quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Triste

É melhor ser alegre que ser triste. Eu deveria estar alegre, então. Porque é melhor. Eu devo sempre fazer o que é o melhor. O que é certo. Mas vi você hoje. Tão perto teu cheiro e teu gosto e tão longe tua alma. Sinto saudades de tudo que eu queria viver com você. E tento fingir que não entendo que você não tem. Busco desculpas. Digo para mim mesma que você não assume seus sentimentos, que tem medo. Porque a verdade é que eu acredito no que quero e não na verdade. Eu não lembro de ter sido sempre assim. Não sei qual foi a pilula de pirlimpimpim que tomei e quando foi que comecei a acreditar nos meus desejos, mesmo se a realidade os contradiz. Esta semana percebi que faço isso sem perceber. E me estrepo, invariavelmente. E fiquei triste. Triste com a sina de Franklin, o pai de Kevin. Punido por arredondar a realidade, pois o seu desejo de felicidade era tão grande que ele forçava a visão para ver o que não existia ou deixar de ver o que mancharia sua idealização. Estou aqui me sentindo só. A euforia dos presentes de Natal passou e estou aqui só comigo. Só. Gosto de ficar sozinha, ter um tempo só para mim. Mas não é isto. Estou mesmo só. Muito só. Porque não tenho o teu amor. Amor.

2011: Use a cor certa na noite de Reveillon

2011: Use a cor certa na noite de Reveillon

Traga para a noite de Reveillon e para o primeiro dia do Ano a sua cor. Impulsione a sua energia em 2011 com a cor indicada. Ela é totalmente individual pois depende da data em que você faz aniversário.

Para saber a cor que você deve usar na noite de Reveillon some o dia de seu aniversário, + o mês do seu aniversário e + o número 5 (todas as pessoas devem somar o número 5 ao dia e mês de aniversário).

Exemplo: se você fez aniversário em 27 de Agosto :
27+ 8+ 5= 40 4+0=4
Sua energia para a noite de Reveillon é 4

Exemplo 2: se você fez aniversário em 10 de Março :
10 +3+5 = 18 1+8=9
Sua energia para a noite de Reveillon é 9


Consulte abaixo o seu número para saber a cor a ser usada e qual é a sua energia para a entrada no Ano Novo 2011:

Número 1
Muito decidido você está cheio de idéias para fazer um grande movimento em sua vida. Dinamismo é o que não falta a você em uma noite como esta. Por isso você está muito a fim de fazer uma lista de desejos e proposições para 2011.
A melhor maneira para você passar a sua noite de Réveillon é investindo em si mesmo, valorizando as suas necessidades e desejos. Pense em uma maneira original de fazer a festa: pode ser à fantasia, ou uma primeira vez de qualquer coisa. Pode ser para estrear a casa nova, ou em um lugar que sempre desejou conhecer. Não é preciso estar com muita gente. O importante é que você realize o seu sonho.
Use a cor vermelho em um acessório ou roupa nesta noite de Réveillon. Ela trará todo o impulso necessário para rumar em direção à independência e realização no ano de 2011.


Número 2
Compartilhar os momentos de alegria na noite de Réveillon é o mais importante para você. Ter alguém com quem brindar, trocar confidências, abraçar, é seu mais profundo desejo.
A melhor maneira para você passar a noite de Réveillon é com os amigos ou então com sua “cara metade”. Você estará bastante sensível e precisa do apoio e da companhia do outro. Sua energia é de amizade e amor. Passe a noite de Réveillon juntinho, não importa o lugar. A dois em casa, a dois no restaurante, a dois no hotel, a dois...
Use a cor laranja para favorecer o calor, a comunicação e a espontaneidade nessa noite e assim você irá receber o ano novo com atitude de criatividade e entusiasmo.


Número 3:
Esta é uma noite de grande animação. Você está a fim de passar o Réveillon com seus amigos e se tiver gente nova para você conhecer, melhor ainda.
O ideal para você passar essa noite é em lugares movimentados em que você seja vista pois sua alegria irá brilhar, iluminar e contagiar todo mundo. Use a criatividade para se arrumar. Divirta-se em situações alegres, faça novos amigos. Você poderá passar o Réveillon em uma viagem ou uma festa, ou em um restaurante. Quer um ambiente amplo com muita gente, música, papel picado, fogos de artifício, muita cor e vibração.
A sua cor para esta noite é o amarelo, que irá motivá-lo ainda mais para a alegria de viver e irá facilitar a comunicação e a interatividade com as outras pessoas. Use uma roupa dessa cor ou então um acessório. Você começa o ano com a energia de expansão , otimismo, criatividade.


Número 4
Nesta noite seguramente você vai querer estar no comando e na organização da comemoração. Você esperou tanto por esse momento e agora não quer que dê nada errado! Por isso se ocupa em cuidar dos detalhes, horários, lembrar a todos do compromisso assumido.
O ambiente ideal para você passar essa noite de Réveillon é um lugar onde tudo esteja muito bem estruturado e não dê margem a surpresas! Poderá ser dentro de um restaurante ou um clube ou na casa de amigos. Poderá ser uma comemoração no estilo tradicional e conservador, junto à família, selando a união entre os entes queridos.
A sua cor para esta noite é o verde que estimula a recuperação e facilita o raciocínio. O verde favorece a segurança e o movimento ordenado para seu ano de 2011. Use qualquer elemento da cor verde junto a você nesta noite de Réveillon. Você começa o ano com serenidade e desejo de estabilidade e solidez.


Número 5
O clima nesta noite é de muito movimento, com possibilidades de que tudo mude e você tenha que voltar atrás em algumas decisões. Tudo pode acontecer! Você tem que estar pronto para uma noite diferente, cheia de novidades, totalmente fora da rotina.
O ambiente ideal para passar essa noite é qualquer um que não seja convencional, e nem seja conhecido por você. Pode ser junto a novos amigos, uma viagem exótica, ou no meio de Times Square em Nova York , em uma lancha no mar, em um balão no céu, etc
Use a cor azul claro nesta noite que vai contribuir para trazer pensamento claro que promove a capacidade de mudança e de movimento para o futuro. Use em suas roupas ou algum detalhe a cor azul para ajudá-lo a começar 2011 com vivacidade, removendo bloqueios e favorecendo o fluxo de energia vital.


Número 6
Esta noite será para você viver o amor em todas as suas manifestações. Seu desejo é se sentir amparado, querido e cuidado. Quer se sentir seguro ao lado de sua família ou da pessoa amada.
O ambiente indicado para você na noite de Réveillon é o que traz aconchego e afeto. Pode ser em sua casa ou na casa de parentes ou amigos bem íntimos. Pode ser uma reunião pequena, a dois, em que olhares e carinhos falam muito mais que as palavras. Uma cerimônia íntima de casamento ou noivado em algum lugar bem romântico também será bem vinda nessa noite de Réveillon.
A cor indicada para você usar quando o ano de 2011 chegar é azul anil que lhe traz toda a proteção para o amor. O uso da roupa de cor azul anil ou algum objeto que esteja com você, dessa cor, estimulará um sentimento relaxante capaz de provocar a sensação de paz e confiança, tão importantes para você viver com serenidade seu grande ano 2011.


Número 7
Nesta noite de Réveillon você vai fazer um recesso: uma pausa necessária para revisar seu estilo de vida. Poderá ser, portanto, um grande momento para você se reencontrar consigo mesmo. Sua percepção e sua intuição estarão aguçadas.
Você poderá se sentir muito bem, nesta noite de Réveillon, em algum lugar que inspire a reflexão, como à beira de um lago ou perto do mar. Poderá preferir passar com pouca gente ao seu lado ou até sozinho. Cerimônias e rituais poderão estimular esse encontro com você mesmo. Templos religiosos, ashrams, ou um lugar que permita a elevação espiritual poderão proporcionar a viagem ao seu mundo interior. Você vai perceber o que não é visível aos olhos.
A cor indicada para você nessa noite é o lilás, pois permite a renovação de energia pessoal, facilitando assim um novo direcionamento de sua percepção de vida no ano 2011.


Número 8
Você comanda a festa de Réveillon neste ano. Quer deixar tudo muito bonito para receber seus amigos e parentes. Prefere fazer uma super reunião na sua casa ou então levar as pessoas queridas para um lugar elegante. Você tem iniciativa, toma conta de tudo e quer o melhor! Está satisfeito com suas conquistas e quer compartilhar com todos os que torcem por você.
A maneira ideal para você passar essa noite de Réveillon é em um ambiente de festa com muita alegria, boa conversa, mesa farta e pessoas elegantes. Que tal uma viagem de navio, uma noite em um clube ou um bom restaurante?
Use os tons de bege a marrom para contribuir para a sua atitude de confiança, eficiência e dinamismo, indispensáveis nesse ano de progresso.


Número 9
Nesta noite de Réveillon você revela muitas decisões importantes que vem tomando ao longo do tempo. Você pensou e pensou. Agora já sabe o que quer. Esta é a noite para determinações sérias e comprometedoras. Suas esperanças e expectativas para o futuro se misturam às lembranças e à melancolia de um passado. Você está em um momento de transição nesta noite.
O melhor lugar para você passar esta noite é junto a pessoas queridas do seu passado, amigos de longa data, ou então junto a pessoas desconhecidas que precisam de amor e solidariedade. Viaje para um lugar que marcou sua vida, relembre o passado. Será uma excelente noite para perdoar, resolver pendências, esclarecer fatos, explicar, compreender. Noite sentimental.
Use a cor rosa para poder liberar todo o amor que existe em você, deixando para trás o passado que aprisiona e entrando no ano de 2011 com visão ampla das enormes possibilidades para o seu futuro.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Falso Hellomotta

Não é a primeira vez que alguém posta como se fosse eu.
Essa funcionalidade de postar por e-mail que aprendi pelo blog do Daniel foi bem útil na época em que o blogger foi bloqueado por aqui, mas os transtornos já estão começando a aparecer.
Recebi um spam no meu "email-código", que virou um post merchan pro Viagra. Viagra? Gente, eu não tenho pinto e nem trabalho com essa mercadoria, porque eu, logo eu, faria propaganda de Viagra?

O pior é que na correria de trabalho, eu só sei que isso aconteceu, quando recebo um comentário de post, vou ver a atualização achando que é da O+ e daí, Bingo! Eu?

Bom, pra variar eu tô enroladaça aqui. Entrei só pra "desativar" a funcionalidade, mas uma dúvida me consumiu: Cancelar ou não cancelar?
Esse lance de assistir Dexter me deixou com um perfil um tanto quanto curioso. Quem seria o nosso blogueiro misterioso?
Começar o post com uma propagando pro Paulo, o deixou no primeiro lugar no ranking de suspeitos. Mas, depois de todo o mistério da morte da vaca, acho que a blogaysfera não estaria preparada para um novo suspense.

Mas ta aí. Um plebiscito pra blogaysfera: Deixar ou não um espaço pro blogueiro misterioso?
Responda essa pergunta e diga também: pra você, quem é o colega oculto?


Curioso, não?
h'[m]

Prazer, Paulo, 38 anos. Quer saber mais? Leia os posts aí do lado!

Lembro até hoje como foi sair do armário para meus amigos e família. O jeito tímido que eu falei para a Sandra, a primeira a saber oficialmente que o melhor amigo era gay (não que ela não soubesse antes, claro). O dia em que eu contei pro Zé, os dois presos no meio do trânsito na av. Rebouças enquanto corríamos para organizar uma festa. Como foi a revelação em casa, bem diferente do que eu esperava (no meio de uma briga com a minha irmã, onde ela encerrou a disputa aos berros "ah, e seu filho é gay, o Fran é o namorado dele"...).

Tudo isso parece um passado tão distante hoje em dia, e como eu me arrependo de não ter tomado essa decisão antes. Teria facilitado e muito a minha vida, evitaria que eu me afastasse de alguns amigos queridos, evitaria muita dor de cabeça e desculpas cada vez mais estapafúrdias pros meus sumiços constantes. Vejo a galera hoje em dia que se assume cada vez mais cedo com uma pontinha de inveja...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

When december comes

Já falei de dezembro para vocês, né?

É que dezembro é especial. Especial para todos e, por isso, muito democrático. Ninguém escapa de pelo menos uma comemoraçãozinha em dezembro. Pode ser o misantropo mais convicto, mas em algum momento de dezembro, ele vai beijar ou abraçar alguém e desejar felicidade.
O mínimo, para ser um sujeito adaptado, são 3. Natal, Reveillon e aquela comemoraçãozinha do trabalho ou estudo. Mas o povo gosta de mais que isso, basta ser dezembro que já é pretexto para festa. E é assim que é dezembro: intenso.
Intenso pelas festas, mas também pelos balanços. É um mês de reflexão, de análise, de avaliação, e é claro, cheio de promessas para o futuro. Dezembro é o mês em que se sacode a rotina: em que se questionam os hábitos automáticos, analisando se servem ou se precisam ser substituídos.

Eu sou de dezembro. Na medida certa para ainda ganhar dois presentes e não ter minha existência engolida pelas festividades gerais.
E por ser de dezembro, eu realizo também no plano individual, aquilo que todos fazemos coletivamente. Eu faço um balanço de minha vida junto com o balanço do ano.
Não sei como é ter um momento de comemoração particular em maio ou abril... mas também não faço questão. Estou bem satisfeita de me sentir integrada ao todo. E, principalmente, de ter como minha marca pessoal a intensidade, a reflexão, a esbornia e a esperança de dezembro.


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Realocando (Daí)

Ontem voltei na dentista depois de 2 meses de medo, 1 de preguiça e 1 de excesso de trabalho. Medo porque ela fica na favela. Preguiça porque sempre adio coisas importantes por falta de habilidade em controle temporal, e excesso de trabalho graças aos 199 itens que hoje ainda estão na minha carteira.
Daí que não teve nada importante além de a cada dia ficar mais fã da Zizi e meu dente novinho em folha que até dá gosto.

Daí que ontem ela descobriu que tenho um problema de falta de cálcio, o que deve favorecer tanta sensibilidade no dente e a tanta quebração de ossos - lógico que só me liguei nisso depois. Ultimamente não sei o que dói mais: meu cotovelo quebrado que quase não consigo mais esticar - graças a falta de exercício - ou o punho quando escrevo mais que 5 ou 6 palavras direto, eu sei que tendinite não tem a ver com cálcio, mas porra! Como dói.

Daí que lembrei que é capaz de eu tirar 2 na prova do ENEM, só pelos garranchos com os quais terminei a prova.

Daí que eu fui escolher um marcador pro post e lembrei que tenho duas multas vencidas pra pagar. Antes que me chamem de ruim de roda - o que dá até morte - uma é do meu pai! Vou anotar aqui no desktop pra não esquecer amanhã.

Daí que meus dias tem sido de merda um atrás do outro. E a oscilação é tanta que é melhor eu nem falar sobre.

Daí que eu tenho 3 presentes de amigo oculto pra comprar e ainda não mexi uma palha. Bem como não mexi um fio de cabelo em relação ao natal e, o único fio que eu mexi - que foi pro programa do reveillon - foi arrancado. Um beijo!

Daí que todos os meus planos pro final de semana foram cancelados contra a minha vontade e, de certo modo, sem a minha ciência ou de acordo.


Aliás, E daí, né? Afinal, loser é sempre loser!

Me deixa voltar pros meus 199 itens, porque o maldito SAP já caiu e eu perdi meu mapinha. fuém fuém fuém!

beeeeeeijo.
h'[m]

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

ÁGUA E CERVEJA: A HORA CORRETA PARA TOMAR ÁGUA

(recebi por e-mail.)


Você vai ao bar e bebe uma cerveja.
Bebe a segunda cerveja. A terceira e assim por diante.
O teu estomago manda uma mensagem pro teu cérebro dizendo "Caracas véio, o cara tá bebendo muito liquido, tô cheião!!!"
Teu estômago e teu cérebro não distinguem que tipo de liquido está sendo ingerido, ele sabe apenas q "é líquido".
Quando o cérebro recebe essa mensagem ele diz: "Caracas, o cara tá maluco!!!"
E manda a seguinte mensagem para os Rins "Meu, filtra o máximo de sangue que tu puderes, o cara aí tá maluco e tá bebendo muito líquido, vamos botar isso tudo pra fora" e o RIM começa a fazer até hora-extra e filtra muito sangue e enche rápido.
Daí vem a primeira corrida ao banheiro. Se você notar, esse 1º xixi é com a cor normal, meio amarelado, porque além de água, vem as impurezas do sangue.

O RIM aliviou a vida do estômago, mas você continua bebendo e o estomago manda outra mensagem pro CÉREBRO: "Cara, ele não pára, socorro!!!" e o CÉREBRO manda outra mensagem pro RIM: "Véio, estica a baladeira, manda ver aí na filtragem!"

O RIM filtra feito um louco, só q agora, o q ele expulsa não é o álcool, ele manda pra bexiga apenas ÁGUA (o líquido precioso do corpo). Por isso que as mijadas seguintes são transparentes, porque é água. E quanto mais você continua bebendo, mas o organismo joga água pra fora e o teor de álcool no organismo aumenta e você fica mais "bunitim".

Chega uma hora q você tá com o teor alcoólico tão alto q teu CÉREBRO desliga você. Essa é a hora q você desmaia... dorme... capota... Ele faz isso porque pensa: "Meu, o cara tá a fim de se matar, tá bebendo veneno pro corpo, vou apagar esse doido pra ver se assim ele pára de beber e a gente tenta expulsar esse álcool do corpo dele".

Enquanto você está lá, apagado (sem dono), o CÉREBRO dá a seguinte ordem pro sangue "Bicho, apaguei o cara, agora a gente tem q tirar esse veneno do corpo dele. O plano é o seguinte, como a gente está com o nível de água muito baixo, passa em todos os órgãos e tira a água deles e assim a gente consegue jogar esse veneno fora".

O SANGUE é como se fosse o Boy do corpo. E como um bom Boy, ele obedece as ordens direitinho e por isso começa a retirar água de todos os órgãos. Como o CÉREBRO é constituído de 75% de água, ele é o q mais sofre com essa "ordem" e daí vêm as terríveis dores de cabeça da ressaca.

Então, sei q na hora a gente nem pensa nisso, mas quando forem beber, bebam de meia em meia hora um copo d'água, porque na medida q você mija, já repõe a água.

Guerra do bem contra o mal?

http://www.brasildefato.com.br/node/5195

Um violento jogo de poder envolve facções, milícias e agentes públicos, no qual se confundem mocinhos e bandidos

Leandro Uchoas

Mais de 100 veículos incendiados, granadas e tiros contra delegacias, pelo menos 52 mortos, assaltos em profusão, pequenos arrastões, tiroteios em comunidades pobres. Na penúltima semana de novembro, o Rio de Janeiro esteve entregue à barbárie. Em pânico, parte da população deixou de ir ao trabalho, de frequentar bares, de transitar livremente pelas ruas. E comunidades inteiras, especialmente na Zona Norte, ficaram reféns dos “soldados” do narcotráfico e da insanidade de setores da polícia. Como tem sido comum nesses períodos, a opinião pública assumiu posições conservadoras. Exigia-se punição dura, resultados imediatos. Para os setores sociais de espírito crítico mais desenvolvido, porém, ficou a sensação de que assistia pela TV, ou lia pelos jornais, a uma farsa.

A onda de violência começou no dia 21 de novembro. Carros e ônibus foram queimados pela cidade por jovens ligados ao Comando Vermelho (CV), aliados a setores da Amigo dos Amigos (ADA). Os narcotraficantes teriam se unido contra a instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nos territórios anteriormente controlados por eles, segundo o discurso oficial. Estudiosos de Segurança Pública consideram essa uma explicação incompleta – além de oportuna ao governo estadual, por supor que a ação criminosa seria a resistência a um bom trabalho. Verdade é que a outra facção expressiva, o Terceiro Comando Puro (TCP), tem se aliado informalmente às milícias, em regiões da cidade, contra as outras duas. Até o aluguel de duas favelas aos grupos paramilitares teria ocorrido. De fato, TCP e milícias têm sido menos afetadas pelas UPPs. A pergunta não respondida, e sequer midiatizada, permanece: por que o Estado evita instalar UPPs nessas áreas?

Correu boato pela cidade, em fase de investigação, de que as ações seriam decorrentes da insatisfação com o aumento no valor da propina a policiais. Por enquanto, a explicação mais lúcida para a onda de violência é a perda de espaço do CV na geopolítica do crime. As milícias, ameaça maior, avançam território, e o setor nobre da cidade, altamente militarizado, segue protegido pelas UPPs. “Aqui no Rio há uma reconfiguração geopolítica do crime”, interpreta José Cláudio Alves, vice-reitor da UFRRJ. Ele explica que existe uma redefinição das relações de hegemonia, envolvendo disputa de território. O mapa de instalação das UPPs, somado à expansão das milícias, estaria levando à periferização do CV. A facção tende a se deslocar para as regiões da Leopoldina, da Central do Brasil e da Baixada Fluminense. “Isso leva, inclusive, à introdução veloz do crack no Rio de Janeiro. Ele é baratíssimo. A reconfiguração do crime também leva à reconfiguração do consumo da droga”, explica. Até 2009, o crack praticamente não entrava na cidade.

Tráfico em decadência

Há ainda a interpretação de que o modelo de negócios que se forjou no Brasil, do narcotráfico, estaria em declínio. A milícia, por modernizar o crime, apropriando-se de serviços públicos e disputando a política institucional, teria tornado a economia da droga obsoleta. O ex-secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, que se negou a atender jornalistas, divulgou artigo defendendo a tese. “O tráfico tende a se eclipsar, derrotado por sua irracionalidade econômica e sua incompatibilidade com as dinâmicas políticas e sociais predominantes, em nosso horizonte histórico. O modelo do tráfico armado, sustentado em domínio territorial, é atrasado, pesado, antieconômico: custa muito caro manter um exército, recrutar neófitos, armá-los, mantê-los unidos e disciplinados”, diz.

As ações das facções na cidade, em geral, objetivaram sobretudo gerar pânico. Em meio aos veículos queimados, houve poucos feridos. A reação policial foi de potência inédita. Foram mobilizadas todas as polícias, oficiais de outros estados, todo o efetivo em férias e reforços da Marinha, Exército e Aeronáutica. Os blindados, emprestados pela Marinha, eram de forte poderio bélico. Um deles, o M-113, é usado pelos Estados Unidos no Iraque. Cerca de 60% dos oficiais em operação estiveram com a Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti (Minustah). O general Fernando Sardenberg declarou ao O Globo que há similaridade nas ações do Rio e do Haiti. Sandra Quintela, da Rede Jubileu Sul, que acompanha a ocupação do Haiti, considerou o dado grave. “Há muito tempo estamos avisando que isso iria acontecer. Eles treinam lá para praticar aqui”, disse.

As autoridades não explicaram por que o TCP e as milícias não perdem território com as UPPs. Desconfia-se que haja pactos tácitos. “Há o controle eleitoral dessas áreas de milícias por grupos políticos. O Estado não vai jamais debelar isso, porque ele já faz parte, e disso depende sua reprodução em termos políticos, eleitorais. Ele está mergulhado até a medula”, diz José Cláudio. As UPPs têm sido instaladas num corredor nobre do Rio de Janeiro – bairros ricos da zona sul, região do entorno do Maracanã e arredores da Barra da Tijuca. Os narcotraficantes já vinham se refugiando, há tempos, na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão. “Era um tanto quanto previsível que essa barbárie pudesse acontecer”, acusa o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj.

Combate seletivo

O professor Ignácio Cano, do Laboratório de Análise de Violência da Uerj, também desconfia do privilégio da atuação do Estado contra o CV. “Há um tratamento seletivo da polícia, aparentemente. A milícia tende a não entrar em confronto armado com o Estado, e vice-versa”, diz. Embora veja avanços, o sociólogo se diz preocupado com a ação policial, que pode representar um recuo do Estado a posições mais recuadas do passado. O Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, afirmou em entrevista coletiva que a ADA é uma facção mais “pacífica”, mais preocupada com o comércio de drogas. O CV seria mais “ideológico”, estaria mais disposto à guerra.

Para Antônio Pedro Soares, do Projeto Legal, o modelo de Segurança Pública do governo teria ajudado a gerar esse conflito. As áreas “pacificadas” seriam planejadas de acordo com os interesses da especulação imobiliária. “O que está acontecendo tem a ver com a política de Segurança, que precisa ser melhor discutida. Continua a lógica de uma polícia controlando uma população considerada perigosa”, afirma. Em sua maioria, os ativistas de direitos humanos não negam a necessidade de se prender os narcotraficantes. Entretanto, combatem a execução sumária, e acusam o Estado de perseguir apenas os bandidos da base da pirâmide do crime. “É uma guerra em que só morre um lado, uma cor, uma classe social. É simbólico que tenha acontecido na Semana da Consciência Negra, e dos 100 anos da Revolta da Chibata”, afirma Marcelo Edmundo, da Central de Movimentos Populares (CMP). Desconfia-se que o número de mortos seja muito maior do que o divulgado.

Novo site de compras coletivas - é neste que eu vou!

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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O artigo que eu queria escrever

Eu queria escrever sobre a última semana que vivemos no Rio de Janeiro. Mas eu queria fazer um texto honesto, um texto que não arredondasse a realidade. Para isso eu precisaria entender o que está acontecendo. E tem coisas que realmente não entendo.
O que fica martelando na minha cabeça como uma peça que não se encaixa são os próprios ataques. A tal centena de veículos incendiada espalhou terror pela cidade. Mas agora, que os tais ataques arrefecem, eu olho para isso e me espanto com a falta de vítimas, isto é, pessoas feridas ou mortas. Porque? Se era para aterrorizar a população para que ela pressionasse o governo para chegar a um acordo com o tráfico como o de Lembo com o PCC em São Paulo, os métodos de ataque poderiam ser bem mais cruéis e sangrentos. Quando expuz esta inquietação, alguém me respondeu que eles também não queriam jogar a população contra eles (o tráfico). Bem, aí faz menos sentido ainda, porque foram estes ataques que legitimaram a ocupação dos complexos da Penha e do Alemão justamente porque a população ficou contra eles.

Eu não queria fazer um texto tendencioso do tipo que condena as ações da polícia por ser uma polícia corrupta e violenta. Afinal, na grande cobertura midiática que acompanhamos, vimos uma polícia capaz de atuar na legalidade, sem covardia. O que atraiu a simpatia da população e praticamente a unanimidade no apoio às ações na Vila Cruzeiro e no Alemão. E é inegável que estas ações tiveram o mérito de devolver ao povo do Rio a esperança de que o poder público é capaz de colocar um fim numa rotina de violência e acharcamento por um poder paralelo e degenerado.
A imprensa noticia que ações de inteligência e planejamento estiveram na raíz das operações executadas, que um laboratório da Policia Civil rastreou o dinheiro do trafico e mostram o resultado desta ação com a prisão da mulher do Polegar num condomínio de luxo na Barra da Tijuca e a prisão de 3 advogados que passavam informações dos presos. Bem, então realmente a coisa é séria, né? Pois se eles estão rastreando o dinheiro do tráfico até o asfalto, existem fortes chances de um resultado efetivo no desbaratamento dos esquemas, afinal qualquer um pode supor que não são aqueles homens que compuseram aquela horda de fugitivos deseperada que saiu da Vila CRuzeiro para o Alemão, a responsável pela compra de armamentos pesados nem pela chegada de drogas para abastecer as favelas. Um esquema de comércio e logística muito bem elaborado e executado só pode ter as condições de ser montado a partir do asfalto e não da favela. Foi por isso que vibrei com as cenas da prisão da mulher do Polegar e as fotos dos advogados presos. Vibrei porque acreditei que este poderia ser o começo de muitas prisões no asfalto, e, portanto, a única possibilidade do tráfico de drogas ser realmente reprimido. Então, porque parou? Parou porque? Agora, o que sinto é apenas um gosto amargo de "me engana que eu gosto", porque, pelas imagens, a sala do tal apartamento de luxo da mulher do Polegar não tinha mais do que 20 m2 ou mesmo as fotos dos advogados que foram presos mostraram apenas uns safados de porta de cadeia. Tudo ainda muito longe das mansões de Miami, das contas bancárias na Suiça ou Caymans e dos colarinhos brancos... Ok! Tem mesmo que prender os que se beneficiam do dinheiro do tráfico e interromper o esquema de comunicação das cadeias com as favelas. Mas não mintam para mim. Não me mostrem aquelas casas no Alemão com piscininhas e hidromassagem como "as mansões do tráfico".

Hoje, minha sensação é que uma verdadeira guerra aconteceu na mídia, nas horas infindaveis de cobertura televisiva. Uma guerra pela nossa audiencia, por nossos corações e mentes.

Hoje, minha inquietação é se estas ações vão ser efetivas ou vão parar por aqui para os governantes se deitarem sobre os louros.

Hoje, a minha maior preocupação é se o sufocamento do Comando Vermelho não vai apenas servir para fortalecar o TC ou ADA ou mesmo as Milícias.

Não tenho dúvidas que o crime vai tentar se reacomodar e não tenho dúvidas que o Estado precisa fazer o que ele mostrou que pode fazer: planejar, investigar e coordenar as ações das polícias, das forças armadas, utilizando efetivos treinados , armas e equipamentos em quantidade e qualidade suficiente para prender os bandidos da favela sem banho de sangue.
Isto é realmente necessário. Porque é preciso garantir que as crianças possam ter aulas nas escolas públicas no Rio de Janeiro. E, principalmente, é preciso deter a pressão de aliciamento do tráfico à juventude pobre e negra das favelas.

Mas é preciso não parar por aí...


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O reflexo do workaholicismo

Eu não podia me dar o privilégio de postar hoje, vide a quantidade de processos que estão na minha mesa (ainda estão no armário, mas já já estarão na mesa!).
A questão é que enquanto eu super me desgasto com meu trabalho, e outras pessoas passam o dia falando merda, ligando pra parente e jogando joguinho no celular.

Eu não sei se já postei aqui mas 3 meses atrás dei uma reportagem sobre ser workaholic. A única coisa que mudou nesses 3 meses é que, graças a primeira dama, consigo dormir cerca de 5 horas por dia. Mas o lance de acordar direto no meio da noite, não dar atenção pra família e até pra mim mesma, continua.
Uma das coisas que mais gosto de fazer que é escrever, não consigo mais. Não consigo tempo para escrever, nem um minimo de concentração para fazer. Cerca de 5 milhões de pensamentos se passam na minha cabeça a cada hora, e o volume e velocidade é tão grande que ao escrever a primeira frase já me pego pensando na final.

Ontem cheguei as 8:26, saí as 21:43 e as 8:45 de hoje já estava aqui de novo. Deu pra entender? Eu passo mais tempo aqui dentro, do que no mundo lá fora. Pra que isso?
O que eu faço contrasta com o que eu escrevo.
Eu concorco plenamente com o que eu escrevi ontem: se divertir hoje, agora. Mesmo assim tô puto.
Tô puto com o post de ontem porque, hoje, eu tô vendo que a minha vida tem mais a ver com trabalho do que o mundo. E eu já sei disso. Só não consigo aceitar.

Seria isso uma doença?
Eu preciso de uma terapia?
E se for doença, eu tenho cura?

E agora, quem poderá me defender?

Ps.: Obrigada O+ por sair deixando sua parte do armário livre. Meus processos já estão ocupando-a.

h'[m]

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Tudo o que penso sobre dinheiro

Recebi por e-mail:


Viver ou Juntar dinheiro?

Há determinadas mensagens que, de tão interessante, não precisam nem sequer de comentários. Como esta que recebi recentemente.
Li em uma revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. Aprendi, por exemplo, que se tivesse
simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, nos últimos quarenta anos, teria economizado 30mil reais. Se tivesse deixado de comer uma pizza por mês, 12 mil reais. E assim por diante.
Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas. Para minha surpresa, descobri que hoje poderia estar milionário. Bastaria não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei.
Principalmente, não ter desp
erdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.
Ao concluir os cálculos, percebi que hoje poderia ter quase 500 mil reais na minha conta bancária. É claro que não tenho este dinheiro.
Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer?
Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar em itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que quisesse e tomar cafezinhos à vontade.

Por isso, me sinto muito feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro por prazer e com prazer. E recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com uma montanha de dinheiro, mas sem ter vivido a vida.

"Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim ele saberá o VALOR das coisas e não o seu PREÇO"


Que isso sirva de lição pro meu pai e, de certa forma, pra minha irmã.
Nesse aspecto, ainda bem que puxei minha mãe.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O ENEM

O que está por trás do “escândalo” da prova do ENEM 2010
12 de novembro de 2010

Mais de 3 milhões de pessoas prestaram o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) em 6 e 7 de novembro. A prova é uma avaliação externa que hoje é base para o acesso a cerca de 90 mil vagas nas universidades públicas federais, é a atual prova para jovens e adultos que querem a certificação do Ensino Médio (que equivale ao ainda existente Encceja) e é também o critério para o acesso as bolsas do PROUNI, bolsas nas universidades privadas, financiadas pela isenção de impostos para essas instituições.
O ENEM não resolve o problema do acesso à universidade. Segue sendo um obstáculo ao direito da juventude ter acesso à educação superior, que deveria ser universalizada.
Mas ao mesmo tempo, é mais acessível a milhões de estudantes. Além de grande parte das inscrições serem realizadas através de isenção, o valor é bem menor que os praticados pelas universidades estaduais paulistas, por exemplo, como a USP, Unesp, Unicamp e Fatecs, cujo custo de inscrição nos vestibulares passa de 300 reais. E permite que jovens possam disputar, sem custos de viagens, vagas em universidades em várias partes do país, sendo que antes era obrigado a fazer vários vestibulares diferentes.

Qualidades e problemas
O ENEM possui uma qualidade ao nacionalizar o exame, dando um padrão nacional para o acesso. Ao mesmo tempo, exatamente porque a educação é estadualizada, cria um problema, pois o fato do ensino médio não ser federal faz com que exista um abismo entre a qualidade de ensino nas diferentes regiões do país. Por outro lado, hoje o ENEM já se torna um sistema de ranqueamento das escolas, aprofundando o modelo já existe de cursinhos e escolas de “elite” que focam seus objetivos nos resultados e não no ensino propriamente dito.
É preciso levar em conta que o modelo da prova, focado não em conteúdos (as chamadas disciplinas) mas em competências e habilidades, é incompatível com a educação ensinada nas escolas, onde segue-se o modelo clássico de conteúdo por disciplinas. Já a prova é elaborada de outro modo, o que abre o terreno para os negócios dos cursinhos pré-ENEM. Sobressaem aí as escolas particulares, que combinam as duas coisas.

Os erros nas provas
Nenhum estudante deve ser prejudicado pelos erros da prova.
Erros gráficos no gabarito e num lote de 21 mil provas, segundo o MEC, evidenciam problemas de fundo. E o problema reside no fato das provas serem realizadas por entidades privadas. Tanto o Cespe/UNB quanto a Cesgranrio são fundações privadas, mesmo que vinculadas a instituições públicas. Ao mesmo tempo a prova é impressa por uma gráfica privada. Em ambos os casos, são contratos milionários.
Nesse processo de terceirização, a responsabilidade fica fora das mãos do Estado, o que abre o caminho para todo tipo de erro, manipulações e uso disto contra o serviço público. Fica evidente a necessidade de nacionalizar a execução da prova em todos os níveis diretamente, sem privatizar a impressão e execução da prova.
Por isso é correta a posição da UNE e da UBES de reivindicar a “a criação de um Instituto Federal que será o responsável pela aplicação das provas do ENEM.” É o caminho para a necessidade de estatização desse exame nacional.
Claro que essa é apenas parte da luta pela universalização do ensino, condição verdadeira para acabar com todas as cercas que restringem o acesso ao ensino superior para a maioria da juventude brasileira.

Por outro lado, é preciso se delimitar da imprensa, apoiada por setores dos tubarões do ensino privado que estão transformando isso em uma trincheira para atacar o MEC, para na verdade tentar fazer uma espécie de terceiro turno das eleições que acabaram de acontecer.

Manoel Leite, Santo André (SP)
http://www.juventuderevolucao.org/index.php?option=com_content&task=view&id=875

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Sra Neurastênica

Passei uns 2 meses me preparando - psicologicamente - pra prova do ENEM. Desmarcando compromissos, rejeitando propostas, perdendo boca-livre.
Minha mãe desmarcou o churrasco de comemoração de 1 ano de casa nova, não fui à Gambiarra e nem à festa surpresa da Nik. Passei um final de semana enclausurada, enauseada e com sérias dores musculares.

Aí vem agora meia dúzia de (milhares de) gatos pingados querendo cancelar a prova?
Na boa: vestibulando não é profissão! É um estado temporário - e bem doloroso, aliás! Se tem gente defendendo os coitadinhos que se sentiram prejudicados, eu respeito, mas e eu? Que não quero - e não tenho condições - de fazer outra prova, quem defende?
Na boa, sempre me dizem pra não questionar questões lógicas, que lógica é questão subjetiva: o que é lógico pra mim, pode não ser lógico pra você, mas o ENEM é basicamente composto de questões lógicas! Esse erro de "título de tabela" era mais uma: qualquer pessoa inteligente que lesse, verificaria que foi um equívoco. Quem é desligado, nem preceberia que tal título existiria e, muito menos, que estaria trocado.

Na boa, dizer que a troca do título fez você marcar as questões erradas seria, no mínimo, muito cinismo. Explico minha opiniao: Quando você anota gabarito - para posterior conferência, por exemplo, como você lista? Por matéria? Por cor? Por tema? Não! Você anota pela ordem numérica delas. Minha vontade era dizer que só idiota marcou errado por causa disso.

Nem preciso dizer, pelo tom das minhas palavras o quanto eu tô puta com essa palhaçada.
Pra quem não entendeu, eu montei uma simulação do caderno de Resposta, pra entenderem melhor.

E aí? Estou certa ou errada de ficar puta?
Veja bem, eu não sou contra a disponibilização de nova prova para os que se sentiram prejudicados. Eu só não quero ser obrigada a fazer outra prova porque algumas pessoas não tem bom senso.

Responda se for capaz: o erro de edição/impressão do ENEM 2010 só tá dando lenga-lenga porque
(a) os Grafiqueiros não querem perder a fonte de renda do Vestibular descentralizado. *
(b) a sobrinha da Juíza rasurou o cartão-resposta.
(c) a maioria sempre se fode por causa da minoria.
(d) todas as respostas estão corretas.

* vale lembrar que num dos escândalos da guerra PSDB x PT, descobriram panfletos anti-Dilma, feitos pela gráfica de não-sei-quem, parente do não-sei-o-que do Serra.

Outra coisa. Um tanto quanto estranho que essa liminar tenha saído do estado do Ceará (só podia ser paraíba!), né? O estado sequer é o estado com maior adesão a prova. Dona Karla, na boa. Solta uma liminar dizendo que quem quiser refazer, que refaça. Desfaz a bagunça que você tá fazendo, porque já já vai ser tarde demais.

Vai dar merda lá na frente!

humpf!
h'[m]




Editado: Leiam isso.
É similar à parte pensante do meu cérebro avermelhado.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O que fica

Vivi muitas coisas. Muitas histórias de amor. Muitas fases. Grupos de amigos diferentes. Escolas, empregos...

Este ano, penso eu - que vejo sinais em tudo - que , em função da análise, os pedaços da minha vida começaram a voltar para mim e chegaram das mais diversas formas. Um grupo de amigos da juventude que está se reconstruindo; minha caixa de coisas, fotos e diários da adolescência que caiu no meu colo; as ex-colegas de colégio que ficam brincando o dia inteiro no facebook...O significado de cada uma destas reconciliações com o passado mereceria vários posts, mas não é sobre elas que voi escrever hoje. É sobre o mais surpreendente. Sobre o pai da caçula. E olha que na entrevista que dei ao Gato eu tinha dúvidas se algum dia postaria sobre ele...

8 anos se passaram desde o fim de nosso relacionamento. Foram anos em que fui odiada, ameaçada e acusada injustamente de muita coisa. Nestes anos, minha filha não teve um pai amoroso e cuidadoso. E eu perdi mais do que o meu ideal de família, perdi o meu amigo. Nunca funcionamos como homem e mulher, mas eu achava que um dia isto se ajeitaria, afinal era dele os meus sonhos de criança.
Lembro duma noite, na janela, eu conversava com uma amiga e comecei a pedir para a Lua. Pedi como eu queria que fosse o meu próximo namorado. Dois meses depois ele tocou a campainha de minha casa. E ele tinha tudo o que eu tinha pedido. Eu acreditei com todas as células do meu corpo que o homem dos meus sonhos tinha chegado em minha vida. Não foi a toa que engravidei no primeiro dia em que transamos. Eu não tinha dúvidas nem medo.
A vida com ele não foi fácil. Ele tinha problemas. Um ciúmes e uma insegurança doentia. E me maltratava por isso, mas chorava e se arrependia depois. Eu tinha pena e sonhos. Acreditava que meu amor conseguiria curá-lo. Eu adoeci e ele não se curou. Mergulhei na loucura dele, me deixei arrastar. Quando já não sobrava muita coisa de mim, fui embora para tentar , ao menos, salvar alguma coisa de mim para mostrar para a minha filha. Nos separamos, mas continuamos amigos.
Um ano depois, tudo mudou. Ele decidiu se tornar meu inimigo, me ameaçava, caluniava, acusava injustamente, gritava, torturava psicologicamente, se afastava de nossa filha... numa escalada cada vez mais violenta.
Passei os primeiros meses desta guinada dele sem entender nada, chocada, paralisada e aflita. Sofri muito. Sofri por mim. Por eu não merecer isto. Sofri pela minha filha, que merecia ainda menos. Sofri por ele despedaçar meus sonhos de família e de amizade.
Quando comecei a me recompor, dediquei a ele uma música que nunca enviei:

MILHAS E MILHAS

http://www.youtube.com/watch?v=3Xk68BS6Z84

IRA!

Composição: Gaspa/ Edgard Scandurra/ Nasi/ Mauro Motoki

As lágrimas que correm no seu rosto agora
Escondem a indiferença que sentias por mim
A vingança não existe em meu coração
Mas não te quero mais
Sei que você espera um dia voltar pra mim
Sei também que seu jeito é irresistível sim
Vou ser claro nessa canção que fiz
Não te quero mais

Estou milhas e milhas distante
No solo lunar
À procura incessante de um novo olhar

E os dias vão passando e eu me sinto bem assim
A solidão em fim não é tão ruim
Eu espero que sejas feliz

Não te quero mais

Estou milhas e milhas distante
No solo lunar
À procura incessante
De um novo olhar


Ficamos anos sem nos falar. Não era possível. A Caçula pagou o preço. Ano passado, em função de problemas com ela, tentei uma reaproximação para tratar das questões dela, mas nem isso foi possível. A agressão continuava.
Há umas 3 semanas, depois de uma conversa amigavel pelo telefone, na qual ele disse que estava muito deprimido e tomando remédios, ele decidiu se confessar para mim, confessar sua dor e aquilo que ele chama de amor. Estabeleci um limite para nossas conversas: apenas sobre a Caçula. Ele tem tentado ultrapassar este limite e chegou a ligar mais de 10 vezes por dia. Estou firme no propósito de colocar um limite claro neste relacionamento. Ele ainda não conseguiu entender que se ele tem uma questão comigo esta questão é só dele e não minha. Tenho um pouco de medo, pois ele não reage normalmente às frustrações, mas a única coisa que posso fazer é ser firme. Gentil, quando possível, mas firme.
Ainda tenho pena pelo que ele se tornou e pelos sonhos sobre nós que não se realizaram, mas se há 5 anos eu já estava a milhas de distância, ainda não voltei de lá e, certamente, estou a procura incessante de um novo olhar.

O que fica é o tempo tal qual uma costureira remendando os retalhos e fragmentos de uma vida e conseguindo construir um todo coerente e harmonioso. E este todo sou eu: inteira!
Gracias a la vida!

IRA! - Milhas e Milhas

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Outing

Estava passeando pela Blogsfera quando li o post do Lobo. #Euri

Então, hoje tinha cafezão da manhã do setor em que eu trabalhava com a Hello. Me preparei toda para matar as saudades na social com meus colegas de trabalho que não vejo mais tão frequente. Ontem à noite comprei esfirras. Hoje de manhã, acordei mais cedo para chegar na hora. Não consegui. Me atrasei meia hora, mas ainda peguei a comilança. Papo vai, papo vem, uma colega puxa um fiapinho da minha blusa. Olhei para baixo e pensei, "nossa! os bordadinhos devem estar se desfazendo porque a blusa está toda esfiapada". Papo vai, papo vem, num gesticular mais amplo levanto o braço e vejo mais um monte de fiapos saindo da costura da minha blusa...também, pudera, estava do avesso...

Bom finde para todos e não esqueçam:

Dia 31 é 13!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

CONCENTRANDO FORÇAS

78

Rei de Ouros

Este arcano traduz o significado de comunhão com a terra, natureza realizadora, senso de realidade e firmeza.

Concentrando as forças

Este primeiro arcano representa a síntese de seu momento afetivo. Uma carta que serve como prévia dos principais aspectos que cercam a questão. Descubra nesta posição o potencial básico do que perguntou.

O Rei de Ouros é uma figura de extremo poder material. Ele emerge como arcano central de sua questão afetiva, NOME, sugerindo este como sendo um momento de concentração de forças, a fim de realizar seus desejos de maneira prática, eficiente, objetiva. Este Rei retrata a ambição pela realização de grandes feitos e grandes amores e o não contentamento com qualquer coisa. Estas altas perspectivas são benéficas, pois lhe impedem de cair na mediocridade. A generosidade que você irradia atrairá pessoas que lhe terão na mais elevada estima, mas também poderá atrair gente interesseira, com motivações superficiais em relação aos seus afetos. Caberá a você, Christiane, saber separar o joio do trigo.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Fuck you


Fuck them all

Tem músicas que são chiclete. Não dá para parar de escutar. E de passar o dia cantarolando seu refrão. Melhor ainda é cantar bem alto. Por isso existem os shows. Eu já cantei muito "depois de 20 anos na escola, não é dificil aprender todas as manhãs do seu jogo sujo, não é assim que tem que ser". E eu gostava porque era a verdade: -Não é assim que tem que ser!

Depois de muitos anos, novamente uma musica me capturou incondicionalmente. É que eu não posso escutar esta música da Lily Allen, que reproduzo a letra abaixo, sem pensar que é isso o que eu queria estar dizendo para todos que defendem a propriedade privada de tudo, menos do que deveria ser um direito alienável dos seres humanos, o seu próprio corpo. Porque estes senhores, provavelmente de terno, que querem legislar que uma mulher não tem o direito de decidir se ela vai ou não interromper com uma gravidez que está acontecendo dentro do seu corpo. Assim como aqueles que não reconhecem o direito de homens e mulheres decidirem partilhar a intimidade do seu corpo com pessoas do mesmo sexo, estes senhores de terno são hipocritas. E suas esposas abortam em clinicas de luxo. Eu odeio o que eles fazem. Porque eles fazem isto e por tudo o mais. Para estes senhores de terno, eu gostaria de cantar bem alto:Fuck you

Lily Allen

Look inside
Look inside your tiny mind
Now look a bit harder
Cause we're so uninspired,
So sick and tired
Of all the hatred you harbour.

So you say
It's not OK to be gay
Well I think you're just evil
You're just some racist
Who can't tie my laces
Your point of view is medieval

Fuck you (fuck you)
Fuck you very, very much
Cause we hate what you do
And we hate your whole crew
So please don't stay in touch

Fuck you (fuck you)
Fuck you very, very much
Cause your words don't translate
And it's getting quite late
So please don't stay in touch

Do you get
Do you get a little kick out of
Being small-minded?
You want to be like your father,
His approval you're after
Well that's not how you find it.

Do you,
Do you really enjoy
Living a life that's so hateful?
Cause there's a hole where your soul should be
You're losing control of it
And it's really distasteful

Fuck you (fuck you)
Fuck you very, very much
Cause we hate what you do
And we hate your whole crew
So please don't stay in touch

Fuck you (fuck you)
Fuck you very, very much
Cause your words don't translate
And it's getting quite late
So please don't stay in touch

Fuck you, fuck you, fuck you
Fuck you, fuck you, fuck you
Fuck you

You say you think we need to go to war
Well you're already in one
Cause it's people like you
That need to get slew
No one wants your opinion

Fuck you (fuck you)
Fuck you very, very much
Cause we hate what you do
And we hate your whole crew
So please don't stay in touch

Fuck you (fuck you)
Fuck you very, very much
Cause your words don't translate
And it's getting quite late
So please don't stay in touch
Fuck you (fuck you)

Não consigo mais parar de cantar e fico cheia de vontade de dançar...
E, tem mais, fico imaginando a Dilma dizendo isso para Elles...
Quem sabe não está faltando só a gente começar?

Frase do dia

"Se o Serra fosse o presidente do Chile, os mineiros iam ter que pagar pedágio pra sair do buraco."

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Desabafo!!!

video

Vou votar no Serra

Desculpem, meus amigos, mas vou votar no Serra.

Cansei de ir ao supermercado e encontrá-lo cheio. O alimento está barato demais. O salário dos pobres aumentou, e qualquer um agora se mete a comprar, carne, queijo, presunto, hambúrguer e iogurte.

Cansei dessa história de PROUNI, que botou esses tipinhos, sem berço, na universidade. Até índio, agora, vira médico e advogado. É um desrespeito... Meus filhos, que foram bem criados, precisam conviver e competir com essa raça.

Cansei dos bares e restaurantes lotados nos fins de semana. Se sobra algum, a gentalha toda vai para a noite. Cansei dessa demagogia.

Cansei de ir em Shopping e ver a pobreza comprando e desfilando com seus celulares. Cansei dos estacionamentos sem vaga. Com essa coisa de juro baixo, todo mundo tem carro, até a minha empregada. "É uma vergonha!", como dizia o Boris Casoy.

Com o Serra os congestionamentos vão acabar, porque como em São Paulo, vai instalar postos de pedágio nas estradas brasileiras a cada 35 km e cobrar caro, muito caro.

Desculpem mas Voto no Serra....

O governo reduziu os impostos para os computadores. A Internet virou coisa de qualquer um. Pode? Até o filho da manicure, pedreiro, catador de papel, agora navega, tem Orkut... Vergonha, vergonha, vergonha...

Cansei dessa história de facilitar a construção e a compra da casa própria (73% da população, hoje, tem casa própria, segundo pesquisas recentes do IBGE). E os coitados que vivem de cobrar aluguéis? O que será deles?

Cansei dessa palhaçada da desvalorização do dólar. Agora, qualquer um tem MP3, celular e câmera digital. Qualquer umazinha, aqui do prédio, vai passar férias no Exterior. É o fim...

Também cansei dessa coisa de biodiesel, petroleo do pré-sal, de agricultura familiar. O caseiro do meu sítio agora virou "empreendedor" no Nordeste. Pode?

Cansei dessa coisa assistencialista de Bolsa Família. Esse dinheiro poderia ser utilizado para abater a dívida dos empresários de comunicação (Globo, SBT, Band, RedeTV, CNT, Folha, Estadão, etc.). A coitada da "Veja" passando dificuldade e esse governo alimentando gabiru em Pernambuco. É o fim do mundo!!!

Vou votar no Serra. Cansei, vou votar no Serra, porque quero de volta as emoções fortes do governo de FHC, quero investir no dólar em disparada e aproveitar a inflação. Basta! Vou votar no Serra. Quero ver essa gentalha no lugar que lhe é devido. Quero minha felicidade de volta.

Se você também é milionário, vote no Serra!
(Autor desconhecido - recebido por e-mail.)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Good times never seem so good

São três dias acordando com um nó entre a garganta e o estomago. Lembranças. Saudades. Fantasio uma história que nunca aconteceu. Lembro dos sinais que nunca vi. Você está ali onde sempre foi o seu lugar. Vai ficar apenas alguns minutos. Talvez volte de novo, passar mais meia-hora daqui há 5 anos. Fiz de tudo para você não sair dali, menos o que você queria que eu fizesse. Levei 25 anos para saber que você foi o primeiro amor, platônico, mas amor. O peso desta revelação escorre pelos meus olhos. Foram aquelas que tranquei enquanto deixava você partir? E o que eu faço com todo este atraso? Como posso seguir em frente do mesmo jeito agora que não sei de mais nada? As imagens se fundem: você, Ele. Eu poderia transferir para você aquilo que talvez sempre tivesse sido teu se eu não tivesse tanto medo. Hoje, eu poderia ser feliz para sempre tendo você do meu lado. Pode ser que em uma ou duas semanas eu nem lembre mais do quanto isso mexeu comigo. Mas hoje, não consigo pensar em nada mais além da saudade que sinto de você.

(Good times always been so good)

sweet caroline from Box Car Racer on Vimeo.


p.s. Porque eu sofro influências dos vizinhos...;-)

Em leilão, os ovarios das mulheres

Eleições presidenciais 2010: em leilão, os ovários das mulheres!

por FÁTIMA OLIVEIRA*

“Isso aqui”, o Brasil, não é um colônia religiosa, não é um Reino e nem um Império, é uma República! Dado o clima do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, parece que as urnas vão parir uma Rainha ou um Rei de Sabá, uma Imperatriz ou um Imperador, que tudo pode, manda em tudo e que suas vontades e ideias, automática e obrigatoriamente, viram lei! Não é bem assim…

Bastam dois neurônios íntegros para nos darmos conta que o macabro leilão de ovários (com os ovários de todas as brasileiras!), em que o aborto virou cortina de fumaça, objetiva encobrir o discurso necessário para o povo brasileiro do que significa, timtim por timtim, eleger Dilma ou Serra.

No tema do aborto a tendência mundial é, no mínimo, o aumento dos permissivos legais, que no Brasil são dois, desde 1940: gravidez resultante de estupro e risco de vida da gestante. Pontuando que legalização do aborto ou o acesso a um permissivo legal existente não significa jamais a obrigatoriedade de abortar, apenas que a cidadã que dele necessitar não precisa fazê-lo de modo clandestino, praticando desobediência civil e nem arriscando a sua saúde e a sua vida, cabe ao Estado laico e democrático colocar à disposição de suas cidadãs também os meios de acessar um procedimento médico seguro, como o abortamento.

Negá-lo, como tem feito o Brasil, que se gaba de possuir um dos sistemas de saúde mais badalados do mundo que garante acesso universal a TODOS os procedimentos médicos que não estão em fase de experimentação, é imoral, pois quebra o princípio do acesso universal do direito à saúde! Eis os termos éticos para o debate sobre o aborto numa campanha eleitoral. Nem mais e nem menos!

Então, o que estamos assistindo nas discussões do atual processo eleitoral é uma disputa para ver quem é a candidatura mais CAPAZ de desrespeitar os princípios do SUS, pasmem, em nome de Deus, num Estado laico! Ora, quem ocupa a presidência da República pode até ser carola de carteirinha, mas para consumo pessoal e não para impor seus valores para o conjunto da sociedade, pois a República não é sua propriedade privada!

Repito, não podemos esquecer que isso aqui, o Brasil, é uma República que se pauta por valores republicanos a quem todos nós devemos respeito, em decorrência, não custa nada dizer às candidaturas que limitem as demonstrações exacerbadas de carolice ao campo do privado, no recesso dos seus lares e de suas igrejas, pois não estão concorrendo ao governo de um Estado teocrático, como parece que acreditam. Como cidadã, sinto-me desrespeitada com tal postura.

As opções religiosas são direitos pétreos e questões do fórum íntimo das pessoas numa democracia. Jamais o norte legislativo de uma Nação laica, democrática e plural. Para professor uma fé e defendê-la é preciso liberdade de religião, só possível sob a égide do Estado laico, onde o eixo das eleições presidenciais é a escolha de quem a maioria do povo considera mais confiável para trilhar rumo a um país menos miserável, de bem-estar social, uma pátria-mátria para o seu povo.

Ou há pastores/as e padres que insistem em ignorar a realidade? “Chefe religioso” ignorante de que a sua religião necessita das liberdades democráticas como do ar que respiramos, não merece o lugar que ocupa, cabendo aos seus fiéis destituí-los do cargo, aí sim em nome de Deus, amém!

O leilão de ovários em curso resulta de vigarices e pastorices deslavadas, de má-fé e falta de escrúpulos que manipulam crenças religiosas de gente de boa-fé para enganá-las, como a uma manada de vaquinhas de presépio, vaquejadas por uma Madre Não Sei das Quantas, cristã caridosa e reacionária disfarçada de santa, exemplar perfeito de que pessoas desse naipe só a miséria gera. Num mundo sem miséria, madres lobas em pele de cordeiro são desnecessárias e dispensáveis. É pra lá que queremos ir e o leilão de ovários quer impedir!

Quem porta uma gota de lucidez tem o dever, moral e político, de não permitir que a escória fundamentalista de qualquer religião, que faz da religião um balcão de negociatas que vende Deus, pratica pedofilia e fica impune e ainda tem a cara de pau de defender a impunidade para pedófilos e os acoberta desde os tempos mais remotos, nos engabele e ande por aí com uma bandeja de ovários transformando a escolha de quem presidirá a República num plebiscito pra definir quem tem mais mão de ferro pra mandar mais no território do corpo feminino!

Cadê a moral dessa gente desregrada para querer ditar normas de comportamento segundo a sua fé religiosa para o conjunto da sociedade, como se o Brasil fosse a sua “comunidade religiosa”? Ora, qualquer denominação religiosa em terras brasileiras está também obrigada ao cumprimento das leis nacionais, ou não? Logo o que certas multinacionais da religião fizeram no processo eleitoral 2010 tem nome, chama-se ingerência estrangeira na soberania nacional. E vamos permitir sem dar um pio?

Diante dessa juquira (brotação da mata pós-desmatamento), onde só medrou urtiga e cansanção, cito Brizola, que estava coberto de razão quando disse: “O Brasil é um país sem sorte”, pois em pleno Século 21 conta com candidaturas presidenciais (não sobra uma, minha gente!) reféns dos setores mais arcaicos e feudais de algumas religiões mercantilistas de Deus.

É hora de dar um trato ecológico na juquira que empana os ideais e princípios republicanos, fora dos ditames da “moderna” agenda verde financeira neoliberal da “nova política”, que no Brasil é infectada de carcomidas figuras, que bem sabemos de onde vieram e pra onde vão, se o sonho é fazer do Brasil um jardim de cidadania, similar ao que Cecília Meireles tão lindamente poetou.

“Quem me compra um jardim com flores?/ borboletas de muitas cores,/ lavadeiras e passarinhos,/ ovos verdes e azuis nos ninhos?/ Quem me compra este caracol?/ Quem me compra um raio de sol?/ Um lagarto entre o muro e a hera,/ uma estátua da Primavera?/ Quem me compra este formigueiro?/ E este sapo, que é jardineiro?/ E a cigarra e a sua canção?/ E o grilinho dentro do chão?/ (Este é meu leilão!)” [Leilão de Jardim, Cecília Meireles].

Em 2010 em nosso país o que está em jogo é também a luta por uma democracia que se guie pela deferência à liberdade reprodutiva e que considere a maternidade voluntária um valor moral, político e ético, logo respeita e apoia as decisões reprodutivas das mulheres, independente da fé que professam. Nada a ver com a escolha de quem vai mandar mais no território dos corpos das mulheres! Então, xô, tirem as mãos dos nossos ovários!


_____

* FÁTIMA OLIVEIRA é médica e escritora. Feminista. Integra o Conselho Diretor da Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR) e o Conselho Consultivo da Rede de Saúde das Mulheres Latino-americanas e do Caribe (RSMLAC). Escreve uma coluna semanal no jornal O Tempo (BH, MG), desde 3 de abril de 2002. Uma das 52 brasileiras indicadas ao Nobel da Paz 2005, pelo projeto 1000 Mulheres para o Nobel da Paz 2005. Autora dos seguintes livros de divulgação e popularização da ciência: Engenharia genética: o sétimo dia da criação (Moderna, 1995 – 14a. impressão, atualizada em 2004); Bioética: uma face da cidadania (Moderna, 1997 – 8a. impressão atualizada, 2004); Oficinas Mulher Negra e Saúde (Mazza Edições, 1998); Transgênicos: o direito de saber e a liberdade de escolher (Mazza Edições, 2000); O estado da arte da Reprodução Humana Assistida em 2002 e Clonagem e manipulação genética humana: mitos, realidade, perspectivas e delírios (CNDM/MJ, 2002); Saúde da população Negra, Brasil 2001 (OMS-OPS, 2002). Autora dos seguintes romances: A hora do Angelus (Mazza Edições, 2005); Reencontros na travessia: a tradição das carpideiras (Mazza Edições, 2008); e Então, deixa chover (no prelo).

E-mail: fatimaoliveira@ig.com.br Texto publicado como ESPECIAL PARA O VIOMUNDO, em http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/fatima-oliveira-comeca-a-reacao-das-mulheres-contra-o-aiatola-serra.html


FONTE: http://espacoacademico.wordpress.com/2010/10/13/eleicoes-presidenciais-2010-em-leilao-os-ovarios-das-mulheres/

Someone shared a clip with you on Vimeo

You can watch it here:
http://vimeo.com/8274553

sweet caroline

sweet caroline
http://vimeo.com/8274553

Qual a diferença entre o amor e a amizade?

Forward this email to your friends and family so that they can see it, too.

Don't want these alerts anymore?
http://vimeo.com/settings/notifications

LOVE,
vimeo

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Close to the edge

Primeiro dia de faculdade. A menina que vinha da escola de freiras, se espanta em ser uma das 6 únicas mulheres numa turma de 60. Acha bonitinho um rapaz com cara de bonzinho, cabelos lisos, short e chinelos andando com uma das outras garotas da sala. Toda vez que encontrava este rapaz, sentia uma coisa esquisita na boca do estomago. Não se sabe bem como, acabaram ficando amigos. Ele tinha todas as inseguranças do mundo. Ela também. Como todos os adolescentes, tinham motivos para isso. Mas ela não gostava de fraqueza e não se deixava abater, ou não demonstrava. E ele acabou virando o melhor amigo do mundo. Se falavam todo dia. Horas no telefone. Frequentavam a casa um do outro. Ele que a pegava e a deixava em casa nas noites de balada. A atração que ela inicialmente sentiu por ele não resistiu. Ele era o amigo bonzinho. Tão bonzinho e tão amigo que ela nunca imaginou que isso um dia pudesse acabar. Até achava que ele era um pouco afim dela, mas ele nunca disse nada e nunca fez nada. Melhor assim, ela não o magoaria. Nunca o magoaria. Até que um dia, uma amiga em comum chama ela para conversar e a esculacha. Diz que ela estava fazendo ele sofrer, que ela sabia do interesse dele e que se fosse andar sempre grudada nele precisava assumi-lo ou então parar de dar esperanças. Pânico. Ela não pensava nele como homem e não queria faze-lo sofrer. Ela vai conversar com ele. Os dois gaguejam, constrangidos ao extremo. Ela, ainda em estado de choque, diz que não o via como namorado. Dois dias depois, ele e a amiga em comum começam a namorar e se afastam dela. A "amiga" começa a virar a cara. Ele fica dividido, mas é proibido pela nova namorada de se aproximar da "bruxa". E tudo o que ele mais queria era uma namorada. Ela não o culpava. Passou meses racionalizando, tentando se convencer que tudo estava bem. Conseguiu se convencer. Não percebia que, num outro plano, a verdade era outra. Foi a primeira perda. A primeira dor. E foi tanta a dor, que ela parou de sentir. Desaprendeu a chorar.
Nunca o culpou. E aceitou sua amizade de volta, toda vez que ele precisou.
Como era jovem e tinha muito a descobrir sobre si mesma e sobre o mundo: foi à luta. Eram tempos animados: teatro, rock, passeatas, rapazes... Ela já tinha perdido mesmo o gosto pela faculdade, então, se jogou no mundo e foi em frente. Se reciclou. Se renovou.
Não mudou tanto assim, pois ainda acredita com todas as suas forças na amizade verdadeira.
Mas a verdade é que em dias como hoje ela se pergunta se outro desfecho para esta história teria sido possível.

domingo, 10 de outubro de 2010

Marina Silva em Wall Street

Repassando texto do Prof. Vladimir Safatle, da USP:

Com o programa econômico mais liberal entre todos, PV apresentou o novo centro, com roupagem “moderna”
Wladimir Safatle, Folha de S.Paulo, 4 de outubro de 2010
“Wall Street” é, entre outras coisas, o nome do novo filme do cineasta norte-americano Oliver Stone. Ele conta a história da crise financeira de 2008 tendo como personagem central um jovem especulador financeiro que parece ter algo semelhante ao que um dia se chamou pudor.
Sua grande preocupação é capitalizar uma empresa, que visa produzir energia ecologicamente limpa, dirigida por um professor de cabelos brancos e ar sábio. O jovem especulador é, muitas vezes, visto pelos seus pares como idealista. No entanto, ele sabe melhor que ninguém que, depois do estouro da bolha financeira, os mercados irão em direção à bolha verde. Mais do que idealista, ele sabe, antes dos outros, para onde o dinheiro corre. Enfim, seu pudor não precisa entrar em contradição com sua ganância.
Neste sentido, “Wall Street” foi feliz em descrever esta nova rearticulação entre agenda ecológica e mundo financeiro. Ela talvez nos explique um fenômeno político mundial que apareceu com toda força no Brasil: a transformação dos partidos verdes em novos partidos de centro e o abandono de suas antigas pautas de esquerda.
A tendência já tinha sido ditada na Europa. Hoje, o partido verde alemão prefere aliar-se aos conservadores da CDU (União Democrata-Cristã) do que fazer triangulações de esquerda com os sociais-democratas (SPD) e a esquerda (Die Linke). Quando estiveram no governo de Schroeder, eles abandonaram de bom grado a bandeira pacifista a fim de mandar tropas para o Afeganistão. Com o mesmo bom grado, eles ajudaram a desmontar o Estado do bem-estar social com leis de flexibilização do trabalho (como o pacote chamado de Hartz IV). Daniel Cohn-Bendit, um dos líderes do partido verde francês, fez de tudo para viabilizar uma aliança com os centristas do Modem. Algo que soaria melhor para seus novos eleitores que frequentam as praças financeiras mundiais.
No Brasil, vimos a candidatura de Marina Silva impor-se como terceira via na política. Ela foi capaz de pegar um partido composto por personalidades do calibre de Zequinha Sarney e fazer acreditar que, com eles, um novo modo de fazer política está em vias de aparecer. Cobrando os outros candidatos por não ter um programa, ela conseguiu esconder que, de todos, seu programa era o economicamente mais liberal. O que não devia nos surpreender. Afinal, os verdes conservaram o que talvez havia de pior em maio de 68: um antiestatismo muitas vezes simplista enunciado em nome da crença na espontaneidade da sociedade civil.
Não é de se estranhar que este libertarianismo encontre, 40 anos depois, o liberalismo puro e duro. De fato, a ocupação do centro pelos verdes tem tudo para ficar. Ela vem a calhar para um eleitorado que um dia votou na esquerda, mas que gostaria de um discurso mais “moderno”. Um discurso menos centrado em conflitos de classe, problemas de redistribuição, precarização do trabalho e mais centrado em “nova aliança”, “visão integrada” e outros termos que parecem saídos de um manual de administrador de empresas zen. Alguns anos serão necessários para que a nova aliança se mostre como mais uma bolha.
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VLADIMIR SAFATLE é professor no departamento de filosofia da USP.

sábado, 9 de outubro de 2010

Sentido da Vida será descoberto, dizem Ibope e Datafolha

cura ibope datafolha Sentido da Vida será descoberto, dizem Ibope e Datafolha

Após as Eleições, os institutos querem levar a precisão de suas pesquisas para o ramo científico.

Passado o primeiro turno das Eleições, os maiores institutos de pesquisa do Brasil unem-se pela primeira vez para divulgar previsões inéditas que podem mudar os rumos da ciência mundial.

O Sentido da Vida, do Universo e tudo mais é uma das maiores questões da humanidade. Sua resposta tem sido pesquisada há anos pelos mais renomados cientistas e médicos do planeta.

Diante desse cenário, os institutos Ibope e Datafolha foram às ruas para saber da população quando será que essa pergunta terá resposta completa e definitiva.

Segundo as pesquisas, as chances para o Sentido da Vida ser obtido ainda neste ano é de 96%. A margem de erro da pesquisa é de 42 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Logo após dedicarem seus esforços para fazer as previsões que fizeram sobre as Eleições, os institutos afirmaram que neste momento preferem voltar-se à pesquisa cinentífica, um campo de trabalho que acreditam conhecer melhor.

“Infelizmente, erramos metade de nossos palpites para as Eleições deste ano”, lamentou Cauê Bonifácio, coordenador de pesquisas da recém-criada joint-venture Datafolha-Ibope. “Talvez tenha nos faltado sorte, eu mesmo tinha certeza que a Dilma venceria no primeiro turno”.

Perguntado pelo Diário de Barrelas sobre as pesquisas de intenção de voto para o Senado em São Paulo, Bonifácio preferiu não comentar.

Após adentrarem o mercado de pesquisas científicas, Ibope e Datafolha prometem expandir ainda mais o escopo de seu trabalho.

“Queremos presentear o Brasil e o mundo com a precisão de nossas pesquisas”, comentou Bonifácio. “Até o final do ano deveremos divulgar resultados que mudarão os rumos da biotecnologia, da busca pela cura do câncer até da ciência dos foguetes.

Sobre foguetes, Bonifácio adiantou que, em uma simulação dos institutos, o homem tem 54% de chances de chegar a Saturno em 2011. “Isso eu garanto!”, exaltou.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

FRASE DA SEMANA

A Dilma pode não ser a candidata dos nossos melhores sonhos. Mas, o Serra é, com certeza, o candidato dos nossos piores pesadelos.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

"Nada é só Bom"

A felicidade pode ser uma mercadoria ordinária, vendida e não entregue
Eliane Brum
Ao assistir ao novo filme de Arnaldo Jabor, “A Suprema Felicidade”, fiquei desesperada porque não tinha uma caneta e um bloquinho. Eu nunca ando sem uma caneta e um bloquinho. Mas assisti ao filme na abertura do Festival de Cinema do Rio, na quinta-feira (23/9), vestida para festa e com uma daquelas bolsas ridículas onde mal cabem o batom e o dinheiro do táxi. Um problema quando ouvimos uma frase realmente ótima e tudo o que encontramos para retê-la é um bastão com algum nome bizarro como “beijo fatal”. Tive de apelar para a minha péssima memória porque há no filme algumas frases imperdíveis. Daquele tipo essencial, tão boas que parecem simples e até óbvias e você quer morrer por nunca tê-las escrito. Estas frases unem as memórias do cineasta, que vão emergindo no filme do mesmo modo que as lembramos na vida – sem linearidade e só aparentemente descosturadas. Fiquei repetindo-as durante toda a sessão para mim mesma. Consegui que sobrevivessem razoavelmente ilesas. E a primeira delas é a do título desta coluna: “Nada é só bom”.
Virou meu mantra desde então. Vejo tanta gente sofrendo por aí, achando que sua vida está aquém do que deveria ser, porque tudo deveria ser só bom. Não sei quando nos enfiaram garganta abaixo esta ideia absurda de um estado de felicidade absoluta. Uma espécie de nirvana a ser alcançado em que nada mais nos perturbaria e que seríamos felizes para sempre. Na verdade, só há um jeito de isso acontecer: podemos ser felizes e mortos. Porque este estado imperturbável, imune à vida, só se alcança na morte.
Acho que a grande causa atual de infelicidade é a exigência da felicidade. É o deslocamento do lugar da felicidade para o centro da vida, como um fim a ser alcançado e a medida de uma existência que valha a pena. Se nos lembrarmos bem dos contos de fadas, o “e foram felizes para sempre” era exatamente o fim da história. Era quando o conto morria num ponto final porque não havia mais nada relevante para ser contado. Tudo o que interessava, o que nos hipnotizava e nos mantinha pedindo a nossos pais ou à professora ou a nós mesmos “de novo, conta de novo”, era o que vinha antes. O desejo, as turbulências, os avanços e recuos, os tropeços e os arrependimentos, os erros, o frio na barriga, a busca. Tudo aquilo que é a matéria da vida de todos. O que realmente importa.
Acho impressionante a quantidade de adultos pedindo um final feliz para as suas vidas, para suas histórias de amor, para o sucesso profissional. Não há nenhum mistério no final. Independentemente do que cada um acredita, o fato é que no final a vida como cada um a conhece acaba. Para viver, o que nos interessa não são os pontos finais, mas as vírgulas. Os acontecimentos do meio, o enredo entre o primeiro parágrafo e o último.
Escrevo pequenas histórias de ficção em um site de crônicas e alguns leitores se manifestam, por comentários ou por email, reclamando do desfecho. Eles me ensinam sobre esta exigência da felicidade por toda parte. Pedem, com todas as letras, “um final feliz”. Sentem-se traídos porque não dou isso a eles. Mas voltam na semana seguinte para se perturbarem com o desfecho do novo conto e reclamar mais uma vez. São adultos pedindo histórias da carochinha. E consumidores bem treinados para achar que tudo é produto de consumo.
Acham que ofereço a eles cachorro-quente. Por favor, um pouco mais de mostarda, duas salsichas, menos pimenta no molho. É muito interessante. Mas, de algum modo, algo nos meus “finais infelizes” os engata. Porque, em vez de me deixar para lá e ler algo mais “feliz”, voltam por alguma razão. Talvez descobrir se me rendi a tal da felicidade.
A ideia de felicidade como um fim em si mesmo encobre e desbota tanto a delicadeza quanto a grandeza do que vivemos hoje, faz com que olhemos para nossas pequenas conquistas, nossos amores nem sempre tão grandiloquentes, nosso trabalho às vezes chato, como se fosse pouco. Apenas porque nem a conquista nem o amor nem o trabalho é só bom. E há uma crença coletiva e alimentada pelo mundo do consumo afirmando que tudo deveria ser só bom. E se não é só bom é porque fracassamos.
Deixamos então de enxergar a beleza de nosso amor imperfeito, de nossa família imperfeita, de nosso trabalho imperfeito, de nosso corpo imperfeito, de nossos dentes imperfeitos e até de nossas taxas de colesterol imperfeitas. De nossos dias imperfeitos. Escolher como olhamos para nossa vida é um ato profundo de liberdade que temos descartado em troca de propaganda enganosa.
Tanta gente se esquece de viver o que está aí em troca desta mercadoria ordinária chamada de felicidade. Que, como toda mercadoria, tem essência de fumaça. Se tivesse de escolher entre esta felicidade de plástico que vendem por aí e a infelicidade, preferiria ser infeliz. Pelo menos, a infelicidade me faz buscar. E a felicidade absoluta é mortífera, ela mata o tempo presente.
Não tenho nenhum interesse por esta pergunta corriqueira: “Você é feliz?”. Acho uma questão irrelevante. O que me interessa perguntar a mim mesma – e pergunto a todos a quem entrevisto é: “Você deseja?”
Desejar é o contato permanente com o buraco, com a falta, com a impossibilidade de ser completo. Desejar é o que une o homem à sua vida. Une pela falta. Tem mais a ver com um estado permanente de insatisfação. Não a insatisfação que paralisa, aquela causada pela impossibilidade da felicidade absoluta; mas a insatisfação que nos coloca em movimento, carregando tudo o que somos numa busca permanente de sentido. Desejar é estar sempre no caminho, conscientes de que o fim não importa. O fim já está dado, o resto tudo é possibilidade.
No filme de Arnaldo Jabor, as melhores frases são de Noel, avô do personagem principal, vivido pelo enorme Marco Nanini. Numa ocasião ele diz ao neto: “Ninguém é feliz. Com sorte, a gente é alegre”. E completa: “A vida gosta de quem gosta dela”. Achei de uma simplicidade brilhante. É isso, afinal. É claro que há uns poucos momentos de felicidade, mas, como diz Noel em seguida, eles duram no máximo uns 10 minutos e se vão para sempre.
Em vez de ficar perdendo tempo com finais felizes ou se perguntando sobre a felicidade ou invejando a suposta felicidade do vizinho ou se sentindo mal porque não é um personagem de comercial de margarina, vale mais a pena tratar de viver. Tratar de gostar da vida para que ela goste de você.
Aliás, nada me dá mais medo do que gente que vive como se estivesse num comercial de margarina. Se aceitarem um conselho: corram dessas vidas de photoshop. Elas não existem. Gente de verdade vive do jeito possível – e tenta lembrar que o possível não é pouco. Isso não significa se acomodar, pelo contrário. Mas abrir os olhos para a novidade do mundo na soma subtraída de nossos dias, desejar a vida que nos deseja.
É como em outra frase, esta dita por um comprador ambulante de coisas antigas num momento crucial do filme. Um delirante Noel, assustado com a proximidade da morte e disposto a retomar a alegria, sacode na rua o personagem de Emiliano Queiroz, gritando: “Hoje é sábado, hoje é sábado”. E o comprador de coisas que já perderam o sentido diz a frase antológica, digna de um frasista como Nelson Rodrigues: “O sábado é uma ilusão”.
Sim, o sábado é uma ilusão. Então, lembre de viver também de segunda a sexta.