quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

feliz solstício de verão

Queridos,

Entra ano e sai ano e eu não consigo desejar nada melhor do que o que Victor Hugo sintetizou no poema abaixo. Então, sendo repetitiva (e gagá, como alguns de vocês já perceberam), mando de novo esta mesma mensagem de ano e mundo novo para vocês, meus queridos, que estiveram comigo nos momentos dificeis, mas também àqueles que reencontrei depois de anos. (Dizem que para o sentimento não existe tempo: tive a prova disso.)
Este foi um ano mais do que especial. 15 anos da Bruna com muito muito trabalho, stress, preocupação, emoção. Ela nunca facilita as coisas pra mim. Um incêndio atrás do outro. Mas sobrevivemos.
Foi o ano em que consegui aplicar uma decisão antiga: romper com o medo. Romper com as amarras à minha felicidade e à dela. Foi bem dolorido romper. Uma tempestade.
Depois disso, os primeiros tons do arco-iris começaram a se juntar no horizonte.
Reencontrei muitos de vocês, e, em vocês, reencontrei  eu mesma.
Então, que hoje seja o último dia do mundo. De um mundo que tem medo de ser feliz.
E dia 22, quando acordarmos, que nossos olhos possam ver que há um mundo novo que pode ser inventado.
Para vocês e para mim, neste novo mundo, eu "Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar ".

Com carinho,
Chris