sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O que fica

Vivi muitas coisas. Muitas histórias de amor. Muitas fases. Grupos de amigos diferentes. Escolas, empregos...

Este ano, penso eu - que vejo sinais em tudo - que , em função da análise, os pedaços da minha vida começaram a voltar para mim e chegaram das mais diversas formas. Um grupo de amigos da juventude que está se reconstruindo; minha caixa de coisas, fotos e diários da adolescência que caiu no meu colo; as ex-colegas de colégio que ficam brincando o dia inteiro no facebook...O significado de cada uma destas reconciliações com o passado mereceria vários posts, mas não é sobre elas que voi escrever hoje. É sobre o mais surpreendente. Sobre o pai da caçula. E olha que na entrevista que dei ao Gato eu tinha dúvidas se algum dia postaria sobre ele...

8 anos se passaram desde o fim de nosso relacionamento. Foram anos em que fui odiada, ameaçada e acusada injustamente de muita coisa. Nestes anos, minha filha não teve um pai amoroso e cuidadoso. E eu perdi mais do que o meu ideal de família, perdi o meu amigo. Nunca funcionamos como homem e mulher, mas eu achava que um dia isto se ajeitaria, afinal era dele os meus sonhos de criança.
Lembro duma noite, na janela, eu conversava com uma amiga e comecei a pedir para a Lua. Pedi como eu queria que fosse o meu próximo namorado. Dois meses depois ele tocou a campainha de minha casa. E ele tinha tudo o que eu tinha pedido. Eu acreditei com todas as células do meu corpo que o homem dos meus sonhos tinha chegado em minha vida. Não foi a toa que engravidei no primeiro dia em que transamos. Eu não tinha dúvidas nem medo.
A vida com ele não foi fácil. Ele tinha problemas. Um ciúmes e uma insegurança doentia. E me maltratava por isso, mas chorava e se arrependia depois. Eu tinha pena e sonhos. Acreditava que meu amor conseguiria curá-lo. Eu adoeci e ele não se curou. Mergulhei na loucura dele, me deixei arrastar. Quando já não sobrava muita coisa de mim, fui embora para tentar , ao menos, salvar alguma coisa de mim para mostrar para a minha filha. Nos separamos, mas continuamos amigos.
Um ano depois, tudo mudou. Ele decidiu se tornar meu inimigo, me ameaçava, caluniava, acusava injustamente, gritava, torturava psicologicamente, se afastava de nossa filha... numa escalada cada vez mais violenta.
Passei os primeiros meses desta guinada dele sem entender nada, chocada, paralisada e aflita. Sofri muito. Sofri por mim. Por eu não merecer isto. Sofri pela minha filha, que merecia ainda menos. Sofri por ele despedaçar meus sonhos de família e de amizade.
Quando comecei a me recompor, dediquei a ele uma música que nunca enviei:

MILHAS E MILHAS

http://www.youtube.com/watch?v=3Xk68BS6Z84

IRA!

Composição: Gaspa/ Edgard Scandurra/ Nasi/ Mauro Motoki

As lágrimas que correm no seu rosto agora
Escondem a indiferença que sentias por mim
A vingança não existe em meu coração
Mas não te quero mais
Sei que você espera um dia voltar pra mim
Sei também que seu jeito é irresistível sim
Vou ser claro nessa canção que fiz
Não te quero mais

Estou milhas e milhas distante
No solo lunar
À procura incessante de um novo olhar

E os dias vão passando e eu me sinto bem assim
A solidão em fim não é tão ruim
Eu espero que sejas feliz

Não te quero mais

Estou milhas e milhas distante
No solo lunar
À procura incessante
De um novo olhar


Ficamos anos sem nos falar. Não era possível. A Caçula pagou o preço. Ano passado, em função de problemas com ela, tentei uma reaproximação para tratar das questões dela, mas nem isso foi possível. A agressão continuava.
Há umas 3 semanas, depois de uma conversa amigavel pelo telefone, na qual ele disse que estava muito deprimido e tomando remédios, ele decidiu se confessar para mim, confessar sua dor e aquilo que ele chama de amor. Estabeleci um limite para nossas conversas: apenas sobre a Caçula. Ele tem tentado ultrapassar este limite e chegou a ligar mais de 10 vezes por dia. Estou firme no propósito de colocar um limite claro neste relacionamento. Ele ainda não conseguiu entender que se ele tem uma questão comigo esta questão é só dele e não minha. Tenho um pouco de medo, pois ele não reage normalmente às frustrações, mas a única coisa que posso fazer é ser firme. Gentil, quando possível, mas firme.
Ainda tenho pena pelo que ele se tornou e pelos sonhos sobre nós que não se realizaram, mas se há 5 anos eu já estava a milhas de distância, ainda não voltei de lá e, certamente, estou a procura incessante de um novo olhar.

O que fica é o tempo tal qual uma costureira remendando os retalhos e fragmentos de uma vida e conseguindo construir um todo coerente e harmonioso. E este todo sou eu: inteira!
Gracias a la vida!

9 comentários:

AD disse...

Sucesso para tu nesta luta! Abração!

Rafa disse...

Que lindo este post! Dá pra sentir mesmo o abismo que é amar e as mdanças todas do que foi um dia tão especial.. parabéns pela força. E mais força aí! Bj

Pimenta disse...

Caraca, não é fácil, força, e cuidado.
As vezes a gente espera que a cura venha para todos, mas na verdade, só vem para quem percebe sua doença e desejka ser curado.
Vou rezando por vocês daqui, e emanando todo amor possível.
bjo

Lobo disse...

Depois que rasga, quando costura, nunca fica igual.

Ainda bem.

É ao olhar as falhas que nos damos conta que por mais que esteja inteiro, não está igual. Nunca será igual. E sempre que olharmos aquela costura, vamos nos lembrar disso.

Fica bem. Espero que tudo dê certo no fim.

Um beijo o+*!

Gui disse...

Olha, o pior de ler esses posts é que a gente fica profundamente tocando e...impotente.

Não dá pra remendar pessoas, nem costurá-las de novo. O máximo que podemos fazer e tentar avaliar qual o momento mais adequado pra ter um ou outro determinado tipo de relação.

De qualquer forma, se um dia eu puder ajudar, de qualquer maneira, estou ao seu dispor.

Beijos

Mulher Asterísco disse...

Pois eu acho patchwork lindo!

Edu disse...

Patchwork é lindo sim. E de repente fica mais lindo que o original. Mas requer talento, do costireiro e do tecido. Tomara que o "tecido" aí tomeum tempo pra se recompor, se tratar, se curar. E que entenda que ser amigo, seu e principalmente da filhota, é o mais importante. Boa sorte e conte conosco!

hellomotta disse...

Quando você me conta essas histórias, eu fico de queixo caído.
COMO é possível?

Queria ter sua firmeza. Só isso!

Dois Perdidos na Noite disse...

Deu pra sentir cada emoção descrita no post... muito humano! O amor faz cada coisa conosco, mas ainda vale muito a pena viver por causa dele!