quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A vida não é filme, você não entendeu

Ler "Precisamos falar sobre Kevin" causou em mim uma mistura imensa de emoções, uma delas, curiosamente, foi o alívio. Pela primeira vez, eu estava lendo algo sobre a maternidade que tirava desta condição a glamurização da abnegação e colocava neste papel uma mulher com contradições, dúvidas e erros. Não os erros de uma perdida na vida, sem critérios, mas de uma mulher inteligente com capacidade de refletir sobre si e sobre o mundo, com capacidade de amar mas ainda assim atormentada pelas dificuldades em ser mãe, e, principalmentel, em ser mãe de um determinado filho.
Basta ouvir a palavra "maternidade" que já me aparecem na cabeça cenas de uma mãe contando histórias, cobrindo seus filhos na hora de dormir, estudando junto e brincando sempre com um sorriso de alegria. Para mim, não foi assim. Não me alegrava com o simples fato de ter um bebê no colo. Não acho bebês adoráveis em geral. A minha filha foi um bebê adorável. Mas eu não a adorava porque ter ela ali era a coroação dos meus sonhos de mãe, não por isso.
Quando engravidei, eu estava naquela fase em que os hormonios femininos começam a fazer a contagem regressiva do tempo que ainda tem para enfrentar com saúde uma gestação. Foi minha primeira gravidez. A urgência do corpo prevaleceu.
A primeira e mais estranha sensação foi me dar de cara com um rosto desconhecido na minha frente e com o imperativo estar apaixonada por ele. Eu amava a minha barriga, mas não conhecia ainda aquela nova pessoa que estava no meu colo. O fato de ser minha não era suficiente para fazer magia. Nunca a vi como o depositório dos meus sonhos, mas como uma pessoa. Falando assim parece que está certo, mas não. Esta condição instaurou uma falta em nosso relacionamento. Aquela projeção inicial meio maluca que as mulheres fazem sobre seus filhos determina a forma que a criança se inscreve no desejo da mãe e, por isso, cria um laço importante e também, atávico, que aos poucos a criança vai tentando desfazer. Comigo, o laço não veio pronto, foi construído. Ser mãe não era um sonho realizado, era um trabalho para o qual eu me sentia pouco apta e muito insegura. Mas eu ainda achava que nós duas íriamos descobrir um jeito. A convivência insuportável com o pai dela e suas acusações só foi tornando tudo mais dificil. Aquele dedo apontado para mim 24 horas por dia mostrando defeitos que eu tinha e que eu não tinha, acabaram amplificando a minha insegurança como mãe. Eu levei um tempo para conseguir me desvencilhar deste relacionamento e muito mais tempo para conseguir superar os seus efeitos sobre a imagem que faço de mim mesma. E ela estava no meio disso tudo, indefesa e desejante.
Nós duas, aos trancos e barrancos, estamos conseguindo dar um jeito nisso tudo. Foi o amor dela que me estendeu a mão para eu sair daquela situação e é o amor dela que me faz querer melhorar. Não são palavras apenas, é um aprendizado constante e para o qual descubro cada vez mais disposição e energia.
Uma coisa que não mudou é eu ainda me sentir desconfortável com toda mitificação da maternidade, porque o que honestamente sinto é que não sou "MÃE" no geral. Ela só me ensinou a ser mãe dela. E tem sido a minha jornada mais dificil, bonita e, também, a mais poderosa.

Obrigada, filha!
E não pense que eu não irei ainda muitas vezes ao seu quarto quando escurecer saber o que passa no seu coração e se o que você faz é certo ou não...

16 comentários:

Edu disse...

Caramba, acho que nunca li uma declaração de amor mais linda!

Ana Wants Revenge disse...

bom dia lindezas!
ammmeeeeei o post. :)

vou procurar esse livro pra presentear minha irmã, mãe de uma bebezona de 7 meses gordissima linda. :)

espero ser mãe logo, quero muito. na verdade se tivesse mais grana teria uns 3, acho.

beijos
.
.
.

Rafa disse...

Que lindo texto. Não existe maternidade pronta como se fosse un instinto natural, como se bastasse apertar o botão. A gente aprende a ser mãe, a ser filho, a ser gente, não é mesmo?

Parabéns

Bj

hellomotta disse...

"Caramba, acho que nunca li uma declaração de amor mais linda!" [2]

Eu gosto quando se sente bem assim. Gosto mesmo!

Sac do Amor disse...

Passando pra desejar uma otima semana!

Bjuuu

Lobo disse...

Nossa, é difícil ter algo pra falar depois que um coração é exposto dessa forma. Acho que mais que "uau!" é muito difícil!

E sim, fertilidade faz parte das atribuições do ano do coelho XD.

Um beijo O+*! E um beijo na caçula tb!

S.A.M disse...

Poxa, faz tanto tempo que não passo aqui e logo de presente um de seus melhores posts!

Parabens!

Lindo, lindo de se ler.... ^^

Fred disse...

Tô todo molhado aqui. sua ordinária!!!!!
Lindo!
Arrebatador, eu diria!
Amo-te!!!!

Fred disse...

E sim, sou podre de chic!

Renato Hemesath disse...

Que declaração linda! parabéns, de verdade, pela sinceridade, evidentemente, mas também pela coragem em representar em palavras parte de uma história tão singular. Beijos

Fred disse...

UPDATE: Nunca mais faço post em sua homenagem, tá.
Me retiro - indignado.
Hahahahahahahahahahahahahaha!!!!
Diva asterística: EXCELENTE FDS pra vcs!!!!
Bjozzzz!

Autor disse...

Que vontade de ler esse livro e que ódio de vc de acrescentar mais uma coisa na minha lista de To Do, hehehe
Bjos

Fred disse...

Ah... mas eu vou cobrar esse suflê de queijo... pode ter certeza disso! E deixa de onda e faz o testezinho... é divertido. Juro! Bjundaaaasssss!!!!

Fred disse...

E CADÊ textos de HELLOMOTTA????
Bjo pra ela!!!!!

Paulo disse...

Ai, ai, ai... que lindoooo!

To numa fase "maternal"... sei não, mas quero ter filhos!!

Ana Wants Revenge disse...

:***
.
.
.