segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Teu aniversário

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As mesmas pessoas, amigos teus, que tenho visto nos teus aniversários. Alguns mais próximos também, os mais antigos. O restaurante legal, comida boa, ambiente bom. Você, provavelmente, não o escolheria para comemorar teu aniversário por causa do preço. Mas era o dia do teu aniversário, e o almoço, depois do teu enterro.
Nem tinha te ligado ainda para saber o que você ia querer fazer este ano. Queria ter ligado. Imagino que você quis se dar de presente uma excessão, um refresco no meio da batalha pelo novo emprego, um vôo, livre...num lindo por de sol de verão carioca. Você iria relaxar. Na semana do teu aniversário, era merecido.
Imagino mil coisas. Que o desejo de voar era tão grande que não deu importância a sinais de alerta, às reclamações do corpo, cansado de carregar o parapente na trilha da Gávea.  Fico tentando imaginar o instante em que tomou as decisões erradas: Não desistir da trilha e buscar socorro. Disciplina, determinação?

Estava pensando em te ligar também para te atualizar das novidades e contar dos progressos que vinha fazendo. Era você quem vinha se interessando e me ajudando a estabelecer prioridades e prazos nas soluções dos problemas. Então, apesar de não falar sempre com você, eu mantinha com você um diálogo mental diário. E a janela do teu apartamento fazia parte da minha paisagem cotidiana na ida para o trabalho. As coisas que você me ensinou também; como mudar a marcha quando a rotação estivesse em torno de 3000.
Você tinha sido escolhido para ser aquele que ouviria minhas aflições nos momentos em que a ausência de um pai para minha filha se tornasse um fardo pesado demais. E estava sempre à disposição para isso. Quando eu disse que não aguentava mais perder meus amigos homens para suas namoradas ciumentas, você me disse que nunca se afastaria. E me ensinou a pedir ajuda.
Pelo menos você não partiu sem eu  mostrar que conseguia te enxergar por trás da aparente frieza. E conseguia.Quando o Maurinho disse que você ia levar uma amiga, Luna, para a Fazenda, eu sabia, sem ninguém me dizer, que ele tinha entendido mal e que você iria levar a Lua, a Golden da Moniquinha.  Nunca vi teus olhos brilharem por mulher nenhuma tanto quanto pela Lua. E ela te seguia, brincando feliz e balançando o rabo por todos os cantos. As crianças também. E eu admirava esta capacidade de se apegar aos animais e filhos dos outros como se fossem teus. Era este mesmo despreendimento que me impressionava quando você saia de casa sem trancar a porta para que os amigos que precisassem pudessem entrar. Você era capaz disso. O único que conheci assim.

Fico triste por você, pelos filhos que não teve. E porque este medo te afastou das mulheres que te amaram. Principalmente, porque você não teve tempo de consertar isto quando percebeu que poderia.


Fico triste porque na minha caixa de e-mails não vão chegar mais descrições de aventuras do outro lado do mundo nem fotografias tiradas do céu.
 Fico triste pela falta que tua amizade já começou a fazer.


"Não fala besteira, tá todo mundo te olhando"

Um comentário:

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

Dizer o que aqui e agora ... q ele descanse em paz e que vc fique bem ...

beijão