sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Comprei um peixe beta para a caçula

E não é que caiu no meu colo uma caixa?
Uma caixa que ficou guardada anos e anos no forro da casa de praia dos meus pais. Aliás, eram várias caixas de livros. Muitos livros apodrecidos já pelo tempo, pela umidade e pelos insetos. Muitos deles eram a sobra da venda da biblioteca comum que construímos eu e o pai da caçula. Sobraram poucos livros importantes e sobreviveram menos. Mas numa das caixas, preservadas, minhas agendas e/ou diários de 1982 a 1991. Na verdade, alguns eram agendas-diários, onde eu anotava e guardava lembranças, entradas de cinema ou shows, matérias de jornais que interessavam à adolescente asterisca. Achei o registro de uma geração. O show do Ira no teatro Ipanema, show do the Cure no Maracanãzinho, o primeiro Rock in Rio. Os filmes do Coppola com Matt Dylon, o favorito Rumble Fish e The outsiders.
Os livros que li. Tudo. As brigas e questionamentos com o primeiro namorado sério. Recomendações para o meu futuro, como por exemplo, fazer Ioga. Encontrei muitas cartas que escrevi para mim mesma, buscando entender o que sentia. Encontrei outras reclamando de que escrever era uma forma de racionalizar e que eu deveria romper com isso e partir para o mundo de peito aberto. E segui este último conselho. E de tanto que confiei, que me f* e fiquei sem escrever por outros tantos anos. Até começar este blog.
A vida tem destas coisas. Justamente no momento que eu me reconcilio com o desbafo escrito através do Blog. No exato momento em que a análise está remexendo minha adolescência para eu conseguir lidar com a adolescência da caçula. No mesmo momento em que retomo a convivência com amigos e o ex-namorado desta época. Neste momento, esta caixa retorna para mim, ajudando a preencher as lacunas de uma mente quixotesca com sequelas causadas pelo excesso de cerveja e fumaça dos anos de batalhas e derrotas...
E é por isso que escrevo. Porque estou me reconciliando com alguém mais cuidadosa e nem por isso, menos corajosa ou confusa, mas que sentia que tinha toda uma vida pela frente para buscar o saber.

3 comentários:

AD disse...

o importante é vc não voltar com essa história de que escrever é perda de tempo.

Escrita é terapia para quem escreve e para o leitor

Lobo Cinzento disse...

E a gente pode continuar escrevendo e enfrentando o mundo de peito aberto. Eu sempre achei o máximo isso de encontrar registros antigos. Fico imaginando como vai ser daqui a 10 anos, quando eu encontrar o registro do uivos, e ver as idéias de fuinha que rondavam a minha cabeça XD.

Beijos o+*

E lembra a caçula que beta é resistente, mas não é imortal! Coloque comida vagarosamente, até ele perder o interesse e troque a água do aquário com regularidade, dependendo do tamanho. Não espere a água ficar suja!

Lord V. disse...

o importante é vc não voltar com essa história de que escrever é perda de tempo.

Escrita é terapia para quem escreve e para o leitor
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RUM!


abraços
voy