sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O ENEM

O que está por trás do “escândalo” da prova do ENEM 2010
12 de novembro de 2010

Mais de 3 milhões de pessoas prestaram o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) em 6 e 7 de novembro. A prova é uma avaliação externa que hoje é base para o acesso a cerca de 90 mil vagas nas universidades públicas federais, é a atual prova para jovens e adultos que querem a certificação do Ensino Médio (que equivale ao ainda existente Encceja) e é também o critério para o acesso as bolsas do PROUNI, bolsas nas universidades privadas, financiadas pela isenção de impostos para essas instituições.
O ENEM não resolve o problema do acesso à universidade. Segue sendo um obstáculo ao direito da juventude ter acesso à educação superior, que deveria ser universalizada.
Mas ao mesmo tempo, é mais acessível a milhões de estudantes. Além de grande parte das inscrições serem realizadas através de isenção, o valor é bem menor que os praticados pelas universidades estaduais paulistas, por exemplo, como a USP, Unesp, Unicamp e Fatecs, cujo custo de inscrição nos vestibulares passa de 300 reais. E permite que jovens possam disputar, sem custos de viagens, vagas em universidades em várias partes do país, sendo que antes era obrigado a fazer vários vestibulares diferentes.

Qualidades e problemas
O ENEM possui uma qualidade ao nacionalizar o exame, dando um padrão nacional para o acesso. Ao mesmo tempo, exatamente porque a educação é estadualizada, cria um problema, pois o fato do ensino médio não ser federal faz com que exista um abismo entre a qualidade de ensino nas diferentes regiões do país. Por outro lado, hoje o ENEM já se torna um sistema de ranqueamento das escolas, aprofundando o modelo já existe de cursinhos e escolas de “elite” que focam seus objetivos nos resultados e não no ensino propriamente dito.
É preciso levar em conta que o modelo da prova, focado não em conteúdos (as chamadas disciplinas) mas em competências e habilidades, é incompatível com a educação ensinada nas escolas, onde segue-se o modelo clássico de conteúdo por disciplinas. Já a prova é elaborada de outro modo, o que abre o terreno para os negócios dos cursinhos pré-ENEM. Sobressaem aí as escolas particulares, que combinam as duas coisas.

Os erros nas provas
Nenhum estudante deve ser prejudicado pelos erros da prova.
Erros gráficos no gabarito e num lote de 21 mil provas, segundo o MEC, evidenciam problemas de fundo. E o problema reside no fato das provas serem realizadas por entidades privadas. Tanto o Cespe/UNB quanto a Cesgranrio são fundações privadas, mesmo que vinculadas a instituições públicas. Ao mesmo tempo a prova é impressa por uma gráfica privada. Em ambos os casos, são contratos milionários.
Nesse processo de terceirização, a responsabilidade fica fora das mãos do Estado, o que abre o caminho para todo tipo de erro, manipulações e uso disto contra o serviço público. Fica evidente a necessidade de nacionalizar a execução da prova em todos os níveis diretamente, sem privatizar a impressão e execução da prova.
Por isso é correta a posição da UNE e da UBES de reivindicar a “a criação de um Instituto Federal que será o responsável pela aplicação das provas do ENEM.” É o caminho para a necessidade de estatização desse exame nacional.
Claro que essa é apenas parte da luta pela universalização do ensino, condição verdadeira para acabar com todas as cercas que restringem o acesso ao ensino superior para a maioria da juventude brasileira.

Por outro lado, é preciso se delimitar da imprensa, apoiada por setores dos tubarões do ensino privado que estão transformando isso em uma trincheira para atacar o MEC, para na verdade tentar fazer uma espécie de terceiro turno das eleições que acabaram de acontecer.

Manoel Leite, Santo André (SP)
http://www.juventuderevolucao.org/index.php?option=com_content&task=view&id=875

8 comentários:

Visão disse...

A ideia da UNE e da UBES é boa, mas alguém acredita qeu eles farão algo que dificulte a justificativa de gastos públicos? Acho que não.

hellomotta disse...

Enquanto tiver tubarão querendo engolir o ENEM vivo, minha dor de cabeça só continua.

Júlio César Vanelis disse...

Perfeito, sem tirar nem por... Pra mim, toda transição é complicada, ainda mais quando se trata de um país com quase 200 milhões de habitantes. A Universalização do ensino superior já está deixando de ser um sonho, no entanto até 2 anos atrás estávamos bem longe disso. Para que a transição não gere maiores problemas é fundamental que ela seja gradual, e é exatamente o que está sendo feito com o ENEM. A estatização do exame pode ser o próximo passo, e vamos esperar ansiosos por ele...

Até o próximo post

Edu disse...

Ótimo texto de esclarecimento! Eu estava um tanto por fora do assunto e agora já posso argumentar com uns imbecis de plantão. Beijo!!!

Pimenta disse...

Eu sou a favor,como já disse, é o primeiro passo para melhorar a nossa educação, que vamos combinar, é tudo que precisamos.
bjo

Lobo disse...

Estou um pouco por fora.

O que foi resolvido do ENEM afinal de contas?

Um beijo o+*

Caju disse...

Nenhum processo seletivo é 100% perfeito. E cobrar perfeição de uma prova com mais de 4 milhões de participantes em sua segunda edição é um pouco de exagero. Claro, são erros inadmissíveis, mas o que a grande imprensa faz é apenas demonizar uma iniciativa interessante.

Autor disse...

Fico pensando se o ENEM um dia vai cumprir o seu propósito original ou se continuará essa palhaçada dos últimos anos.