domingo, 7 de setembro de 2014

Só pra não deixar passar antes que seja apenas uma lembrança insignificante.

Já tomei decisões erradas por influencia do charme masculino. No ambiente de trabalho tem dias que é muito dificil segurar a falta. No período fértil, puta que o pariu. É justamente quando vc tá mais magra, durinha e gostosa. Cada uma com o corpo que tem. Dá muita vontade de dar.
Teve um dia em que me assustei com o quanto isso me fragilizava. Eu já estava "na seca"nem me lembro mais a quanto tempo, quando aquele lindinho  das coxas torneadas veio falar comigo sobre algum acordo ou aliança. Alto, sorriso perfeito, olho no olho e leves toques de mão no braço enquanto fala. Delícia. Eu não estava escutando nada do que ele dizia, mas minha cabeça não conseguia parar de subir e descer enquanto eu imaginava beijar aquela boca. O povo envolta dele deve ter começado a achar que eu tava concordando com a proposta quando eu me dei conta que já não tinha mais controle de mim para poder negociar mais nada. Pedi ajuda para um dos nossos e saí de perto, ainda intoxicada. Perigoso para uma mulher com responsabilidades.
Entendi que se eu quisesse ser bem sucedida no mundo dos homens eu precisava estar bem comida. Se não, eu seria um risco para todos os que me mandatassem para alguma tarefa. Objetivo de vida. Dificil. Tinha que encontrar alguém com um pau maior que o meu na cama e que me respeitasse fora dela. Geralmente eles só tinham pra me oferecer ou um ou outro. Ou nenhum dos dois. Mulheres? Nunca conheci nenhuma com o pau maior que o meu. E não é de clitoris que eu estou falando. Sem falar do mimimi que não aguento nem em mim. Tudo ainda pela frente. Atravessei um deserto, na seca, na sede. E não foram só quarenta dias.
Aos 46 anos, outro relógio biológico urge. Gosto de nunca ter precisado de lubrificante, para nada. A menopausa vai me deixar seca?  Sacanagem, nem aproveitei ainda. Sim. eu precisava ser bem comida. E rápido. Tentei um sexo casual. Parei no primeiro. Frio. Pizza fria é bom, sexo não. Quanto mais quente, melhor. Inventei paixões. Quebrei a cara e continuei mal comida.

...

(continua)


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Nimphomaniac e eu

Escrevendo sob impacto de um filme que me tocou. Não tenho visto filmes por um longo tempo. Para mim filmes são para serem sentidos. Não me preocupo com detalhes técnicos, além daqueles que atrapalhem uma história de ser contada. Esta história foi contada. É perfeita como obra de arte.
Joe, como eu, queria mais do amanhecer do que estava a disposição. Transformou seu medo em agressividade. Rebelou-se. Encontrou um mundo que não estava disposto a dar nada para ela se ela não se enquadrasse. Preferiu a dor à mentira dos papeis socialmente esperados. Um filme moralista? Sim.  (spoilers) Sem final feliz. Mas uma moral que vai além. Ela sobrevive. Como uma arvore distorcida no deserto. Quem é realmente condenada é uma sociedade hipócrita que esconde sua falta de moral e empatia atrás de discursos racionalizados. Uma sociedade psicopata.
Diferente de Joe, acredito no amor. Porque acredito em mentiras. E começo a aceitar que eu tenho o direito de mentir. Porque é melhor fantasiar a vida e transformá-la num eterno carnaval. Inofensivas  mentiras podem até preencher um vazio de comunicação e levarem a uma entrega maior que é capaz de fazer o que existe de mais verdadeiro em cada ser humano aparecer. Ainda me espanto com este mundo novo que estou aprendendo a aceitar. Me espanto comigo dizendo tantos sims. E me regozijo. Há muito mais metaforas, histórias e fantasias do que a brutal realidade neste novo caminho que começo a percorrer e inventar. Para os inadequados há salvação na imaginação e na arte.


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Hummm....saudades de escrever

quarta-feira, 19 de março de 2014

The way we kiss

A metaphor. Love always begins like this. Gather my 80´s youth nostalgia, a one "so soft and lonely"  and some big hands playing bass. Music to hear, to dance and to the heart.
The urgency. Always. But now, even bigger than it is. Just a year here and a huge thirst of having everything at the same time now. Everyday seemed friday to me and I was dreaming of Mary Poole. Run and jumped in. Confused by the blue, thought it was the water dept. But it was thursday and he didn´t care about me.
I try to laugh about it hiding the tears in my eyes.


http://youtu.be/CU9K-gzMQ60


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A Urgência


Mais um ano começou, Janeiro chegou e, com ele, um novo velho amigo: o CTI.

Fui internada no dia 29 com embolia pulmonar, e como se isso já não fosse perigoso por si só, o meu caso foi bem específico, causado por um coágulo resultante de uma trombose. Foram apenas três dias de CTI, que até tirei de letra. Mais quatro dias no quarto, e já estava pronta pra voltar pro mundo real.

Confesso que voltar pros 40º do Rio de Janeiro foi bem difícil, mas se eu sobrevivi a uma embolia e uma trombose, o resto é moleza (ou não).

Brincadeiras à parte, foram dias bastante difíceis. Alguns mais, outros menos. Mas sempre vejo as dificuldades como aprendizado e, mais do que isso, sabia que aquilo nada mais era que resultado das minhas escolhas, E se a gente deve mesmo aceitar as consequências do que achamos que nos faz melhor, essa era uma das minhas. Castigo, punição, puxão-de-orelha, o que seja. Era algo que eu precisava pagar pra aprender.

Aquela dor desconcertante na lombar, nada mais era que a reunião de um pouco da dor de cada dia. Cada cigarro acesso na varanda ou no volante, nada mais era do que uma fumaça que enganava o nó na garganta que se formou no dia que ela foi embora. Uns dias mais, outros menos. Um, três, sete, quinze por dia. 
Quis fugir de uma dor, outra se formou.
Enfarto pulmonar, punções que deram errado e mesmo todos hematomas que se formaram. Nada doeu mais do que a falta que ela ainda faz.

É. Talvez eu ainda esteja arrependida por não ter esperado o tempo. Talvez tenha dado tempo demais pro fim e pra dor. Mas a verdade é que o universo sempre nos dá o que a gente pede, e se eu pedi uma dor para poder aceitar o fim, taí: pedido atendido.
O que importa é que mais um mês - tirando o remédio das 17h e os exames semanais que vão me acompanhar por mais 6 meses - nada mudou. O tempo não volta, a saudade não dá brecha. Get over it.

Vida que segue.
h'[m]