sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

8 de março- centenário de Maria Bonita



Eu gostei desta terra. Terra de mulheres pequenas, rostos redondos e morenos, mas com um brilho de desafio no olhar. Este post é em homenagem a elas. Todas elas dentre as quais houve uma pioneira. A primeira mulher no cangaço. Coincidencia seu aniversário cair na data em que todas as mulheres do mundo reivindicam as suas próprias lutas. Talvez não seja coincidência, mas sina.

Acabei de chegar de uma viagem pelo sertão, mais precisamente, pelas águas do sertão. Tomei banho no novo leito do Rio São Francisco que ocupou um vale rochoso, cemitério de tribos ancestrais e cujas grutas abrigaram cangaceiros e emboscadas à pouco tempo. Um pedaço espetacular de nosso planeta. Onde se vêem nas rochas cicatrizes de outras eras.

Os guias disseram que aquela gruta na qual chegamos de canoa tinha sido o local da emboscada que derrotou Lampião e Maria Bonita. Não importam para mim neste post a fidelidade aos fatos, mas às lembranças. E lembranças são miticas. Porque tem gente que gosta de atribuir significado á elas. E, com certeza, há muito significado a ser atribuido à uma mulher que fez do amor o seu destino, e lutou lado a lado com o seu companheiro de armas e de vida. E, assim, ousou desafiar a lei, a ordem e o que se espera de uma mulher. Não viveu até os 100 anos para nos contar sua história. É uma pena. Queria eu poder sentar no chão, encostada em uma cadeira de palha, tomando uma umbuzada enquanto ouvia histórias de como as outras mulheres foram entrando no cangaço, sobre o que aconteceu que levou um movimento de resistência a se corromper e outras tantas histórias que - no fundo- são as mesmas que vivo, em outros cenários.

Para além de toda institucionalização do 8 de março, acontecem momentos como este, nos quais eu me sinto parente de Maria Bonita, Frida Kahlo, Domitila Barrios, Anita Garibaldi e de todas aquelas mulheres que tentam passar para suas filhas e netas um pouco da sabedoria que adquiriram na dificil luta que é se tornar mulher.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

QUEM UM DIA IRÁ DIZER QUE NÃO EXISTE RAZÃO NAS COISAS FEITAS PELO CORAÇÃO

Em algum lugar de sua memória poetica, ele tinha se instalado de calças largas e cabelo esvoaçante. Parecia saído de um passado possível mas que ela não tinha vivido. Por isso a sensação de reconhecimento daquela beleza de maluco que achava que ele tinha.

Ela se prende à imagens, procura um enredo pelo qual se apaixone. É uma romantica. Não do tipo comum que sonha com flores e festas brancas. Mas do tipo literario. Ela imagina que é a protagonista de um Romance e fica buscando bons enredos para preencher suas páginas.

Sabe-se lá porque que ficou parada em algum lugar entre Dumas ou Austen, mas convenhamos que já está na hora de se atualizar.

Por algum motivo ela acreditou que ele também se via protagonizando uma história. Ela realmente gostava de acreditar.
E por um mesmo motivo, ela tinha colocado ele neste lugar de possível heroi. Coisa dela.

Na verdade, era este o seu problema. Buscando heróis, não tinha conseguido amar de verdade. Também, de carne e osso, a maioria dos amores reais eram por demais banais para merecerem virar um livro. Buscando heróis, ela construiu nela mesma aquilo pelo qual se apaixonaria. Ela só custava um pouco a perceber que ela já tinha tudo o que buscava em alguém especial. Mas estes momentos existiam e neles, ela sabia que se parasse a busca, encontraria o amor. Talvez o amor já até estivesse ao seu lado.

Ele era uma das últimas trincheiras nas quais sua projeção romantica se escondia. Ele a desejava também. E ele a enrolou por anos. Ela adorou isto. Até que, coisa dela também, pagou para ver. Escolheu a hora e o lugar. Mas algo dele não compareceu. Ele não levou seu beijo mais gostoso. Ela até acredita que ele tenha um beijo mais gostoso. Mas ela não tinha tempo para procurar, o amor de verdade a esperava.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Mais uma tarefa para a Mulher Asterisco

NOTA À IMPRENSA

Preocupada com a onda de blogcídios, O+* resolveu se investir dos superpoderes a ela conferidos por sua eterna mentora Vaca Jersey e dar um ponto final nesta praga que assola blogsville.

Sua ida aos Pampas, para visitar o terreno sagrado da bovina, foi abortada em função do drama que está tomando conta da filial sergipana de blogsville. Depois do Cesto de Caju ter declarado falência, foi a vez de AD ameaçar apertar o botão de excluir.

O+* não poderia se eximir de sua responsabilidade de super-heroina master de blogsville e aterriza em AJU dia 23. Os malfeitores que se cuidem! Em defesa de Blogsville, contra os blogcídios, O+* rides again!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Edited#2

1-Três palavras que melhor me definem:

querer saber(podem ser duas palavras?)

2-Três pessoas importantes:

Os 3 que moram comigo

3-Três objetos que você encontrará no meu quarto:

Cama, sapatos e bolsas

4. Três coisas que não sei fazer:

Bolo ( os meus sempre solam), mentir bem e ganhar dinheiro

5. Três coisas que faço bem:

Dar conselhos, falar em público e beijar

6. Três coisas que eu detesto:

Intriga, injustiça e carne de soja (mas, ainda assim, eu me esforço)

7. Três sentimentos:

Amor, amizade, solidariedade e fé

8. Três músicas:

QUE AS CRIANÇAS CANTEM LIVRES, LANTERNA DOS AFOGADOS e DOG DAYS ARE OVER

9. Três comidas:

GRANA PADANO, FAROFA, LEITE CONDENSADO COZIDO

10. Três bebidas:

CAIPIROSKA, COCA ZERO e CHOP

11. Três amigos:

meio injusta esta

12. Três cores:

VERMELHO, BRANCO e PRETO

13. Três fotos

EU DE BATE-BOLA AOS 12

BRUNA DE BRAÇO QUEBRADO NA FRENTE DO ESPELHO

A 3X4 DO CRACHÁ

14.Três lugares:

Minha cama, meu carro e o mundo inteiro

15. Três gestos:

;-)

XD

:-P

16. Três datas:

09/05/1997

15/12/2006

AMANHÃ

17. Três coisas que eu nunca faria:

DIETA DA PROTEINA;

ADOTAR UM ESTILO DE VIDA SEM INTERNET;

PRENDER A RESPIRAÇÃO ATÉ MORRER.

18. Três pessoas que marcaram minha vida:

JESUS CRISTO, TROTSKI E FREUD, NESTA ORDEM.

19. Três filmes

O SELVAGEM DA MOTOCICLETA

O segredo dos seus olhos

Elsa e Fred

20. Três coisas que vou fazer antes de morrer:

VISITAR O GRAND CANYON DE CARRO OU MOTO

SER FELIZ NO AMOR

21. Três coisas erradas que eu já fiz:

Casar

Me culpar

Voltar a fumar

22. Três animais:

aves, peixes e carnes, ao ponto.

23. Três personagens:

Mulher asterisco

Vaca Jersey

Frodo

24. Três coisas que fazem meu dia feliz:

O SORRISO DA BRUNA

DANÇAR

SEXO (mas só sexo bom)

25. Três coisas que me fazem chorar:

INJUSTIÇA

AS LOJAS DE ROUPAS COM MANEQUINS G QUE SÃO P

NÃO CONSEGUIR DAR CONTA DE TUDO O QUE ESTÁ SOB MINHA RESPONSABILIDADE

26. Três coisas que eu fiz nas ultimas 24h:

Respondi este questionário, peguei meu carro no conserto e consertei o roteador

27. Três abençoados para participar da brincadeira:

Hellomotta e Julio Cesar Vanellis

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A vida não é filme, você não entendeu

Ler "Precisamos falar sobre Kevin" causou em mim uma mistura imensa de emoções, uma delas, curiosamente, foi o alívio. Pela primeira vez, eu estava lendo algo sobre a maternidade que tirava desta condição a glamurização da abnegação e colocava neste papel uma mulher com contradições, dúvidas e erros. Não os erros de uma perdida na vida, sem critérios, mas de uma mulher inteligente com capacidade de refletir sobre si e sobre o mundo, com capacidade de amar mas ainda assim atormentada pelas dificuldades em ser mãe, e, principalmentel, em ser mãe de um determinado filho.
Basta ouvir a palavra "maternidade" que já me aparecem na cabeça cenas de uma mãe contando histórias, cobrindo seus filhos na hora de dormir, estudando junto e brincando sempre com um sorriso de alegria. Para mim, não foi assim. Não me alegrava com o simples fato de ter um bebê no colo. Não acho bebês adoráveis em geral. A minha filha foi um bebê adorável. Mas eu não a adorava porque ter ela ali era a coroação dos meus sonhos de mãe, não por isso.
Quando engravidei, eu estava naquela fase em que os hormonios femininos começam a fazer a contagem regressiva do tempo que ainda tem para enfrentar com saúde uma gestação. Foi minha primeira gravidez. A urgência do corpo prevaleceu.
A primeira e mais estranha sensação foi me dar de cara com um rosto desconhecido na minha frente e com o imperativo estar apaixonada por ele. Eu amava a minha barriga, mas não conhecia ainda aquela nova pessoa que estava no meu colo. O fato de ser minha não era suficiente para fazer magia. Nunca a vi como o depositório dos meus sonhos, mas como uma pessoa. Falando assim parece que está certo, mas não. Esta condição instaurou uma falta em nosso relacionamento. Aquela projeção inicial meio maluca que as mulheres fazem sobre seus filhos determina a forma que a criança se inscreve no desejo da mãe e, por isso, cria um laço importante e também, atávico, que aos poucos a criança vai tentando desfazer. Comigo, o laço não veio pronto, foi construído. Ser mãe não era um sonho realizado, era um trabalho para o qual eu me sentia pouco apta e muito insegura. Mas eu ainda achava que nós duas íriamos descobrir um jeito. A convivência insuportável com o pai dela e suas acusações só foi tornando tudo mais dificil. Aquele dedo apontado para mim 24 horas por dia mostrando defeitos que eu tinha e que eu não tinha, acabaram amplificando a minha insegurança como mãe. Eu levei um tempo para conseguir me desvencilhar deste relacionamento e muito mais tempo para conseguir superar os seus efeitos sobre a imagem que faço de mim mesma. E ela estava no meio disso tudo, indefesa e desejante.
Nós duas, aos trancos e barrancos, estamos conseguindo dar um jeito nisso tudo. Foi o amor dela que me estendeu a mão para eu sair daquela situação e é o amor dela que me faz querer melhorar. Não são palavras apenas, é um aprendizado constante e para o qual descubro cada vez mais disposição e energia.
Uma coisa que não mudou é eu ainda me sentir desconfortável com toda mitificação da maternidade, porque o que honestamente sinto é que não sou "MÃE" no geral. Ela só me ensinou a ser mãe dela. E tem sido a minha jornada mais dificil, bonita e, também, a mais poderosa.

Obrigada, filha!
E não pense que eu não irei ainda muitas vezes ao seu quarto quando escurecer saber o que passa no seu coração e se o que você faz é certo ou não...