segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Desordem

Desses vazios. Dessas noites. Sem sono. 
Ou ainda com sono. Que não consigo dormir. 
Sem coragem. Sem bagagem. Mas Esquece. É bobagem. 
Já nem sei. Porque não lembro. Mas é assim. É sempre assim. Uma hora passa. Porque sempre passa. Eles me dizem.

É o que dizem.

Não se preocupe. Não é surpresa. É só tristeza. É só vazio. 
Cada. Palavra. Repetida. 
Vira verso. No verso. Dessa história.
Então não ligue. 
Se eu te ligar. No meio da noite. E começar a dizer. Um monte de coisas. Que não fazem sentido. 

Porque as vezes tem horas. Que não quero falar nada. E começo a falar tudo.

Mas logo as horas passam. 
E tudo soa confuso.
O vazio retoma.
De novo.
Silêncio.

domingo, 7 de setembro de 2014

Só pra não deixar passar antes que seja apenas uma lembrança insignificante.

Já tomei decisões erradas por influencia do charme masculino. No ambiente de trabalho tem dias que é muito dificil segurar a falta. No período fértil, puta que o pariu. É justamente quando vc tá mais magra, durinha e gostosa. Cada uma com o corpo que tem. Dá muita vontade de dar.
Teve um dia em que me assustei com o quanto isso me fragilizava. Eu já estava "na seca"nem me lembro mais a quanto tempo, quando aquele lindinho  das coxas torneadas veio falar comigo sobre algum acordo ou aliança. Alto, sorriso perfeito, olho no olho e leves toques de mão no braço enquanto fala. Delícia. Eu não estava escutando nada do que ele dizia, mas minha cabeça não conseguia parar de subir e descer enquanto eu imaginava beijar aquela boca. O povo envolta dele deve ter começado a achar que eu tava concordando com a proposta quando eu me dei conta que já não tinha mais controle de mim para poder negociar mais nada. Pedi ajuda para um dos nossos e saí de perto, ainda intoxicada. Perigoso para uma mulher com responsabilidades.
Entendi que se eu quisesse ser bem sucedida no mundo dos homens eu precisava estar bem comida. Se não, eu seria um risco para todos os que me mandatassem para alguma tarefa. Objetivo de vida. Dificil. Tinha que encontrar alguém com um pau maior que o meu na cama e que me respeitasse fora dela. Geralmente eles só tinham pra me oferecer ou um ou outro. Ou nenhum dos dois. Mulheres? Nunca conheci nenhuma com o pau maior que o meu. E não é de clitoris que eu estou falando. Sem falar do mimimi que não aguento nem em mim. Tudo ainda pela frente. Atravessei um deserto, na seca, na sede. E não foram só quarenta dias.
Aos 46 anos, outro relógio biológico urge. Gosto de nunca ter precisado de lubrificante, para nada. A menopausa vai me deixar seca?  Sacanagem, nem aproveitei ainda. Sim. eu precisava ser bem comida. E rápido. Tentei um sexo casual. Parei no primeiro. Frio. Pizza fria é bom, sexo não. Quanto mais quente, melhor. Inventei paixões. Quebrei a cara e continuei mal comida.

...

(continua)


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Nimphomaniac e eu

Escrevendo sob impacto de um filme que me tocou. Não tenho visto filmes por um longo tempo. Para mim filmes são para serem sentidos. Não me preocupo com detalhes técnicos, além daqueles que atrapalhem uma história de ser contada. Esta história foi contada. É perfeita como obra de arte.
Joe, como eu, queria mais do amanhecer do que estava a disposição. Transformou seu medo em agressividade. Rebelou-se. Encontrou um mundo que não estava disposto a dar nada para ela se ela não se enquadrasse. Preferiu a dor à mentira dos papeis socialmente esperados. Um filme moralista? Sim.  (spoilers) Sem final feliz. Mas uma moral que vai além. Ela sobrevive. Como uma arvore distorcida no deserto. Quem é realmente condenada é uma sociedade hipócrita que esconde sua falta de moral e empatia atrás de discursos racionalizados. Uma sociedade psicopata.
Diferente de Joe, acredito no amor. Porque acredito em mentiras. E começo a aceitar que eu tenho o direito de mentir. Porque é melhor fantasiar a vida e transformá-la num eterno carnaval. Inofensivas  mentiras podem até preencher um vazio de comunicação e levarem a uma entrega maior que é capaz de fazer o que existe de mais verdadeiro em cada ser humano aparecer. Ainda me espanto com este mundo novo que estou aprendendo a aceitar. Me espanto comigo dizendo tantos sims. E me regozijo. Há muito mais metaforas, histórias e fantasias do que a brutal realidade neste novo caminho que começo a percorrer e inventar. Para os inadequados há salvação na imaginação e na arte.


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Hummm....saudades de escrever

quarta-feira, 19 de março de 2014

The way we kiss

A metaphor. Love always begins like this. Gather my 80´s youth nostalgia, a one "so soft and lonely"  and some big hands playing bass. Music to hear, to dance and to the heart.
The urgency. Always. But now, even bigger than it is. Just a year here and a huge thirst of having everything at the same time now. Everyday seemed friday to me and I was dreaming of Mary Poole. Run and jumped in. Confused by the blue, thought it was the water dept. But it was thursday and he didn´t care about me.
I try to laugh about it hiding the tears in my eyes.


http://youtu.be/CU9K-gzMQ60


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A Urgência


Mais um ano começou, Janeiro chegou e, com ele, um novo velho amigo: o CTI.

Fui internada no dia 29 com embolia pulmonar, e como se isso já não fosse perigoso por si só, o meu caso foi bem específico, causado por um coágulo resultante de uma trombose. Foram apenas três dias de CTI, que até tirei de letra. Mais quatro dias no quarto, e já estava pronta pra voltar pro mundo real.

Confesso que voltar pros 40º do Rio de Janeiro foi bem difícil, mas se eu sobrevivi a uma embolia e uma trombose, o resto é moleza (ou não).

Brincadeiras à parte, foram dias bastante difíceis. Alguns mais, outros menos. Mas sempre vejo as dificuldades como aprendizado e, mais do que isso, sabia que aquilo nada mais era que resultado das minhas escolhas, E se a gente deve mesmo aceitar as consequências do que achamos que nos faz melhor, essa era uma das minhas. Castigo, punição, puxão-de-orelha, o que seja. Era algo que eu precisava pagar pra aprender.

Aquela dor desconcertante na lombar, nada mais era que a reunião de um pouco da dor de cada dia. Cada cigarro acesso na varanda ou no volante, nada mais era do que uma fumaça que enganava o nó na garganta que se formou no dia que ela foi embora. Uns dias mais, outros menos. Um, três, sete, quinze por dia. 
Quis fugir de uma dor, outra se formou.
Enfarto pulmonar, punções que deram errado e mesmo todos hematomas que se formaram. Nada doeu mais do que a falta que ela ainda faz.

É. Talvez eu ainda esteja arrependida por não ter esperado o tempo. Talvez tenha dado tempo demais pro fim e pra dor. Mas a verdade é que o universo sempre nos dá o que a gente pede, e se eu pedi uma dor para poder aceitar o fim, taí: pedido atendido.
O que importa é que mais um mês - tirando o remédio das 17h e os exames semanais que vão me acompanhar por mais 6 meses - nada mudou. O tempo não volta, a saudade não dá brecha. Get over it.

Vida que segue.
h'[m]

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O poema interminado



E fazendo aquela limpa no Desktop, achei um poema que ficou pra depois.

Não é sobre jeito que você faz o café
ou sobre como você me puxa ao deitar.
Não é sobre como você acende o cigarro
nem sobre como você ri vendo tevê.

Não é por você estar sempre linda,
nem por você conquistar tudo com um olhar.
Não é pelo beijo que me derrete,
nem por ajeitar o meu cabelo com a ponta dos dedos.


É sobre esse sorriso festivo
que carrego desde a primeira vez que te vi
É pelo aperto que dá
toda vez que você precisa partir.

Não é sobre os seus olhos que brilham,
nem pelo short branco que voce tanto gosta.

(era pra ter sido continuado.)


Sem título e sem fim, o documento é datado de 26 de agosto. Hoje, 115 dias depois, nem se trataria mais sobre vícios e apegos, mas apenas sobre lembranças. Não seria mais sobre o porquê de querer namorar com ela, mas sim sobre o porquê de não conseguir esquecer.


h'[m]

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A arte de se foder em looping


E aí que você sofre uma desilusão amorosa e se fecha em sua dor. Passa um ano e cinco meses aprendendo a viver sozinho. Centenas de pessoas cruzam o seu caminho durante um dia. Milhares durante uma semana. E de repente, não mais que repente, um dia alguém cruza o seu caminho e você para. Mesmo com a correria do dia-a-dia, você não consegue mais olhar as centenas, mas sim aquele par de olhos.
Pronto. Fodeu. Vai começar de novo.

Você se odeia porque tava mal vestido. Ou porque estava com o cabelo despenteado. Seu carro estava imundo. Você fez barbeiragem no trânsito. Você acha que ela nunca mais olharia pra você de novo. Foda-se. Lembre-se. Seu mundo parou. Só ela pode fazer girar de novo.Você  precisa tentar.
Então você tenta, meio sem jeito, puxar algum assunto. Toma coragem e chama pra sair. Se fodeu, olha: ela aceitou.

E aí vocês saem pra jantar. Ela adorou o vinho que tomou a noite. Uma semana depois chega uma caixa dele na casa dela. Ela amou. E você? Claro! Se fodeu. Fazem os passeios mais bobos parecerem incríveis, e ela tira 30 fotos sua, na mesma pose, para achar o melhor ângulo. Então você decide fazer algo especial. Relaxa, não tá cedo demais, tá na hora certa. Você pergunta, e ela aceita namorar com você. Bom, aí fodeu pra caralho de vez.
Porque você vai viajar. Mas tá tudo tão incrivelmente mágico, que você já não quer mais ir. Sabe aquela viagem que você planejou a vida inteira e sempre quis fazer? Você queria ontem. Hoje não sabe se quer.
- Mas e se for o amor da minha vida? Vou largar ela aqui?

Meu bem, o amor da sua vida te esperou por 20 e tantos anos. Vai te esperar por mais um mês. Então vá com Deus, e volte morrendo de saudades. Passeie pelos lugares lembrando dela, e de como ela iria amar aquele café da esquina. Ela tiraria fotos incríveis desse jardim. Os dias se arrastam. Tudo que vê lembra ela. E eu nem vou repetir que você se fodeu, a essa altura, você já entendeu isso. Pelo menos passou rápido, tá na hora de voltar.
Voltou morrendo de saudades? Se fodeu! Porque ela já não tá mais nem aí pra você.

O seu jeito desajeitado, que antes podia até ser um charme, agora incomoda. E balançar o talher enquanto conversa durante as refeições, acredite, está nauseando ela. As mensagens que ela te mandava ao longo do dia, passam a ter hora marcada. Fotos surpresa? Esqueça. As horas de assuntos aleatórios se tornam monólogos de poucos minutos. Escute o que tô falando. Você se fodeu!

O tempo dela começa a ficar curto. Quando ela chega, vocês estão tão distantes que um beijo de boa noite é quase um adeus. E quando ela não vem é porque, você sabe, tá fodido.

Então, amigo, você precisa fazer algo.
Você decide conversar, mas já não se entendem mais. Falam dialetos particulares e, bom, esquece e fica pra outro dia. Empurre com a barriga.
A ausência dela te incomoda? Ela está conectada e não tá falando com você? Melhor não pensar nisso. A saudade corrói de uma forma que você não consegue explicar.
Abre o armário e encontra o casaco vermelho que ela esqueceu qualquer dia desses. Engula esse nó e pare de pensar em todas as vezes que o casaco esteve lá, mas ela não. E talvez, qualquer dia ela volte pra buscar. Ou não. Fodido, fodido e meio.

Chega. Não dá mais. A saudade te rasga partes do peito que você nem se lembrava ter mas, repare, ela não tá com saudades de você.
Tem um adeus em silêncio e, acredite, ele precisa ser dito.

Você diz que precisa conversar. Ela te chama pro mesmo restaurante onde disse que sim. Você chega, ela não tem nada pra dizer. A conversa vira um looping infinito de coisas que você não entende. Nem ela. Então você percebe que nada que fale trará ela de volta. 
- Chega! Pra mim não dá! Quero terminar. - você desabafa.
E ela responde com um "ok".

Então você tira o casaco vermelho, aquele que você, em sua conversa imaginaria, imaginou ouvir: "deixa na sua casa junto com minhas coisas, amor, talvez eu precise no final de semana que vem". Ela pega o casaco, o tempo vira. A cordialidade se transforma num mar de ofensas. Você acende um cigarro pra se equilibrar no meio do tsunami. Dá um beijo, um abraço sem resposta, e pega o taxi. Terminou mal por causa de um casaco. Mas poderia ter sido simplesmente por você estar de camisa branca. Então, get over it.
Bom, eu tava tentando não falar mas, amigo, você sabia que já tava fodido.

Tudo bem, eu entendo se você terminar a noite enchendo a cara pra esquecer. Mas a ressaca do dia seguinte vai te fazer lembrar.
Eu te falei. Da ressaca. E do quanto você estava fodido.

As palavras dela vão te corroer por bastante tempo. Você vai se fechar em sua dor por um outro tempo. E você vai ficar assim, fodido, até o dia em que cruzar com outra pessoa que fará o seu mundo parar e você perceber: estará começando a se foder mais uma vez.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Esta na hora de identificar corretamente o inimigo

Vou contar que vi ontem. Desculpem os erros e imprecisões. Não é um documento político, mas um desabafo. 
Cheguei na manifestação depois de descer no aeroporto, vindo pelo ônibus do Cenpes. Não pude pegar o trenzinho que teve seu trajeto alterado até a Rodoviária. No caminho do aeroporto à Candelária, grupos de jovens, a maioria de branco, cantavam e carregavam cartazes. Poucos de vermelho, me sentia um peixe fora d'água. Por volta das 17:30, cheguei na Candelária. Tentei procurar o pessoal da CUT e não achei. Segui com a passeata e um grupo de velhos militantes lendo os cartazes e tentando entender o que se passava. Um ou outro cartaz contra a Dilma, mas a maioria esmagadora questionando os gastos da Copa, pedindo saúde, educação, transporte público e contra a "cura gay". Não era um movimento de direita. Estavam lá os centristas  sem perspectiva de classe influenciados pelo falso debate contra a PEC 37. Sem problemas. Faz parte da massa.  Movimento de massa  cabe tudo mesmo. Inclusive a direita, mas esta seria facilmente neutralizada pela aliança entre a juventude e a classe operária.  Era isto que pensava àquela hora.
Poucos conhecidos no meio daquela multidão incalculável. À eles pergunto sobre os cutistas: bandeiras rasgadas e dispersados. Como assim? A mesma notícia sobre PSTU, PSOL, PCO e os partidos que sempre estão com suas bandeiras nas lutas e nas ruas. Ironia do destino. Desunidos por nossa própria decisão, unidos pela passeata no repudio a  nossa livre expressão. Não me surpreendi com esta unidade forçada. Sempre vi em minha categoria, que o discurso anti-FUP não fortalecia a FNP, mas sim enfraquecia a confiança da categoria nas entidades sindicais. Assim como o discurso anti-PT é, no fundo, o discurso anti partidos da classe operária. Infelizmente, não tem almoço grátis e se enganava quem achava que teria algum atalho, e se regozijava com os problemas que existem no PT, na CUT e na FUP.  Na hora H, estamos todos no mesmo saco. Mas entender isso ainda era pouco para o que estava por vir.
A ficha começou a cair quando tentei voltar para casa e não tinha ônibus nem metrô. A multidão começa a se dispersar procurando sair da linha de fogo da polícia, sem poder sair do Centro. Consegui chegar no prédio do Edise e  convencer um taxista a me levar pra casa. Pra pagar lá, porque meu salário Petrobras não me permite ser usuária de taxis. Entendo a revolta do povo, é o que sinto cada vez que pago a conta no supermercado.
Em casa, encontro minha filha. Ela tinha descido do metro na praça 11 e mal chegou na manifestação tinha sido atacada por bombas de gas lacrimogênio. Não soube disso antes, apesar de dezenas de tentativa de ligar ou mandar mensagens porque os telefones celulares não completavam ligação.
Ligo a TV e vejo a cena das bandeiras da CUT sendo rasgadas. Ligo o computador e fico sabendo pelo Facebook dos manifestantes cercados na FND e no IFCS. no Circo Voador. Boatos de cerco a sede do PSTU. 
Me restou explicar para minha filha, que também achava que nenhum partido deveria se " aproveitar " das manifestações, para explicar porque ninguém tem o direito de negar a livre expressão das organizações dos trabalhadores e dos  perigosos precedentes que isto abre. Ela entende e chora. Se sente culpada por  ter gritado "sem partido". É uma juventude que está em disputa e só tem ainda a rebeldia. Sem convicções arraigadas. Uma juventude que os partidos de esquerda, principalmente o PT, não educou politicamente. Não posso entregar esta juventude para a direita sem lutar por ela. 

Não tenho dúvidas que a mão que rasgou as bandeiras da CUT faz parte do mesmo corpo que a mão que jogou bombas amputando pés e mãos de manifestantes e cuja cabeça preparou no Centro da Cidade do Rio uma armadilha para caçar manifestantes. O que mais vem por aí? 

Independente do que seja, só poderemos enfrentar esta batalha se formos todos juntos


Nota de atualização:

Em 21/06, Dilma se dirige à Nação e diz que vai fazer um pacto com os governadores. Algo está estranho nisso e não é a insuficiência das medidas que anuncia (100% de royalties para educação e médicos cubanos). Estranho é tentar resolver um problema com quem o criou. Ou não foi a violenta repressão da PM de Alkmim que levou o movimento a extrapolação da luta pela redução da tarifa de ônibus no dia 13? Ou não é a PM do Cabral que em sua ação guerrilheira que aumenta a revolta dos manifestantes? Dilma se calou sobre a violência policial. Enquanto isso, os que sempre estiveram nas ruas estão batendo boca com os que chegaram agora, numa falsa discussão que só serve para desviar a atenção do verdadeiro inimigo; o aparelho de estado e seu braço repressor. Lula e Dilma tem gerido este aparelho de forma a aumentar a inclusão social através do emprego e do consumo, mas não mexeram em nada nas instituições herdadas da ditadura e, agora, quando todos os editoriais chamam por produtividade (leia-se demissões) , este mesmo aparelho de estado e sua policia militarizada ( com sua vertente bandida - que paga os arregos)  provocam os manifestantes e pressionam Dilma a se pronunciar pela ordem e firmeza da polícia. Está na hora de saber como enfrentar o inimigo comum e chamar Dilma para o nosso lado.

terça-feira, 11 de junho de 2013

a boa filha

Querido diário é o cacete! A frase épica para o post de hoje é: "I'm Back".


Muitos pensaram que eu não voltaria. Eu pensava que não voltaria. Até os médicos pensavam que eu não voltaria. Mas isso já é outra história.

Seis meses já se passaram desde o meu último texto postado aqui. Tanta coisa aconteceu, tanta... que de quase morte, veio muita vida.
Pra vocês não se sentirem tão estranhos, vou resumir em três pequenas fases: Novembro a Janeiro foi a fase hard-working. Trabalhei e apanhei muito por aqui. E, olha, que pra eu falar que foi muito, é porque foi muito mesmo.

O final de Janeiro foi o mês do medo. Tive uma pancreatite extremamente grave. Mesmo, também. Passei 20 dias no CTI testando minha popularidade e minha queridice. No céu e na terra. A Lição da vida veio em meados de Feveiro. E essa fase de queda-recuperação durou até meados de Abril.

E Maio, assim como em 1984, foi o mês do meu nascimento. Mais que isso: renascimento. Foi quando aprendi o valor de pequenas coisas. Que ser querido não significa ser importante. E que a máxima "dê valor a quem te dá valor" é algo que temos que seguir dia a dia. Maio veio para iniciar a fase de superação!

Não lembro de nada extremamente relevante por agora, mas o importante é que a passagem pelo percurso hard-working, queda-recuperação e superação, foram bastante relevantes para mim. Como todo mundo que passa por algum trauma, a vida começa agora.
Então, queridos amigos, bem vindos a minha nova vida!

;*
h'[m]

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Teu aniversário

http://grooveshark.com/s/And+When+I+Die/4vLQtJ?src=5

As mesmas pessoas, amigos teus, que tenho visto nos teus aniversários. Alguns mais próximos também, os mais antigos. O restaurante legal, comida boa, ambiente bom. Você, provavelmente, não o escolheria para comemorar teu aniversário por causa do preço. Mas era o dia do teu aniversário, e o almoço, depois do teu enterro.
Nem tinha te ligado ainda para saber o que você ia querer fazer este ano. Queria ter ligado. Imagino que você quis se dar de presente uma excessão, um refresco no meio da batalha pelo novo emprego, um vôo, livre...num lindo por de sol de verão carioca. Você iria relaxar. Na semana do teu aniversário, era merecido.
Imagino mil coisas. Que o desejo de voar era tão grande que não deu importância a sinais de alerta, às reclamações do corpo, cansado de carregar o parapente na trilha da Gávea.  Fico tentando imaginar o instante em que tomou as decisões erradas: Não desistir da trilha e buscar socorro. Disciplina, determinação?

Estava pensando em te ligar também para te atualizar das novidades e contar dos progressos que vinha fazendo. Era você quem vinha se interessando e me ajudando a estabelecer prioridades e prazos nas soluções dos problemas. Então, apesar de não falar sempre com você, eu mantinha com você um diálogo mental diário. E a janela do teu apartamento fazia parte da minha paisagem cotidiana na ida para o trabalho. As coisas que você me ensinou também; como mudar a marcha quando a rotação estivesse em torno de 3000.
Você tinha sido escolhido para ser aquele que ouviria minhas aflições nos momentos em que a ausência de um pai para minha filha se tornasse um fardo pesado demais. E estava sempre à disposição para isso. Quando eu disse que não aguentava mais perder meus amigos homens para suas namoradas ciumentas, você me disse que nunca se afastaria. E me ensinou a pedir ajuda.
Pelo menos você não partiu sem eu  mostrar que conseguia te enxergar por trás da aparente frieza. E conseguia.Quando o Maurinho disse que você ia levar uma amiga, Luna, para a Fazenda, eu sabia, sem ninguém me dizer, que ele tinha entendido mal e que você iria levar a Lua, a Golden da Moniquinha.  Nunca vi teus olhos brilharem por mulher nenhuma tanto quanto pela Lua. E ela te seguia, brincando feliz e balançando o rabo por todos os cantos. As crianças também. E eu admirava esta capacidade de se apegar aos animais e filhos dos outros como se fossem teus. Era este mesmo despreendimento que me impressionava quando você saia de casa sem trancar a porta para que os amigos que precisassem pudessem entrar. Você era capaz disso. O único que conheci assim.

Fico triste por você, pelos filhos que não teve. E porque este medo te afastou das mulheres que te amaram. Principalmente, porque você não teve tempo de consertar isto quando percebeu que poderia.


Fico triste porque na minha caixa de e-mails não vão chegar mais descrições de aventuras do outro lado do mundo nem fotografias tiradas do céu.
 Fico triste pela falta que tua amizade já começou a fazer.


"Não fala besteira, tá todo mundo te olhando"

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Eis que de repente eu vejo que não sei nada

http://grooveshark.com/artist/Mr+Brightside/612450

Só para que fique claro, não se trata de um post pessimista. As esperanças e promessas foram todas renovadas com os carinhos na alma recebidos e reforçadas com a quadra na mega da virada.


Mas não está tão fácil quanto eu pensei que seria. Ou melhor, está bem mais dificil do que eu achava que poderia ser.  Daquilo que consegui realizar, os efeitos são bem diferentes do que eu imaginava. Do resto, os novos planos eram esquecidos mais tardar no fim do primeiro mês.  Esquecer está fazendo bem mais parte da minha vida do que eu julgava possível. Chega a me assustar.
 Mas não é só...

Inventei teorias originais para surpreender quem eu flertava, e a esta altura desconfio que acabaram sendo apenas um disfarce para não entrar no jogo comum e necessário da sedução.
Pensei que o medo iria embora se eu o enfrentasse. Mas são tantos anos sentindo, que parece que já me fundi a ele.
Quem eu esperava que me dissesse a verdade, me leva tanto ao limite que já suponho que eu tenha perfil de otária e abrigo sérias dúvidas sobre se vou conseguir endireitar esta situação.
Quando tirei de minha vida uma responsabilidade que pesava muito sobre meus ombros, acabei tirando também todo sentido e sensação de utilidade que ela me dava.
Enfim, nada foi como eu pensava...
Nem mesmo uma certa forma de agir como se eu conseguisse dar conta de mim mesma sozinha se revelou consistente...Ainda bem! Consegui pedir ajuda e dizer para quem escutou: - preciso de você. E bem mais gente do que eu podia imaginar veio na minha direção me estendendo os braços.

Só me resta concluir  que o pensamento é livre... para errar também.











quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

feliz solstício de verão

Queridos,

Entra ano e sai ano e eu não consigo desejar nada melhor do que o que Victor Hugo sintetizou no poema abaixo. Então, sendo repetitiva (e gagá, como alguns de vocês já perceberam), mando de novo esta mesma mensagem de ano e mundo novo para vocês, meus queridos, que estiveram comigo nos momentos dificeis, mas também àqueles que reencontrei depois de anos. (Dizem que para o sentimento não existe tempo: tive a prova disso.)
Este foi um ano mais do que especial. 15 anos da Bruna com muito muito trabalho, stress, preocupação, emoção. Ela nunca facilita as coisas pra mim. Um incêndio atrás do outro. Mas sobrevivemos.
Foi o ano em que consegui aplicar uma decisão antiga: romper com o medo. Romper com as amarras à minha felicidade e à dela. Foi bem dolorido romper. Uma tempestade.
Depois disso, os primeiros tons do arco-iris começaram a se juntar no horizonte.
Reencontrei muitos de vocês, e, em vocês, reencontrei  eu mesma.
Então, que hoje seja o último dia do mundo. De um mundo que tem medo de ser feliz.
E dia 22, quando acordarmos, que nossos olhos possam ver que há um mundo novo que pode ser inventado.
Para vocês e para mim, neste novo mundo, eu "Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar ".

Com carinho,
Chris

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Temporada das Flores

22 de setembro foi o equinócio da primavera no hemisfério sul.
http://grooveshark.com/#!/album/O+BEIJO+DO+VAMPIRO/6656463

Dia 10 de outubro, eu fiz uma denúncia com muitos anos de atraso. Lei Maria da Penha. Foi uma das coisas mais difíceis que fiz em minha vida. Em parte porque foi muito dificil aceitar que tudo isso tinha acontecido comigo. Não foi um filme, uma estória, foi uma parte grande da minha vida e da minha filha entre ameaças, chantagens e ofensas. O medo - já foi dito antes - é um dos sentimentos mais poderosos. Por ele, as vezes, deixamos de viver o nosso potencial.

Dia 02 de novembro reencontrei amigos queridos com os quais cheguei a ter uma família. Não os via há cerca de 15 anos. Cada dia tem sido uma novidade. Algumas destas amigas estão me contando como eu era. Tive um apagão pessoal. Me falta a memória de muito do que eu era e fazia. Elas são o meu backup. E me amam como se o tempo não tivesse passado.

Onde eu andei? Estava respirando por aparelhos, mantendo as funções vitais e me fortalecendo para conseguir me recuperar e voltar para mim. Não foi perdido este tempo. Aprendi a ter humildade ( nem tanta), aprendi a ceder, aprendi a sofrer e dar a volta por cima. Aprendi a amar, a deixar uma outra vida depender de mim. Cresci. Mas continuava presa.

Hoje, livre do medo, comemoro a vida. Planejo um aniversário daqui há poucas semanas, no meio do povão, roçando coxas. 45 anos. Estou de volta, em primavera, esperando e construindo o verão. O amor que me espere. Estou chegando com fome.


http://grooveshark.com/#!/album/O+BEIJO+DO+VAMPIRO/6656463




Temporada das flores
Que saudade agora me aguardem,
Chegaram as tardes de sol a pino,
Pelas ruas, flores e amigos,
Me encontram vestindo meu melhor sorriso,
Eu passei um tempo andando no escuro,
Procurando não achar as respostas,
Eu era a causa e a saída de tudo,
E eu cavei como um túnel meu caminho de volta.
Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno a vida em cores,
Me espera amor nossa temporada das flores.
Eu te trago um milhão de presentes,
Que eu achava que já tinha perdido,
Mas estavam na mesma gaveta,
Que o calor das pessoas e o amor pela vida...
Me espera estou chegando com fome,
Preparando o campo e a alma pra as flores,
E quando ouvir alguém falar no meu nome,
Eu te juro que pode acreditar nos rumores.
Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno a vida em cores,
Me espera amor nossa temporada das flores.
Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno é a vida em cores,
Me espera amor nossa temporada das flores.
Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno é a vida em cores,
Espera amor nossa temporada das flores.
Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno é a vida em cores,
Espera amor nossa temporada das flores.

(Mulher Asterisco)

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Fogo de palha (ou sobre como é melhor ter parcerias)

Impulsiva pra caramba. Se por configuração do céu ou alguma outra obra do acaso, não sei dizer, mas o caso é que adoro novidades. Sou capaz de me jogar de cabeça, completamente apaixonada em diversos projetos, mas tenho uma imensa dificuldade de manter este entusiasmo, a motivação e a constância depois de algumas semanas. Se exigir disciplina e paciência então, a possibilidade de eu ir deixando de lado a nova idéia é quase 100%. Ao longo dos tempos, acabei aprendendo que o único antidoto que funciona contra a minha vontade de desistir é ter sócios, parceiros, companheiros e camaradas. Partilhar planos os tornam duradouros, fornecendo combustíveis de longo prazo.

Nem sempre consigo administrar minha vida social satisfatóriamente. Os últimos 16 anos foram tempos de retração entremeados com alguns episódios de ser o que sou, mais ou menos duradouros. As vezes, por algum mecanismo ainda indecifravel de defesa, acabo me afastando das pessoas e adotando um estilo - completamente insatisfatório - lobo solitário de ser.

Isso acontece aqui também. Mesmo sendo alguém irritante e que escreve posts desordenados, com títulos longos, bagunçando qualquer tentativa de arrumar a casa... prefiro ver minha parceira de saco cheio comigo do que longe. E nem adianta deixar eu sozinha para eu fazer o que quiser sem stress...Não tem graça. Então, nem tenha a esperança de eu retribuir a gentileza e deixar o blog só para a Hellomotta. Se tem gente em casa, eu apareço mais vezes, porque o que eu gosto mesmo é de casa cheia. Sozinha, eu nem estaria mais aqui...