseguir elaborar a perda. Por baixo da casca que envolve estas cerimonias, a ritualização cumpre um papel na significação interna dos ganhos e das perdas de um individuo.
Há mais do que a saudade numa perda. Há o desmoronamento de todas as expectativas e fantasias criadas em torno do que foi perdido. Se perde um pouco de si mesmo, do seu futuro, quando se perde alguém.
E é aí que eu entro agora. Sempre tentei encarar as perdas como fatos da vida: e daí que aquilo acabou? O futuro vai ser melhor. E fazia graça com isso:
- O+*, qual foi o seu melhor namorado?
- O próximo!
Nem percebia que eu carregava para dentro da próxima relação as carências da anterior. Com ares de bem resolvida, tentei negar, em cada relacionamento, o anterior.
Há 3 anos tento terminar um relacionamento, mas toda vez que esta separação começa a doer, desisto de por um fim. O contraditório é que dói mesmo assim. A relação dói. A escolha que estou fazendo neste tempo não é não sentir dor, é evitar o buraco do fim. Sofrer, chorar, reclamar, ficar com raiva é mais cômodo do que vivenciar o vazio.
E, contraditoriamente do que eu buscava, isto me aprisiona.
Escrever isso é uma forma de tentar me convencer que desta vez não vou procurar desvios, atalhos ou distrações no meu luto.
Penso que para quem descartou convenções, não vai ser um caminho fácil mesmo. Seria melhor me vestir de preto por 3 meses e ao fim deles, estar novinha em folha. Mas não: vai ser necessário descobrir uma forma nova e particular de atribuir significações rituais nesta passagem. Descartando a religião, isso passa pelo terreno dos direitos.
E o principal deles é estar pronta para ver uma estrela aparecer na manhã de um novo amor!

19 comentários:

AD disse...

O ser humano é ritualístico em sua essência. Os índios não sabiam o português ou da liturgia católica, mas praticavam seus rituais de iniciação e fim. Viver a materialização é parte do aprimoramento abstrato que carregamos.

Bom noite de domingo!

ONG ALERTA disse...

A vida de cada um, paz.
Beijo Lisetet

Caju disse...

SSe precisar de um luto para que as cores façam sentido novamente, por que não?

Rafa disse...

Taxto dú caralho! Putz.. e estas coisas deviam ser mais fáceis... Torcendo aqui. Bj

Paulo Braccini disse...

Sim as coisas deveriam ser mais simples mas sempre temos a tendência de complicá-las ... enfim ... como disse o Caju ... "Se precisar de um luto para q as cores façam sentido novamente ... q venha!

bjux

;-)

Lobo Cinzento disse...

Engraçado.

Esses últimos dias de confusão mental, assistir Six Feet Under serviu justamente para me desconfundir.

Não sei. Não gosto desse rituais que envolvem a morte. Acho higiênico enterrá-los para evitar que o mau-cheio impregne as ruas... mas daí a gastar fortunas, e homenagens, e velório, e enterro, e padre rezando e purificando o corpo...

Beijos o+*!

Wans disse...

Engraçado como certos rituais antigos tb se foram. Não existem mais velórios feitos em casa. Acho que isso aproximava e dava tempo para passarmos por esse processo de morte. Enfim, tudo esta sendo banalizado agora.

bjão!

Lobo Cinzento disse...

Eu também achava cremar o melhor a se fazer... até que descobri que cremar é ultra nature-unfriendly. Invés de deixar a matéria orgânica voltar pro solo, você manda ela toda pro ar...

Fred disse...

Tá. Voltei. E não espalha, mas... foi só por tua causa... hahahaha! Amo-te, minha superhero!!!! Bjos!

Renato Orlandi disse...

Concordo que a morte nos leva e pensar de forma egoísta, pela perda, das expectativas que tínhamos, é Feud puro rs, é a transformação forçada, ao contrário de terminar uma relação, onde precisa de alguma ação... e como é difícil, mas pense, quanto de ti já morreu para tentar fazer isso acontecer? Bjo!

Paulo Braccini disse...

A propósito do Free Love ... linda mesmo ...

Querida O*:

Na verdade o q desejei colocar para reflexão era tão somente isto:

"Deixe de sentimentos complicados
Então não haverá preço a pagar

Apenas amor LIVRE..."

Para se amar verdadeiramente alguém temos q nos amar de forma radical, só assim seremos capazes de amar o outro tal e qual ele o é, de forma plena e total, assim como nós nos amamos ... AMOR não pode ser visto como posse ... este é fator de complicação das relações ... além disto, qdo aprendemos a amar assim, não temos maiores riscos a correr e nem preços altos a pagar ... sei lá ... mais ou menos isto ...

bjux querida

;-)

Fred disse...

Pra vc eu dou todas as joaninhas da terra... e mais a lua! Hahahaha!!!! Valeu, queridona!!! Sedutor? Eu? Me dá disso que tu bebeu, tá? Hahaha! Bjoz!

Rodrigo Teixeira disse...

belíssimo texto, guria.

besos

Guy Franco disse...

Casamento no religioso para uma ateia não faz muito sentido mesmo, nunca tinha pensado nisso. Mas você é uma romântica, e isso também não faz sentido. Recomendo a seguinte equação: sendo r = romantismo, a = ateísmo e c = casamento.

c = x(r²+a)

Sendo x a grande questão.

Fred disse...

Hummmm... trocar o jato invisível por um Fusca-Joaninha?!? Acho um must. Hahahaha! Bjozz!

AD disse...

cadê vc????

Evelyne Freitas disse...

Nosssa! gosto muito de voltar aqui.

AD disse...

tem brincadeirinha no blog para ti, mas é apenas brincadeirinha mesmo, n fica com raiva, hahahahahah. Lembrei dos seus momentos românticos e da minha secura do sexo, hahahahahaha. Bjs!

Fred disse...

Será? Será que Fred vai ganhar da Vaca? I hope so... hehehe!!!! E atualiza essa bagaça, fia! Bjoz! Adoro-te!