sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Nimphomaniac e eu

Escrevendo sob impacto de um filme que me tocou. Não tenho visto filmes por um longo tempo. Para mim filmes são para serem sentidos. Não me preocupo com detalhes técnicos, além daqueles que atrapalhem uma história de ser contada. Esta história foi contada. É perfeita como obra de arte.
Joe, como eu, queria mais do amanhecer do que estava a disposição. Transformou seu medo em agressividade. Rebelou-se. Encontrou um mundo que não estava disposto a dar nada para ela se ela não se enquadrasse. Preferiu a dor à mentira dos papeis socialmente esperados. Um filme moralista? Sim.  (spoilers) Sem final feliz. Mas uma moral que vai além. Ela sobrevive. Como uma arvore distorcida no deserto. Quem é realmente condenada é uma sociedade hipócrita que esconde sua falta de moral e empatia atrás de discursos racionalizados. Uma sociedade psicopata.
Diferente de Joe, acredito no amor. Porque acredito em mentiras. E começo a aceitar que eu tenho o direito de mentir. Porque é melhor fantasiar a vida e transformá-la num eterno carnaval. Inofensivas  mentiras podem até preencher um vazio de comunicação e levarem a uma entrega maior que é capaz de fazer o que existe de mais verdadeiro em cada ser humano aparecer. Ainda me espanto com este mundo novo que estou aprendendo a aceitar. Me espanto comigo dizendo tantos sims. E me regozijo. Há muito mais metaforas, histórias e fantasias do que a brutal realidade neste novo caminho que começo a percorrer e inventar. Para os inadequados há salvação na imaginação e na arte.


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