terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Cineminha de domingo: Margin Call








Prosperidade. Pais comprando mais de um presente de natal para cada filho, dando um upgrade nas casas, modernizando os eletrodomésticos. Não vi isto em estatísticas. Foi empírico. Crédito fácil e barato. Povo com emprego e dinheiro. Comprando. Quem está passando por isso tem dificuldades em lembrar do alcance e da profundidade da crise de 2008 para o mundo contemporâneo.

O dia antes do fim é sobre as vésperas desta crise. É sobre o momento em que uma firma de investimentos "devoradora de seres humanos" descobre que tudo o que ela possui já se volatilizou e decide colocar a venda nas primeiras horas do dia seguinte papeis que não valem mais nada. Não tem mais nada na história. Não tem idas. Não tem vindas. Sem surpresas. A inexoravel marcha do dinheiro rumo ao dinheiro. E dos homens e mulheres que vivem neste ambiente para permanecerem...vivos. Da forma que cada um deles entende por ficar vivo. Bom de assistir. Ruim o pós filme. Pior ainda é pensar que provavelmente a realidade não foi nem um pouco melhor que a história do filme.

Tem uma hora que o personagem de Zachary Quinto, que foi quem descobriu o rombo, é perguntado sobre sua formação pelo todo poderoso da Firma, Tuld ( Jeremy Irons). Quando ele responde que é cientista de propulsão aeroespacial, o outro fica intrigado se ele não estava fora de sua área, ao que ele responde que é tudo ciência, só mudam as variáveis ( e o salário, é claro). Aqueles cidadãos que atualmente se manifestam ocupando Wall Street e causam inquietação, por sua vez, estão demonstrando, na prática, que tudo é mesmo ciência e, neste caso, postulados científicos simples como a 3ª Lei de Newton se encaixam perfeitamente. Afinal, a toda ação calhorda desmedida também acaba correspondendo a uma reação.

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