segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Close to the edge

Primeiro dia de faculdade. A menina que vinha da escola de freiras, se espanta em ser uma das 6 únicas mulheres numa turma de 60. Acha bonitinho um rapaz com cara de bonzinho, cabelos lisos, short e chinelos andando com uma das outras garotas da sala. Toda vez que encontrava este rapaz, sentia uma coisa esquisita na boca do estomago. Não se sabe bem como, acabaram ficando amigos. Ele tinha todas as inseguranças do mundo. Ela também. Como todos os adolescentes, tinham motivos para isso. Mas ela não gostava de fraqueza e não se deixava abater, ou não demonstrava. E ele acabou virando o melhor amigo do mundo. Se falavam todo dia. Horas no telefone. Frequentavam a casa um do outro. Ele que a pegava e a deixava em casa nas noites de balada. A atração que ela inicialmente sentiu por ele não resistiu. Ele era o amigo bonzinho. Tão bonzinho e tão amigo que ela nunca imaginou que isso um dia pudesse acabar. Até achava que ele era um pouco afim dela, mas ele nunca disse nada e nunca fez nada. Melhor assim, ela não o magoaria. Nunca o magoaria. Até que um dia, uma amiga em comum chama ela para conversar e a esculacha. Diz que ela estava fazendo ele sofrer, que ela sabia do interesse dele e que se fosse andar sempre grudada nele precisava assumi-lo ou então parar de dar esperanças. Pânico. Ela não pensava nele como homem e não queria faze-lo sofrer. Ela vai conversar com ele. Os dois gaguejam, constrangidos ao extremo. Ela, ainda em estado de choque, diz que não o via como namorado. Dois dias depois, ele e a amiga em comum começam a namorar e se afastam dela. A "amiga" começa a virar a cara. Ele fica dividido, mas é proibido pela nova namorada de se aproximar da "bruxa". E tudo o que ele mais queria era uma namorada. Ela não o culpava. Passou meses racionalizando, tentando se convencer que tudo estava bem. Conseguiu se convencer. Não percebia que, num outro plano, a verdade era outra. Foi a primeira perda. A primeira dor. E foi tanta a dor, que ela parou de sentir. Desaprendeu a chorar.
Nunca o culpou. E aceitou sua amizade de volta, toda vez que ele precisou.
Como era jovem e tinha muito a descobrir sobre si mesma e sobre o mundo: foi à luta. Eram tempos animados: teatro, rock, passeatas, rapazes... Ela já tinha perdido mesmo o gosto pela faculdade, então, se jogou no mundo e foi em frente. Se reciclou. Se renovou.
Não mudou tanto assim, pois ainda acredita com todas as suas forças na amizade verdadeira.
Mas a verdade é que em dias como hoje ela se pergunta se outro desfecho para esta história teria sido possível.

7 comentários:

Rodrigo Teixeira disse...

amei. só isso.

Paulo disse...

Vira e mexe me pergunto isso. No quanto uma pequena mudança, um "sim" no lugar de um "não" não mudaria nossa vida por completo...

Gui disse...

Fiquei speechless.

É o luto de cada escolha...

Lobo disse...

Não é bom fazer essas perguntas não o+*... As coisas do jeito que estão, boas ou ruins, somos nós... uma pequena mudança poderia mudar completamente o que seria de nós. Somos quem somos, fizemos o que fizemos, e pensar em como poderia ser diferente abrange tantas possibilidades que ficarmos loucos é o mínimo que pode acontecer.

Um beijo!

Rafa disse...

Querida, a maldade disto é sempre olhar pro passado com a cabeça que temos hoje. A experiência é mesmo um farol que só ilumina pra trás. E isto não deve nos torturar. Bj!

Mulher Asterísco disse...

Mas ainda tenho a sensação de ter sido enganada...fazer o que?
Aprender a ser mais esperta né

Edu disse...

Tenho certeza que você já aprendeu a ser mais esperta, lindona... E se você morasse ou estivesse em SP, claro que o encontro seria num lugar "família"... Sauna mista!! :-)